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Flavia Alemi

Flavia Alemi

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA. Trabalhou na Agência Estado/Broadcast e na S&P Global Platts.

Voo de galinha

Nubank (NUBR33) empolgou? Nem tanto. Saiba por que as ações dispararam após o balanço, mas logo perderam a força

Inadimplência do Nubank subiu mais que nos grandes bancos brasileiros no primeiro trimestre, mas analistas minimizaram a alta

Flavia Alemi
Flavia Alemi
17 de maio de 2022
11:22 - atualizado às 23:23
Tela de celular mostra abertura de aplicativo do banco digital Nubank (NUBR33)
Imagem: Shutterstock

As ações do Nubank chegaram a subir mais de 10% na primeira hora de negociação na bolsa nesta terça-feira (17), conforme o mercado reage aos resultados da fintech no primeiro trimestre.

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Porém, os papéis perderam força na bolsa de Nova York (Nyse) e encerraram a sessão em queda de 6,21%, cotados a US$ 4,08.

Na noite de ontem (16), o Nubank reportou redução do prejuízo líquido, que atingiu US$ 45,1 milhões no primeiro trimestre. O resultado representa uma melhoria de 9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O número veio melhor do que o estimado por analistas ouvidos pela FactSet, que esperavam prejuízo de US$ 77 milhões no período.

Já no cálculo ajustado por despesas relacionadas à remuneração baseada em ações e pelos efeitos tributários aplicáveis, o Nubank obteve lucro de US$ 10,1 milhões. Isso significa uma reversão do prejuízo de US$ 11,9 milhões registrado no 1T21.

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Atenção para a inadimplência

A inadimplência, no entanto, foi um ponto de atenção, visto que as dívidas vencidas há mais de 90 dias atingiram nível mais alto que o observado nos grandes bancos brasileiros.

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O índice de inadimplência acima de 90 dias do Nubank aumentou 0,7 ponto percentual do quarto trimestre de 2021 para o primeiro trimestre de 2022, passando para 4,2%.

A título de comparação, o Bradesco foi o que teve maior aumento da inadimplência entre os grandes bancos na passagem de um trimestre para outro, de 0,4 ponto percentual. Mas o índice total ficou bem abaixo do que mostrou o Nubank, em 3,2%.

Veja a comparação da inadimplência total dos grandes bancos com o Nubank no 1T22:

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BancoInadimplência total 1T22Inadimplência total 4T21Diferença (1T22-4T21)
Santander (SANB11)2,9%2,7%+0,2 p.p.
Bradesco (BBDC4)3,2%2,8%+0,4 p.p.
Itaú Unibanco (ITUB4)2,6%2,5%+0,1 p.p.
Banco do Brasil (BBAS3)1,89%1,75%+0,14 p.p.
Nubank (NUBR33)4,2%3,5%+0,7 p.p.
Fonte: Santander, Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Nubank

E aqui a comparação da inadimplência das pessoas físicas no 1T22:

BancoInadimplência PF 1T22Inadimplência PF 4T21Diferença (1T22-4T21)
Santander (SANB11)4,0%3,6%+0,4 p.p.
Bradesco (BBDC4)4,4%3,8%+0,6 p.p.
Itaú Unibanco (ITUB4)*3,1%2,7%+0,4 p.p.
Banco do Brasil (BBAS3)3,82%3,31%+0,51 p.p.
Nubank (NUBR33)**4,2%3,5%+0,7 p.p.
Fonte: Santander, Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Nubank.
*Usamos inadimplência de pessoas físicas apenas da operação brasileira.
**Usamos inadimplência total, pois Nubank não detalha inadimplência de PF.

Nubank: analistas minimizam deterioração do crédito

Mesmo com o aumento notável da inadimplência, alguns bancos de investimento que cobrem o Nubank minimizaram a deterioração da carteira de crédito.

O JP Morgan, por exemplo, comparou o aumento da inadimplência total do Nubank com a inadimplência das pessoas físicas no Bradesco (que subiu 0,6 p.p. de um trimestre para o outro), e disse que os resultados estão alinhados.

Ao mesmo tempo, o BTG Pactual afirmou que a inadimplência parece estar sob controle, apesar da alta.

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"Apesar do alerta com a magnitude do aumento da taxa de inadimplência, nós gostamos dos resultados do Nubank no primeiro trimestre de 2022, especialmente considerando o impacto que a expansão de clientes e empréstimos deve ter nos resultados do Nubank no médio e longo prazo", afirmou o UBS BB em relatório.

Já o Itaú BBA manteve o tom de cautela com o Nubank e ressaltou que a qualidade do crédito se deteriorou um pouco mais rápido.

"O aumento mais rápido da inadimplência reduziu a taxa de cobertura em 10%, para 229%, o que nós não esperamos que seja bem recebido pelo mercado", apontou o Itaú BBA.

Fim do lock-up pode prejudicar cotação

O período de lock-up acaba, oficialmente, nesta terça-feira (17), o que pode estar provocando a queda do preço das ações.

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lock-up, para quem não sabe, é uma cláusula contratual que determina um período no qual os investidores não podem vender as ações de uma empresa.

Com o fim da restrição, diretores e membros do conselho de administração estarão livres para vender os papéis do Nubank. Vale lembrar que a regra não incluía os clientes que receberam o "pedacinho" do Nubank no programa NuSócios.

A antecipação do fim do lock-up, antes previsto para junho, gerou especulações de que haveria uma enxurrada de ações do Nubank, o que pode reduzir ainda mais os preço dos papéis.

Porém, ontem (16), durante teleconferência de resultados, o presidente do Nubank, David Vélez, tentou passar uma imagem de tranquilidade em relação a esse tópico.

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"Eles [os investidores] têm nos falado que não têm nenhum interesse em vender ações no curto prazo. Eu pessoalmente também vendo zero ações do Nubank", disse Vélez a analistas.

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