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A JBS (JBSS3) reportou aumento na receita e no lucro, com o bom momento da demanda externa balanceando o resultado mais fraco no Brasil

A JBS (JBSS3), assim como grande parte do setor de commodities — sejam elas agrícolas, metálicas ou energéticas —, está aproveitando o superaquecimento da demanda no exterior para reportar receitas e lucros cada vez maiores. O segundo trimestre deu continuidade à tendência, embora também tenha reportado margens mais estreitas, sobretudo nas operações no Brasil.
É verdade que a base de comparação está distorcida: o segundo trimestre de 2020 foi particularmente intenso para o setor de proteína animal. Ainda assim, a queda vista nas margens Ebitda das divisões de negócio da JBS pode causar algum desconforto no mercado.
Em termos consolidados, a JBS fechou o trimestre com R$ 85,6 bilhões em receita líquida, cifra 26,7% maior na base anual; o Ebitda ajustado — ou seja, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — avançou 10,3%, para R$ 11,7 bilhões. O lucro líquido do grupo JBS chegou a R$ 4,4 bilhões, crescendo 29,7% em um ano.
Veja abaixo como ficaram as margens da JBS no segundo trimestre:
As divisões da JBS em outros países mostraram a maior resiliência operacional, com destaque para a JBS USA Beef. A unidade — que atende os mercados da América do Norte, Austrália e Nova Zelândia — teve receita líquida de R$ 35,7 bilhões, alta de 19% na base anual, e Ebitda ajustado de R$ 7,1 bilhões (+13%).
"O trimestre foi marcado pela forte demanda nos mercados doméstico e internacional, o que sustentou o preço da carne em patamares altos em relação ao histórico, proporcionando boas margens nos Estados Unidos e Canadá", disse a empresa, referindo-se ao resultado da JBS USA Beef. "Nos mercados domésticos, a demanda foi impulsionada pelo forte desempenho no varejo e recuperação do canal de foodservice".
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A Pilgrim's Pride, unidade de processamento de frango da JBS para os mercados da Europa e América do Norte, teve um salto de 27% na receita, para R$ 19,2 bilhões; o Ebitda ajustado mais que dobrou, indo a R$ 2,5 bilhões. Novamente, a demanda aquecida no exterior, com alívio nas restrições geradas pelo coronavírus, deu impulso à demanda.
Por fim, a JBS USA Pork, que processa e vende carne suína, teve receita de R$ 10,8 bilhões (+25,6%) e Ebitda ajustado de R$ 854 milhões (-19,2%) — os custos de produção de suínos aumentaram quase 35% em um ano, muito por causa do preço mais elevado de grãos e ração.
Dito isso, repare que as margens das operações internacionais mantiveram-se em patamares relativamente saudáveis — a JBS Beef e a Pilgrim's Pride deram um salto em relação ao trimestre anterior, enquanto a JBS Pork recuou:
| Margem Ebitda | 2T21 | 1T21 | 2T20 |
| JBS USA Beef | 19,8% | 9,0% | 20,8% |
| Pilgrim's Pride | 13,1% | 10,7% | 7,4% |
| JBS USA Pork | 8,0% | 11,7% | 12,4% |
Já as operações brasileiras mostram alguns sinais mistos: a receita cresceu, mas num ritmo inferior aos custos. Como resultado, as margens Ebitda ficaram abaixo do visto nos trimestres anteriores.
A Seara — divisão de embutidos e margarinas — teve alta de 39,8% na receita líquida na base anual, para R$ 8,9 bilhões, mas seu Ebitda ajustado caiu 25,1%, a R$ 809 milhões. A JBS Brasil, que concentra as atividades no mercado de carne bovina, teve comportamento semelhante: alta de 46% na receita, a R$ 12,7 bilhões, e queda de 63% no Ebitda, a R$ 440 milhões.
Assim como no caso da JBS USA Pork, o aumento no custos dos insumos para ração animal, sobretudo grãos, foi o responsável por pressionar as margens das operações:
| Margem Ebitda | 2T21 | 1T21 | 2T20 |
| Seara | 9% | 11,90% | 16,90% |
| JBS Brasil | 3,40% | 2% | 13,80% |
A dívida líquida da JBS caiu 5,2% em relação aos níveis de março, chegando a R$ 54,2 bilhões. Com isso, o índice de alavancagem da companhia, medido pela relação entre endividamento líquido e Ebitda nos últimos 12 meses, recuou de 1,76 vez para 1,61 vez.
A geração de caixa livre foi de R$ 3,2 bilhões entre abril e junho, cifra 66,5% menor que a vista no mesmo período do ano passado.

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