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Companhia afirma que negociações com credores seguem em estágio preliminar e ainda não há definição sobre reestruturação financeira

O alívio durou pouco para os investidores da Oncoclínicas (ONCO3). Após a forte recuperação da véspera, as ações da companhia voltaram a derreter nesta quinta-feira (28), pressionadas pelas incertezas sobre uma eventual recuperação extrajudicial e pela fragilidade financeira da empresa.
Por volta das 13h (de Brasília), os papéis da companhia caíam 25,71% no Ibovespa, cotados a R$ 1,30, liderando as perdas da B3. Na mínima do dia, as ações da Oncoclínicas chegaram a cair cerca de 27%, cotadas a R$ 1,28.
A pressão sobre as ações voltou a ganhar força depois de a companhia negar, na última terça-feira (26), ter conhecimento de uma proposta de aporte de R$ 500 milhões da MAK Capital, gestora que detém cerca de 6% da empresa.
A notícia sobre uma possível capitalização circulava desde a semana passada e era vista pelo mercado como parte de um plano de reestruturação financeira.
Em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Oncoclínicas afirmou ainda que as negociações conduzidas pela BR Partners com credores seguem em estágio preliminar. Segundo a empresa, ainda não há definição sobre alongamento de prazos ou descontos da dívida.
A companhia também confirmou que avalia alternativas ligadas a uma possível recuperação extrajudicial, mas ressaltou que nenhuma decisão foi tomada até o momento.
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Dias antes, na sexta-feira (22), a Oncoclínicas anunciou a contratação do BTG Pactual como novo formador de mercado de suas ações, substituindo o Citigroup, que ocupava a função desde o IPO da companhia, em 2021.
Desde a abertura de capital a Oncoclínicas embarcou em um ciclo intenso de expansão, marcado por aquisições e crescimento acelerado. O movimento ampliou a presença da companhia no setor de oncologia, mas também elevou de forma significativa a complexidade financeira e o nível de endividamento da operação.
Nos últimos meses, a percepção de risco em torno da empresa se deteriorou diante do aumento da alavancagem, da entrada de sócios considerados controversos pelo mercado, como o Banco Master, e das mudanças promovidas no alto escalão da companhia.
Em abril, além de recorrer a um empréstimo emergencial junto à Lumina Capital, a Oncoclínicas promoveu alterações relevantes em sua governança corporativa. Entre elas, a saída de Bruno Ferrari do conselho de administração e a entrada de novos integrantes indicados por credores.
A Oncoclínicas registrou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões entre janeiro e março, mais que triplicando as perdas em relação ao mesmo período do ano passado.
O fluxo de caixa operacional permaneceu negativo em R$ 153,1 milhões no trimestre, enquanto o Ebitda ajustado passou para o terreno negativo em R$ 49,2 milhões. Um ano antes, o indicador havia sido positivo em R$ 153,9 milhões.
Segundo a empresa, o desempenho foi impactado por desalavancagem operacional, dificuldades no abastecimento de medicamentos ao longo de março e provisões contábeis reconhecidas no período.
O endividamento segue como uma das principais preocupações do mercado. Ao fim de março, a dívida líquida da companhia somava R$ 3,2 bilhões.
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