Lupatech (LUPA3) pede aprovação de plano para reestruturar quase R$ 300 milhões em dívidas; crise da empresa já dura quase uma década
Empresa já pediu recuperação duas vezes, tendo sido afetada pela crise financeira global de 2008 e pela Operação Lava Jato

A Lupatech (LUPA3) está em mais uma tratativa para tentar resolver suas dificuldades financeiras. Com dívidas de quase R$ 300 milhões, a empresa pediu a homologação do seu pedido de recuperação extrajudicial, segundo fato relevante enviado ao mercado na noite de ontem (25).
No início de abril, a empresa que presta serviços para o setor de óleo e gás havia enviado seu plano à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), envolvendo mais seis subsidiárias, e agora pede que esse plano seja aprovado pela Justiça.
Antes disso, ela havia pedido uma tutela cautelar, medida provisória de proteção contra credores, perante a Vara Empresarial da 4ª e da 10ª RAJS do Estado de São Paulo.
O plano de recuperação extrajudicial da Lupatech
A Lupatech busca reestruturar dívidas trabalhistas e quirografárias, que não têm garantias reais, que somam, respectivamente, R$ 40,8 milhões e R$ 254,6 milhões.
Hoje, a empresa já tem a adesão mínima dos credores para a aprovação do plano. Os credores de cerca de 55,4% das dívidas trabalhistas e de 42% dos passivos quirografários já aderiram ao plano, "sendo percentual suficiente para o ajuizamento da Recuperação Extrajudicial e que demonstra relevante apoio aos esforços para viabilizar a reestruturação", disse a empresa ao mercado.
A recuperação extrajudicial é diferente da recuperação judicial, que tem um acompanhamento da Justiça.
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No caso da extrajudicial, o acordo é feito diretamente com os credores. Caso a empresa consiga adesão dos detentores de mais de metade das dívidas, a negociação passa a valer para todo o passivo.
Mais uma crise na conta da empresa
Essa não é sua primeira tentativa de se recuperar. Em 2023, a empresa encerrou um processo de recuperação judicial que durou quase dez anos, após uma crise desencadeada pela Operação Lava Jato.
Fundado na década de 1980, o Grupo Lupatech tornou-se nos anos 2000 um dos principais fornecedores brasileiros de produtos e serviços para o setor de óleo e gás. Entre seus produtos, estão válvulas, cabos de ancoragem, tubos em fibra de vidro, ferramentas de coluna para poços de petróleo, serviços de perfuração, completação e serviços em poços, entre outros.
Em 2006, estreou na bolsa de valores e, nos anos seguintes, realizou 17 aquisições.
Com a crise financeira global de 2008, passou por dificuldades, gerando menos caixa que o previsto e com um alto custo da dívida.
Os acionistas BNDESPar e Petros, junto com a GP e a SAI, aportaram R$ 375 milhões na empresa pela fusão, de um total de R$ 700 milhões necessários.
Em 2013, a Lupatech pediu recuperação extrajudicial, concluída em setembro de 2014, com a conversão em ações de 85% da dívida financeira e promessas de venda de ativos fora do Brasil.
No mesmo ano os preços do petróleo despencaram de US$ 100 para US$ 30 por barril. "As empresas que seriam vendidas perderam substancialmente o seu valor, e o plano extrajudicial fracassou pela impossibilidade de obter capital pela via prevista", disse a companhia.
Pouco depois, estourou a Operação Lava Jato, que também prejudicou a Lupatech com redução nas vendas.
A companhia pediu recuperação judicial em 2015, deixou todas as atividades de serviços e voltou-se à produção industrial. Durante o processo, converteu 85% de sua dívida em ações, encerrou sua divisão de serviços petroleiros com a demissão de 1.800 funcionários e venda de sua unidade na Colômbia e de ativos na Argentina.
A crise do setor petroquímico e a consequente pandemia também afetaram seus negócios, diz a empresa. Em 2017, todas as suas fábricas estavam paralisadas.
Em 2023, a recuperação judicial foi encerrada. No entanto, o pagamento da dívida tornou-se impraticável, visto que a empresa atingiu apenas a metade do nível de atividade previsto para o momento atual, disse ela à CVM.
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