Essa small cap de educação pode subir mais de 50%, segundo o BTG — e o EaD não é mais o maior problema
BTG avalia que a Vitru Educação (VTRU3) conseguiu atravessar as mudanças regulatórias do ensino à distância sem comprometer crescimento e geração de caixa

O mercado ainda olha para a Vitru Educação (VTRU3) com desconfiança por causa das mudanças na educação a distância (EaD). Mas, para o BTG Pactual, o cenário começa a mudar — e a ação pode estar barata demais para ignorar.
O banco retomou a cobertura da companhia nesta terça-feira (26), depois do follow-on que movimentou R$ 203,5 milhões, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 21 para o fim de 2026. O valor representa um potencial de valorização de 51% em relação ao fechamento anterior.
Além disso, VTRU3 aparece como a small cap favorita do BTG no setor de educação.
Para os analistas do BTG Samuel Alves, Maria Resende e Marcel Zambello, as ações seguem negociadas com desconto relevante, mesmo após os avanços operacionais recentes da companhia.
Segundo o banco, a Vitru continua reduzindo seu endividamento, gerando forte fluxo de caixa e conseguindo atravessar as mudanças regulatórias do EaD sem impactos relevantes sobre sua operação.
A reorganização societária recente, em que a empresa migrou suas ações para a bolsa de valores brasileira em 2024, também deve ampliar os ganhos de lucro líquido nos próximos anos.
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“A ação é negociada a apenas 4,5 vezes o lucro estimado para 2026 e oferece yield (rendimento) de fluxo de caixa para o acionista acima de 20%, o que consideramos bastante atrativo para uma empresa que ainda apresenta crescimento de lucro por ação”, afirmaram os analistas em relatório.
Liquidez deixa de ser um problema para a tese
Na avaliação do BTG, uma das principais críticas históricas à tese da Vitru começou a perder força após o follow-on: a baixa liquidez das ações, ou a capacidade de comprar e vender com velocidade.
Segundo o banco, o volume médio diário negociado avançou de cerca de US$ 1,5 milhão para US$ 2,5 milhões depois da oferta subsequente.
“À medida que a companhia continue entregando melhora operacional, acreditamos que a liquidez também deverá continuar evoluindo, especialmente se a ação seguir apresentando expansão de múltiplos e aumento de valor de mercado”, escreveram os analistas.
Para o BTG, o aumento da liquidez tende a melhorar a percepção do mercado sobre o papel e pode ampliar o interesse de investidores institucionais ao longo dos próximos trimestres.
EaD ainda preocupa, mas impacto parece menor
Outro ponto que vinha pesando sobre as ações era o novo marco regulatório do ensino a distância.
Em maio do ano passado, o Ministério da Educação (MEC) determinou que cursos de direito, medicina, odontologia, enfermagem e psicologia só poderiam ser ofertados exclusivamente no modelo presencial.
Como a Vitru possui uma grade curricular com diversos cursos no EaD, investidores passaram a questionar a capacidade da empresa de migrar parte relevante desses alunos para o modelo híbrido sem prejudicar crescimento e rentabilidade.
Mas, segundo o BTG, os números mais recentes indicam que o impacto ficou abaixo do esperado.
A companhia registrou queda de apenas 3% na captação de novos alunos na comparação anual. Excluindo enfermagem, o indicador teria mostrado crescimento de 1%.
Mais que isso, a receita proveniente da nova captação continuou crescendo na base anual, impulsionada por um mix considerado mais favorável de estudantes híbridos.
Hoje, os cursos híbridos representam 44% da receita da companhia. Já os cursos totalmente remotos respondem por 27%, enquanto medicina representa 14% da receita e continua sendo visto pelo BTG como um segmento resiliente.
O banco também destaca que uma decisão mais recente do MEC pode aliviar parte da pressão sobre o curso de enfermagem, que representava 4% da base de graduação da empresa em 2025.
Em dezembro, o ministério publicou a Portaria 921/2025, permitindo que grupos educacionais solicitem autorização para abrir novas unidades presenciais de enfermagem durante o período de transição iniciado em maio.
Até agora, 13 polos da Vitru já foram aprovados dentro desse modelo, enquanto outros 22 ainda aguardam autorização.
“Em nossa visão, essa iniciativa pode representar um importante fator de compensação nos próximos ciclos de captação, ajudando a mitigar parte da pressão sobre volumes decorrente das restrições em enfermagem”, afirmaram os analistas.
Para o BTG, a Vitru está relativamente bem posicionada para enfrentar o novo ambiente regulatório graças à escala da operação, à infraestrutura e à presença nacional da companhia.
Fusão com a Unicesumar pode destravar mais valor
O relatório também destaca que a incorporação da paranaense Unicesumar deve melhorar ainda mais a geração de caixa da companhia e reduzir riscos ligados à estrutura societária.
Segundo os analistas, a simplificação societária diminuiu de forma relevante os riscos associados à geração futura de fluxo de caixa.
Com a incorporação, a Vitru passou a aproveitar a amortização do ágio, reduzindo significativamente sua alíquota efetiva de imposto.
Nas contas do BTG, a companhia pagou cerca de R$ 70 milhões em imposto de renda em 2025. Nos próximos anos, esse valor deve cair para algo entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões anuais.
Efeitos já começaram a aparecer nos números
No primeiro trimestre de 2026, a Vitru gerou R$ 244 milhões em fluxo de caixa para o acionista. Em termos anualizados, isso representa R$ 410 milhões nos últimos 12 meses, equivalente a um retorno de 27%.
Segundo o banco, o número está alinhado à expectativa de yield superior a 18% para 2026.
Os analistas também avaliam que, desde a fusão, a companhia vem integrando a operação da Unicesumar de forma consistente, capturando sinergias e melhorando indicadores operacionais.
Para o BTG, a estratégia já começa a gerar benefícios em várias frentes, incluindo margens mais altas, melhor retenção de alunos, ganho de participação de mercado e geração resiliente de caixa, acompanhada de desalavancagem contínua.
Followion não foi sinal de fragilidade, diz BTG
O banco também faz questão de afastar a leitura de que o recente aumento de capital tenha ocorrido por necessidade urgente de caixa.
Na visão dos analistas, o follow-on deve ser interpretado como uma iniciativa voltada ao aumento da flexibilidade financeira da companhia.
Segundo o relatório, os recursos captados devem reforçar o processo de desalavancagem e financiar investimentos adicionais na estratégia de “super hubs” de cursos online, estimados em cerca de R$ 40 milhões ao longo dos próximos dois anos.
O BTG afirma ainda que parte do dinheiro também deve ser destinada a iniciativas de gestão de passivos.
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