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Empresa busca acalmar o mercado enquanto negocia saída para dívida bilionária e risco de reestruturação; veja o que ela disse

O relógio financeiro da Oncoclínicas (ONCO3) segue correndo. A poucos dias do vencimento da proteção judicial contra credores, a rede de tratamentos oncológicos tenta conter rumores sobre uma capitalização bilionária enquanto negocia, nos bastidores, uma ampla reestruturação financeira para aliviar a pressão sobre o caixa.
A tensão aumentou após reportagem do Valor Econômico alegar que a companhia estaria discutindo um aporte de ao menos R$ 500 milhões com potenciais investidores, dentro de um plano que poderia resultar em uma recuperação extrajudicial.
Em comunicado enviado ao mercado nesta terça-feira (26), a Oncoclínicas afirmou que “não possui conhecimento acerca de eventual proposta de capitalização” nesse valor e disse que ainda não há definições sobre operações dessa natureza.
Isso não significa, porém, que a reorganização financeira tenha saído da mesa. A companhia confirmou que segue em negociações conduzidas pela BR Partners com credores e outros agentes financeiros.
No entanto, a companhia afirma que as conversas continuam em estágio preliminar, sem acordos fechados sobre descontos de dívida (haircuts), alongamento de prazos ou novos aportes de capital.
Enquanto tenta reorganizar a estrutura financeira, a Oncoclínicas também trabalha para preservar a operação do dia a dia — especialmente em um setor em que qualquer interrupção pode afetar diretamente pacientes em tratamento.
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Foi nesse contexto que a companhia recorreu recentemente a um empréstimo emergencial de R$ 150 milhões junto à Lumina Capital.
A injeção serviu como uma ponte de liquidez para retomar compras de medicamentos, reduzir filas de atendimento e normalizar acordos de abastecimento com fornecedores estratégicos, como a OncoProd.
Segundo o Valor, uma solução considerada sustentável para a companhia exigiria uma redução de dívida da ordem de R$ 1,5 bilhão.
A principal dúvida agora é se a Oncoclínicas conseguirá evitar uma recuperação extrajudicial após o encerramento do prazo de proteção contra execuções, previsto para junho.
A companhia afirma que ainda não existe qualquer decisão formal sobre seguir por esse caminho. Mas também não fechou a porta para essa possibilidade.
No comunicado, a empresa reconheceu que uma eventual recuperação extrajudicial “permanece em avaliação no âmbito das discussões conduzidas pela administração e seus assessores”.
A deterioração operacional e financeira da Oncoclínicas ficou ainda mais evidente no resultado do primeiro trimestre de 2026. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões no período — mais que triplicando as perdas na comparação anual, com piora de 232,2%.
O caixa também continuou pressionado. O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 153,1 milhões no trimestre.
O Ebitda ajustado, indicador usado pelo mercado para medir a capacidade de geração operacional de caixa, virou para o terreno negativo em R$ 49,2 milhões. Um ano antes, a companhia havia registrado Ebitda positivo de R$ 153,9 milhões.
Segundo a própria empresa, o desempenho foi afetado por desalavancagem operacional, problemas de abastecimento de medicamentos ao longo de março e provisões contábeis reconhecidas no trimestre.
Outro ponto que segue no centro das preocupações do mercado é o endividamento. A dívida líquida encerrou março em R$ 3,2 bilhões.
Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, saltou para 5,2 vezes, bem acima do patamar de 3,2 vezes registrado um ano antes.
Diante desse cenário, a Oncoclínicas já iniciou conversas com credores para renegociar o perfil de amortização da dívida e tentar adequar os compromissos financeiros à atual capacidade de geração de caixa da companhia.
Desde a abertura de capital, em 2021, a Oncoclínicas passou por um ciclo agressivo de expansão, aquisições e crescimento acelerado — movimento que elevou a escala da operação, mas também aumentou significativamente a complexidade financeira da companhia.
Nos últimos anos, o mercado passou a questionar a velocidade de consumo de caixa, a estrutura de capital e algumas decisões estratégicas adotadas pela empresa.
A entrada de sócios controversos, como o Banco Master, o aumento da alavancagem e as mudanças recentes no alto escalão contribuíram para deteriorar a percepção de risco em torno da companhia.
Em abril, além do empréstimo emergencial junto à Lumina Capital, a companhia também promoveu mudanças relevantes de governança, incluindo a saída de Bruno Ferrari do conselho de administração e a entrada de novos nomes indicados por credores.
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