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Apesar da melhora nas projeções operacionais e da alta dos spreads petroquímicos, banco segue cauteloso com o futuro financeiro da companhia

A recuperação recente das ações da Braskem (BRKM5) ainda não foi suficiente para convencer o Citi a mudar sua visão cautelosa sobre a petroquímica.
O banco elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 10 para R$ 14, mas manteve recomendação neutra e classificação de alto risco para a companhia, citando preocupações com a estrutura de capital e o elevado endividamento da empresa.
A revisão veio após a atualização do modelo da Braskem com os dados operacionais do primeiro trimestre de 2026, além de novas projeções macroeconômicas e mudanças nas estimativas para os spreads petroquímicos — diferença entre o preço dos produtos vendidos e o custo das matérias-primas usadas na produção.
Segundo o Citi, a principal razão para a alta do preço-alvo foi a expectativa de um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) mais robusto em 2026, especialmente no segundo trimestre, impulsionado pela recente valorização dos preços e spreads petroquímicos.
Para o próximo balanço, o banco estima que a Braskem entregue um Ebitda ajustado de R$ 4,3 bilhões, com margem de 17,7%.
Os analistas destacam, porém, que o setor petroquímico atravessa um momento de forte volatilidade.
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Depois da disparada registrada em março e abril, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio e aos impactos nas cadeias globais de suprimentos, o mercado começa a voltar as atenções para sinais de enfraquecimento da demanda.
As ações preferenciais da Braskem fecharam o pregão desta terça-feira (26) em queda de 5,81%, cotadas a R$ 11,68. Na mínima do dia, o papel chegou a ser negociado a R$ 11,33. A baixa desta sessão devolve parte do rali de 32% acumulado pelas ações da companhia em uma semana.
O movimento também vem após a queda dos preços do petróleo na segunda-feira (25), diante da expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã.
Apesar da melhora operacional esperada para 2026, o Citi segue cético em relação à estrutura de capital da Braskem.
Entre as principais preocupações do banco está o pagamento das dívidas da companhia, incluindo um desembolso de US$ 1 bilhão previsto para o quarto trimestre de 2026 ligado à linha standby.
Além disso, os analistas afirmam que o risco de uma eventual recuperação judicial continua no radar e sustenta a postura mais cautelosa com a ação.
Ainda assim, o Citi projeta uma geração recorrente de fluxo de caixa livre levemente positiva em 2026, apoiada por uma expectativa de Ebitda próxima de US$ 2 bilhões.
Na visão do banco, alguns fatores poderiam melhorar a percepção sobre a Braskem nos próximos trimestres.
Entre os possíveis gatilhos estão um acordo para reestruturar a dívida da companhia, com eventual adiamento de pagamentos, condições mais favoráveis para a compra de matéria-prima e aumento da taxa de utilização das plantas industriais.
O Citi também avalia que uma escalada mais prolongada do conflito no Oriente Médio poderia elevar os spreads petroquímicos acima do cenário-base considerado atualmente pelo banco, o que daria suporte adicional aos resultados da Braskem.
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