O segredo da Copasa (CSMG3) vazou: governo mineiro revela preço mínimo da privatização após tensão nos bastidores
Após impasse com investidores, governo de Minas revela valor mínimo da oferta e reacende disputa bilionária pela estatal

O “preço secreto” da privatização da Copasa (CSMG3) finalmente saiu da gaveta — e isso pode redefinir o destino da oferta. Após semanas de negociações nos bastidores, o governo de Minas Gerais decidiu abrir o jogo e revelar o valor mínimo que espera receber pelas ações da estatal: R$ 47,23 por papel.
A cifra, mantida sob sigilo até agora, surgiu como tentativa de destravar uma operação bilionária que ameaçou perder tração no momento decisivo da disputa pelos ativos da companhia.
Segundo informações do Brazil Journal, as propostas apresentadas pela Equatorial Energia e pelo consórcio formado por Aegea, GIC, Itaúsa e Equipav ficaram abaixo do piso estipulado pelo estado — ainda que “muito próximas” dele, de acordo com fontes.
A revelação do valor marca uma mudança importante de estratégia do governo mineiro.
Inspirado em modelos recentes de privatização, como os de Eletrobras e Sabesp, o estado optou inicialmente por manter o preço mínimo em sigilo para tentar maximizar a disputa e evitar desgaste político em torno da venda da companhia.
Mas o plano encontrou um obstáculo prático: sem conhecer exatamente o patamar exigido, os potenciais investidores ficaram distantes do consenso necessário para avançar na operação.
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Agora, o governo tenta recalibrar a rota antes que a privatização perca fôlego.
O dilema da privatização da Copasa (CSMG3): preço alto demais ou ativo caro demais?
O valor mínimo de R$ 47,23 por ação representa um desconto de cerca de 7% em relação ao fechamento anterior da Copasa, de R$ 50,75. Ainda assim, o preço permanece aproximadamente 20% abaixo da máxima histórica registrada em abril.
O pano de fundo dessa conta está justamente na forte valorização das ações da companhia nos últimos meses. Embalada pela expectativa de privatização, a Copasa acumulou alta superior a 100% em 12 meses, elevando significativamente o valor de mercado da estatal.
Isso criou um dilema para potenciais compradores estratégicos.
Embora o mercado tenha passado a precificar o potencial de privatização, investidores interessados em assumir participação relevante precisam incorporar na conta uma série de compromissos operacionais e financeiros que vão muito além do preço da ação na bolsa.
Entre eles estão obrigações de investimento bilionárias nos próximos anos e restrições de liquidez, como cláusulas de lock-up que podem limitar a venda de ações por até dez anos.
É justamente esse descasamento entre o “preço de tela” e o custo efetivo de controle que parece ter travado a primeira rodada de ofertas.
Segundo a imprensa especializada, o governo mineiro considera essencial a entrada de um sócio estratégico relevante na operação.
Sem isso, a avaliação dentro do estado é que a Copasa poderia acabar se transformando em uma corporation pulverizada, sem controlador claro — um modelo visto com cautela diante da necessidade de execução de investimentos robustos em expansão e universalização do saneamento.
Na visão do Santander, a Perfin é "um participante importante que pode mudar a dinâmica da oferta". A gestora focada em infraestrutura atualmente detém cerca de 18% a 20% da Copasa e é um dos principais nomes interessados em avançar com a privatização.
"Acreditamos que a Perfin está disposta a trabalhar com Aegea ou Equatorial, embora não pareça interessada, neste momento, em ser o investidor estratégico" dizem os analistas.
Segundo informações da Bloomberg, a Perfin está disposta a investir cerca de R$1 bilhão na tranche de mercado durante o processo de privatização.
Para os analistas, a conclusão é que comprar agora já oferece um potencial relevante de valorização caso a privatização avance com um operador forte.
"Recomendamos que os investidores ajam agora. Acreditamos que o governo de fato abrirá outra rodada de ofertas para investidores estratégicos, com o preço final provavelmente permanecendo próximo aos níveis atuais de mercado", diz o Santander.
"Também esperamos um processo de bookbuilding competitivo, com alocação de ações limitada pela potencial oferta significativa da Perfin e pela alocação a investidores de varejo. Portanto, continuamos vendo a recente fraqueza da ação como um ponto de entrada atrativo, todo o resto constante", acrescenta o banco.
O que muda agora na disputa pela Copasa
Ontem (27), a Copasa já havia informado sobre a necessidade de mudanças de "determinadas condições da oferta” após pedido do governo mineiro, embora não tenha detalhado as alterações no fato relevante enviado ao mercado.
Vale lembrar que a oferta de ações da Copasa, hoje controlada pelo governo mineiro, prevê a venda do controle da estatal ao mercado, em uma privatização que pode superar os R$ 9 bilhões.
Com as mudanças anunciadas hoje, o follow-on de desestatização prevê inicialmente a venda de 171.113.881 ações ordinárias detidas pelo governo.
Caso haja forte demanda, a oferta poderá ser ampliada em cerca de 19,03 milhões de ações — abaixo do montante anunciado anteriormente, de até 19,13 milhões, devido a "bloqueios judiciais incidentes sobre 46.737 ações ordinárias" da companhia sob titularidade do governo mineiro.
Ainda assim, o governo não pretende desaparecer completamente do jogo. A gestão mineira manterá uma golden share — uma ação preferencial especial que garante poder de veto em temas estratégicos, além do direito de indicar membros para os conselhos de administração e fiscal da companhia.
Com o piso do preço da oferta finalmente revelado, o governo e os bancos coordenadores da oferta decidiram conceder mais tempo aos interessados para recalibrar suas propostas.
A nova previsão é que a precificação final da oferta aconteça em 11 de junho.
Já as novas ações devem começar a ser negociadas no dia 15 de junho.
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