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Veja o que desagradou o mercado no plano, que contempla injeção de capital, mudanças na diretoria e no conselho de administração e até a divisão da empresa em duas

Depois de muita especulação, a Raízen (RAIZ4) divulgou seu plano de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões. O material, divulgado a credores, ainda está na fase de negociações.
O plano contempla injeção de capital, mudanças no conselho e na diretoria, descontos na dívida e emissão de ações. Também afirma o que deve acontecer com a permanência de Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan, na presidência do conselho da Raízen. A empresa espera fechar o plano até 31 de março de 2027.
Com a divulgação do plano, as ações estão em queda na bolsa de valores. Por volta das 11h, a queda é de 19,05%, sendo negociada a R$ 0,34. A queda chegou a superar os 21%.
Isso porque uma das etapas, de conversão de dívida em ações, será feita pelo valor de R$ 0,25 por papel.
Os termos ainda estão sujeitos a alterações, obtenção de aprovações necessárias e documentos definitivos, de acordo com o fato relevante.
Um dos boatos que circulava pelo mercado, de que a empresa seria cortada em duas, foi confirmado no plano. A companhia será dividida entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis, para concentrar os esforços em cada um dos setores.
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Essa segregação deve acontecer até 31 de dezembro de 2027.
A empresa também buscará um plano de desinvestimentos de ativos de energia não essenciais ao negócio para melhorar a condição de caixa. A divisão concentra os negócios de etanol, açúcar e bioenergia.
Já na divisão de combustíveis, de distribuição de combustíveis e lubrificantes, a administração deverá iniciar um processo competitivo para a entrada de um possível investidor ou mesmo a venda de participações acionárias. A ideia é reduzir o endividamento e aumentar a liquidez dos credores, inclusive por meio de uma eventual oferta secundária de ações.
A Raízen apresenta três opções no seu plano de recuperação.
A opção A é, até agora, a mais discutida e divulgada na imprensa. Inclui uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões da Shell, parceira da Cosan na joint venture, a um preço de R$ 0,25 por ação.
Inclui ainda uma injeção adicional potencial de R$ 500 milhões, veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, da família do controlador da Cosan e presidente do conselho da Raízen, Rubens Ometto.
Essas injeções viriam com a emissão de novas ações ordinárias.
Após essa injeção de capital, cerca de 45% da dívida seria convertida em ações, a R$ 0,25 por papel. Os credores receberiam units, ou a soma de uma ação ordinária e uma preferencial.
A empresa também teria um programa de emissões de ADRs e ADS, emissão de recibos da brasileira em bolsas estrangeiras, de nível 1.
Os 55% restantes da dívida seriam totalmente reestruturados em novos débitos, divididos entre os segmentos de energia e de combustíveis. A divisão seria de 17,6% para a Raízen Energia e de 37,4% para a Raízen Combustíveis.
Esses novos débitos teriam taxas de retorno distintas dependendo da moeda. Para a Raízen Combustíveis, o retorno seria do CDI+2,75% em reais, 8,5% ao ano em dólares ou 7,65% ao ano em euros. Os vencimentos são em 31/03/2032 e 31/03/2034, com parcelas de 50%.
Já para a Raízen Energia, o retorno seria do CDI+1,25% em reais, 7% ao ano em dólares ou 6,15% ao ano em euros. Os vencimentos seriam em 31/03/2033 e 31/03/2035, também com 50% em cada parcela.
Com isso, os credores passariam a deter quase 80% da companhia.
Há ainda duas opções na mesa para os credores. A opção B conta com um desconto de 80% das dívidas sujeitas ao plano de recuperação judicial.
O desconto deverá ser aplicado primeiro sobre quaisquer juros acumulados e não pagos (até o limite integral) e, depois, sobre os valores de principal da dívida. O pagamento deve ser feito até 31/03/2047, com juros da taxa referencial, sem ajustes cambiais em dólares ou euros.
A opção C é um pagamento em dinheiro equivalente ao menor valor entre 75% da dívida ou até R$ 9.750. Essa opção, voltada a dívidas menores ou pequenos credores de varejo, tem um limite de cap agregado de R$ 150 milhões em pagamentos.
Se a demanda por essa opção exceder esse valor, a alocação é progressiva, começando pelos menores créditos.
A empresa também fará alterações em sua governança, que terão validade a partir da divulgação do plano final de recuperação extrajudicial até o fim da reestruturação.
Segundo a Raízen, todos os diretores atuais permanecerão no cargo e os credores supervisionarão essas medidas.
Também serão criadas novas posições. O atual CFO, Lorival Luz, será o diretor de reestruturação, ou Chief Restructuring Officer (CRO).
Os credores terão o direito de apontar um Creditor Restructuring Advisory Officer (CRAO), diretor que irá representá-los e exercer um papel consultivo. Ele terá pleno acesso à administração, às reuniões do conselho de administração e aos comitês.
Além disso, haverá um comitê de credores composto por cinco membros. Esse comitê não terá direito decisório sobre a operação da empresa, e trabalhará apenas pela implementação do plano de recuperação.
Ao final de toda a reestruturação, o conselho de administração será composto de sete membros — quatro deles escolhidos pelos credores apoiadores, incluindo a presidência do conselho, atualmente ocupada por Ometto. Já três membros serão indicados pelos acionistas, Cosan e Shell.
A Shell terá o direito de nomear pelo menos um membro para o conselho enquanto os contratos de licença de marca permanecerem em vigor. O mandato será de três anos.
Antes de fechar o plano, a empresa ainda precisa tomar algumas medidas. A liquidação das dívidas tributárias federais é uma condição essencial e depende de aprovação dos acionistas e do Comitê de Credores.
Também deverá haver um novo acordo de acionistas entre Shell e Cosan, pelo reembolso de litígios antigos.
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