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Indicador de risco atinge recorde histórico, mas analistas avaliam que o mercado pode estar exagerando no medo sobre o banco digital; o que fazer com as ações agora?

Durante anos, o mercado premiou o crescimento acelerado do Nubank; agora, ele quer saber o custo disso. Embora o banco digital continue entregando expansão acelerada de clientes, carteira de crédito e lucro, o aumento dos sinais de deterioração no crédito começou a levantar dúvidas na Faria Lima — especialmente sobre o tamanho do risco que ainda pode aparecer nos próximos balanços.
Foi justamente esse “elefante na sala” que o JP Morgan decidiu enfrentar em um novo relatório sobre o Nubank (ROXO34). A pergunta central é a que hoje ronda investidores e analistas: o avanço do risco de crédito pode começar a corroer a tese de crescimento do banco digital?
A resposta do banco norte-americano, ao menos por enquanto, é negativa. Apesar da piora em alguns indicadores de risco, os analistas avaliam que a tese de investimento continua resiliente.
Por isso, o JP Morgan manteve recomendação overweight — equivalente à compra — para as ações do Nubank, com preço-alvo de US$ 18 para dezembro, o que representa um potencial de valorização de 41% em relação ao último fechamento.
À primeira vista, o termo “Estágio 2” pode soar como apenas mais um jargão técnico do setor bancário. Mas, dentro do mercado financeiro, ele funciona como uma espécie de zona de alerta da carteira de crédito.
A classificação ganhou relevância após a resolução 4.966 do Banco Central, que endureceu as regras de provisionamento dos bancos e passou a dividir as operações de crédito em três níveis de risco. Confira:
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É justamente o Estágio 2 do Nubank que hoje concentra a maior atenção do mercado. Isso porque ele funciona como uma espécie de “purgatório” do crédito: operações que ainda não viraram calote, mas já começaram a acender sinais amarelos.
No primeiro trimestre de 2026, o índice de Estágio 2 do Nubank no cartão de crédito subiu para 11,5% da carteira — o maior nível da história da companhia. Nos empréstimos pessoais, o indicador avançou para 15,4%.
Mas o JP Morgan avalia que existe uma leitura mais complexa por trás da piora desses números.
Segundo os analistas, o aumento do Estágio 2 não teria sido provocado principalmente por uma explosão efetiva da inadimplência, mas sim por ajustes mais conservadores nos modelos internos de probabilidade de default (PD).
Em outras palavras, o Nubank estaria identificando clientes potencialmente mais arriscados antes mesmo de os atrasos aparecerem no balanço.
“Vemos isso de forma menos negativa, pois sugere que os modelos estão identificando o risco de maneira proativa antes que os tomadores deixem de pagar”, escreveram os analistas.
Na leitura do JP Morgan, o banco digital estaria antecipando provisões e apertando seus filtros de risco antes que a deterioração se materialize de forma mais intensa.
Essa postura mais preventiva, porém, não vem sem custo. O indicador de custo de risco do Nubank — que mede o peso das provisões para perdas com crédito — saltou para 20,3% no primeiro trimestre de 2026.
Ainda assim, o JP Morgan avalia que o Nubank vem fortalecendo seu “colchão” de proteção.
A cobertura para operações com atraso inicial, entre 15 e 90 dias, avançou para perto de 100%. Na prática, isso significa que o banco hoje mantém provisões suficientes para cobrir praticamente toda essa carteira considerada mais vulnerável no curto prazo.
Outro movimento monitorado de perto pelos analistas envolve o alongamento da carteira de crédito do Nubank.
O prazo médio das operações passou de 6,4 meses para 8,5 meses. Apesar de continuar bem abaixo da média dos grandes bancos tradicionais — hoje próxima de 27 meses —, o avanço mostra uma mudança importante na estratégia do roxinho.
Agora, o Nubank começa a ampliar exposição em produtos de duração mais longa, como crédito consignado e antecipação do FGTS. São linhas que podem aumentar rentabilidade e monetização, mas que também carregam dinâmicas diferentes de inadimplência e risco.
Mesmo diante da piora nos indicadores de risco, o JP Morgan avalia que o mercado pode estar exagerando na penalização das ações do Nubank.
Segundo os analistas, os papéis continuam negociando a múltiplos considerados baixos para uma empresa que ainda entrega crescimento acelerado tanto da carteira de crédito quanto do lucro.
Hoje, o Nubank negocia a cerca de 11 vezes o lucro projetado para 2027, segundo estimativas do banco norte-americano.
Na visão do JP Morgan, isso cria uma “assimetria positiva” entre risco e retorno para o investidor.
Afinal, apesar do aumento das provisões e da piora no Estágio 2, o Nubank continua expandindo sua carteira de crédito em ritmo próximo de 40% ao ano e entregando crescimento de lucro superior a 30%.
Para os analistas, o preço atual das ações ainda não reflete integralmente esse potencial de crescimento.
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