Gigante latino-americana lança OPA para assumir o controle da Brava Energia (BRAV3) com prêmio de até 28%. Vale vender?
Oferta pode levar maior empresa petrolífera da Colômbia ao controle da petroleira brasileira; mercado agora calcula se preço convencerá acionistas

A gigante colombiana Ecopetrol quer transformar a Brava Energia (BRAV3) em sua principal plataforma de petróleo no Brasil — e acaba de lançar uma proposta para assumir o controle da petroleira brasileira.
Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (25), a Brava confirmou que a maior empresa petrolífera da Colômbia anunciou os termos da oferta pública de aquisição de ações (OPA).
A proposta prevê a compra de até 116,1 milhões de ações ordinárias, equivalente a aproximadamente 25% do capital social da companhia.
Somada aos cerca de 26% já adquiridos por meio de contratos privados firmados com acionistas de referência, a operação pode levar a estatal colombiana ao controle de 51% da Brava.
Uma mudança no estatuto social da Brava no ano passado eliminou a cláusula de proteção — conhecida no mercado como poison pill — que obrigava investidores a lançarem uma OPA por 100% das ações da companhia ao atingirem uma participação relevante de 25% no capital da petroleira.
Por isso, a Ecopetrol não precisaria realizar uma OPA integral mesmo após ter atingido cerca de 26% do capital da Brava no mês passado.
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Para convencer os acionistas a venderem suas participações, a Ecopetrol ofereceu R$ 23,00 por ação.
O valor embute prêmio em relação ao histórico recente dos papéis da companhia: ágio de 27,8% sobre o preço médio ponderado por volume (VWAP) dos 90 dias anteriores ao primeiro anúncio da transação, feito em abril, e de 20,9% sobre a média dos 90 dias anteriores à publicação oficial do edital da oferta.
Ainda assim, o preço proposto aparece abaixo do valor patrimonial da companhia. Ao final do primeiro trimestre de 2026, o patrimônio líquido por ação da Brava era de aproximadamente R$ 24,56.
Outro ponto importante para os investidores é que a oferta será parcial — e sujeita a rateio.
Isso significa que, caso o número de acionistas interessados em vender supere o limite de 25% pretendido pela Ecopetrol, a venda será distribuída proporcionalmente entre os participantes da oferta.
Em outras palavras, quem quiser vender pode acabar conseguindo se desfazer apenas de parte da posição.
Por enquanto, a Brava informou que seu conselho de administração ainda está avaliando os impactos, termos e condições da operação antes de emitir uma recomendação formal aos acionistas.
Para o BTG Pactual, há uma "alta probabilidade" de cumprimento das condições precedentes e a expectativa de que alguns acionistas da Brava não aceitem a operação, o que pode "gerar uma oportunidade de negociação de curto prazo", segundo os analistas.
Se considerado o preço da ação de ontem, o BTG avalia que a taxa interna de retorno (TIR) na operação de curto prazo pode alcançar 68%.
Segundo os analistas, uma OPA concorrente exigiria um prêmio mínimo de 5% sobre R$23 por ação, ou seja, acima de R$24,15, e deveria ser protocolada até, no máximo, 15 de junho.
"Acreditamos que as ações BRAV3 apresentam uma oportunidade de arbitragem de curto prazo caso os preços permaneçam próximos a R$ 20 — também assumindo que o preço de venda dos 55% a 60% restantes das ações seja próximo aos níveis atuais", diz o banco.
Por que a Ecopetrol quer a Brava?
Mais do que ampliar presença geográfica, a Ecopetrol parece estar comprando uma operação pronta para acelerar sua atuação no Brasil.
"Esta operação também poderá aumentar significativamente a presença da Ecopetrol no Brasil por meio da diversificação de ativos em uma região de alto crescimento”, afirma a empresa.
A Brava entrega algo raro no setor: um portfólio diversificado, que combina ativos em terra e offshore, expertise em campos maduros e presença relevante em produção.
Com a transação, a estatal colombiana adicionaria imediatamente ao seu portfólio 51 concessões e uma produção média de cerca de 81 mil barris de óleo equivalente por dia (kboe/d).
A Ecopetrol também afirmou que enxerga a Brava como uma plataforma estratégica de longo prazo no Brasil, especialmente pela capacidade da companhia de operar ativos maduros e aumentar a recuperação de reservas.
“O objetivo da Ecopetrol é apoiar a Brava como plataforma operacional de longo prazo no Brasil, com foco no aumento da recuperação de reservas e na sustentação dos níveis de produção”, afirmou a estatal no documento da OPA.
A estratégia envolve aplicar tecnologias e técnicas avançadas de recuperação em campos maduros para ampliar a vida útil dos ativos e maximizar geração de caixa ao longo dos próximos anos.
O que acontece agora com acionistas de BRAV3?
Os próximos passos da operação já têm calendário definido e devem manter os investidores atentos nas próximas semanas.
O primeiro marco importante acontece até 9 de junho, prazo em que o conselho de administração da Brava deverá divulgar um parecer formal recomendando — ou não — a aceitação da oferta pelos acionistas.
Já o principal evento da operação está marcado para 25 de junho de 2026, quando será realizado o leilão da OPA no sistema eletrônico da B3.
Caso a oferta seja concluída com sucesso, a liquidação financeira para os investidores que aderirem ao leilão ocorrerá em 7 de julho.
*O texto foi atualizado às 10h47 para atualizar a informação sobre o estatuto da Brava.
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