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Companhia aposta novamente na troca de créditos por ações para aliviar pressão no balanço e reduz passivo em R$ 85 milhões

A Paranapanema (PMAM3) segue em uma corrida para reorganizar o balanço e reduzir a pressão financeira acumulada ao longo dos últimos anos. Desta vez, a empresa apostou novamente em uma fórmula comum entre companhias em recuperação judicial: trocar dívida por ações.
A companhia, conhecida como uma das ações favoritas do megainvestidor Luiz Barsi Filho, anunciou nesta segunda-feira (25) a conclusão de uma nova etapa do seu plano de reestruturação: uma nova conversão de dívidas em participação societária, reduzindo em mais de R$ 85 milhões o endividamento financeiro.
Em vez de receber os valores em dinheiro, parte dos credores aceitou trocar os créditos por ações da própria empresa — uma operação que ajuda a limpar o balanço, mas amplia a diluição para quem já era acionista.
Vale destacar que as ações PMAM3 acumulam desvalorização de mais de 28% na bolsa brasileira em 2026. Em um ano, a derrocada supera os 75%.
O anúncio desta segunda-feira é a conclusão de um movimento iniciado ainda em abril, quando o conselho de administração aprovou um aumento de capital de R$ 85,18 milhões.
Mas o dinheiro não entrou diretamente no caixa da companhia. Em vez disso, a Paranapanema emitiu 139,6 milhões de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 0,61 por papel, destinadas exclusivamente a credores que decidiram converter seus créditos em participação societária.
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A operação foi dividida em duas frentes principais. Credores da chamada “9ª Janela” do plano de recuperação judicial converteram aproximadamente R$ 31,9 milhões em ações.
Já outros 296 credores extraconcursais — isto é, com dívidas que originalmente não estavam incluídas na recuperação judicial — capitalizaram mais R$ 53,1 milhões.
Somadas, as operações reduziram o endividamento da companhia em cerca de R$ 85,04 milhões, segundo informou a administração.
Se, de um lado, a operação ajuda a limpar o balanço da companhia, do outro ela cobra um preço relevante dos investidores que já estavam posicionados no papel.
A emissão massiva de novas ações amplia a diluição societária dos acionistas atuais.
Após a operação, o capital social da Paranapanema passou para R$ 2,35 bilhões, dividido em mais de 290 milhões de ações ordinárias.
Um dado chamou atenção: o baixíssimo interesse dos acionistas atuais em acompanhar o aumento de capital por meio do direito de preferência.
Segundo a ata da reunião do conselho, apenas 0,015% das ações ofertadas foram subscritas pelos acionistas da base atual. Na prática, quase toda a operação ficou concentrada na conversão direta de dívida pelos credores.
A leitura implícita no mercado é que parte relevante dos investidores preferiu não aumentar exposição à companhia neste momento, mesmo diante do preço fixado em R$ 0,61 por ação.
Ao mesmo tempo em que concluiu a nova rodada de capitalização, a Paranapanema também abriu uma nova etapa do processo de conversão de créditos.
A companhia anunciou o início da “10ª Janela” de adesão ao plano, permitindo que outros credores manifestem interesse em trocar dívidas por ações até o dia 3 de junho.
O preço permanece o mesmo da rodada anterior: R$ 0,61 por papel.
Segundo a administração, a medida faz parte da continuidade do plano de recuperação judicial aprovado no fim de 2025 e busca dar mais previsibilidade à estrutura financeira da companhia ao longo da reestruturação.
Outrora na mira da Vale (VALE3) — que chegou a oferecer mais de R$ 2 bilhões para assumir o controle em 2010 —, a produtora de cobre agora luta para manter as finanças de pé.
No terceiro trimestre de 2025, último balanço divulgado, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 371,5 milhões, piora de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a empresa, o resultado continuou pressionado por encargos financeiros de empréstimos e financiamentos, avaliação de impairment dos ativos e pelo ajuste de provisão para perda no imobilizado em andamento de R$ 52 milhões, além de custos de ociosidade e provisões para contingências judiciais.
Desconsiderando esses efeitos e outros itens não recorrentes, o prejuízo ajustado teria ficado em R$ 52 milhões.
Vale lembrar que a Paranapanema entrou em recuperação judicial em dezembro de 2022, declarando cerca de R$ 450 milhões em dívidas, incluindo passivos de controladas.
À época, Luiz Barsi classificou o movimento como um passo necessário para evitar o naufrágio do negócio e disse que a reestruturação “não era um bicho de sete cabeças”.
De acordo com ele, tratava-se de uma forma de a empresa preservar a integridade operacional e, ao mesmo tempo, abrir uma oportunidade de voltar a gerar resultados.
O investidor, conhecido por sua filosofia de longo prazo e foco em dividendos, manteve a confiança na Paranapanema. Em abril de 2025, chegou a elevar sua participação para 5% do capital social. Hoje, porém, sua fatia está em pouco mais de 3,5%, segundo dados de relações com investidores da empresa.
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