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Companhias apostam em novo hospital no Rio para reforçar presença na cadeia de saúde privada; veja os detalhes do plano estratégico

A BradSaúde (SAUD3) acaba de dar seu primeiro grande passo estratégico desde a reorganização societária — e escolheu o Rio de Janeiro para isso.
A companhia, criada para concentrar os ativos de saúde da Organização Bradesco, anunciou uma nova expansão da parceria com a Rede D’Or (RDOR3) para a construção de um hospital em São Conrado, na zona sul carioca.
O movimento envolve um investimento de aproximadamente R$ 59,2 milhões por parte da Atlântica Hospitais e Participações, divisão hospitalar controlada indiretamente pela BradSaúde.
Em troca, a companhia ficará com 49,99% dos ativos imobiliários do futuro Hospital São Conrado D’Or.
Mais do que apenas um novo hospital, a operação simboliza o início de uma nova fase para a BradSaúde após a criação do novo conglomerado de saúde do Bradesco.
O projeto será desenvolvido dentro da joint venture Atlântica D’Or, estrutura criada justamente para unir o capital da Atlântica à expertise operacional da Rede D’Or.
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O modelo societário seguirá praticamente o mesmo desenho adotado em outros empreendimentos da parceria:
Na prática, a Rede D’Or continuará responsável pela operação hospitalar e gestão médica da unidade após a conclusão das obras, enquanto a BradSaúde fortalece sua exposição à cadeia hospitalar sem precisar assumir diretamente a administração dos hospitais.
A escolha de São Conrado também não parece aleatória. O bairro reúne um dos metros quadrados mais caros do Rio e está inserido em uma região de alta renda, perfil considerado estratégico para hospitais premium e serviços privados de saúde.
O fluxo financeiro da transação foi estruturado para diluir o desembolso ao longo do tempo. Parte do valor será paga no fechamento da operação e o restante em até seis meses após a conclusão da transação.
A movimentação reforça a estratégia da BradSaúde de consolidar presença em diferentes elos do setor de saúde, combinando capital, planos de saúde e participação em ativos hospitalares.
Desde a reorganização societária anunciada em março, o mercado vem acompanhando de perto os primeiros movimentos da companhia para entender qual será o ritmo de expansão da nova estrutura criada pelo Bradesco.
A ampliação da parceria com a Rede D’Or surge justamente como uma forma de acelerar crescimento usando uma plataforma operacional já consolidada no mercado hospitalar brasileiro.
Para a BradSaúde, o movimento reforça o seu papel de "consolidadora do ecossistema de saúde da Organização Bradesco".
Em comunicado, a companhia afirmou que a expansão está “alinhada com a estratégia da Atlântica de investir na cadeia de valor do setor de saúde”.
O fechamento definitivo da transação ainda depende do cumprimento de condições suspensivas e das aprovações regulatórias necessárias.
Para o Itaú BBA, o anúncio é um passo positivo para a Bradsaúde e a Rede D’Or, embora com impacto limitado.
Isso porque a Rede D’Or já havia manifestado interesse em construir um hospital no bairro, com plano inicial de construção de uma maternidade com 132 leitos, com investimento (capex) estimado em R$ 265 milhões.
O projeto, que inicialmente estava previsto para ser entregue neste ano, foi adiado. Agora, o acordo com a Bradsaúde reforça a justificativa para avançar com a construção, segundo os analistas.
"Vemos com bons olhos o desenvolvimento de um projeto greenfield, que se soma ao plano de expansão da Rede D’Or e segue vários acordos nos quais a Bradsaúde adquiriu participações exclusivas em hospitais já existentes", diz o BBA.
Para os analistas, embora o projeto de São Conrado tenha nascido como uma maternidade, a expectativa é que o projeto seja um hospital geral, com capacidade maior do que a originalmente prevista no plano de expansão da Rede D'Or.
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