Esquenta dos mercados: bolsa deve digerir aprovação da PEC dos precatórios e balanços de ontem, após exterior renovar as máximas com discurso de Powell
A proposta que oficializa o calote das dívidas que o governo tem com o judiciário deve aliviar o risco fiscal por hora, mas o uso político da medida pode pesar

A bolsa brasileira passou o dia tensa com a possível votação da PEC dos precatórios no plenário da Câmara, mas o principal índice da B3 conseguiu encerrar o pregão de quarta-feira (03) em leve alta de 0,06%, aos 105.616 pontos. O dólar à vista, por sua vez, recuou 1,42%, a R$ 5,5897.
As falas de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, na tarde de ontem animaram os investidores internacionais, e as bolsas de Nova York renovaram as máximas históricas. Mas a realidade com o anúncio do tapering levanta novos questionamentos para o mercado como um todo.
Por aqui, o leilão do 5G deve ser o grande destaque do dia, enquanto a aprovação da PEC dos precatórios em uma votação apertada deve ser digerida junto com os balanços de ontem. Saiba o que esperar hoje:
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PEC dos precatórios aprovada
Durante a madrugada de quarta para quinta-feira, o plenário da Câmara aprovou a proposta de emenda à constituição (PEC) que permite o parcelamento das dívidas que a União tem com o judiciário, os chamados precatórios.
Com isso, o governo abre um espaço de quase R$ 90 bilhões para o Orçamento do ano que vem. Esse montante deve afastar por hora os temores envolvendo uma piora nas contas públicas, mas liga um outro sinal de alerta para o mercado.
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Entre os pontos da proposta estão a mudança na base de cálculo da inflação que corrige o teto de gastos (cerca de R$ 39 bilhões dos R$ 90 bilhões foram adquiridos por essa regra), pagamento de R$ 400 por mês para 17 milhões de beneficiários do Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família, além de vale-diesel para caminhoneiros, ajuste previdenciário, compra de vacinas e R$ 10 bilhões para emendas parlamentares.
A proposta segue para aprovação em segundo turno na Câmara e, em seguida, deve passar por duas votações também no Senado.
Reações e o que esperar hoje
A cautela envolvendo os precatórios deve arrefecer os temores envolvendo o teto de gastos por hora. Entretanto, especialistas chamam esse movimento de “calote” da dívida com o judiciário, tendo em vista que os precatórios são sentenças reconhecidas pela justiça já julgadas.
Além de digerir os precatórios, o investidor nacional deve reagir aos balanços de ontem, após o fechamento do mercado, como Itaú Unibanco e CSN. Ainda hoje, os resultados do terceiro trimestre de Bradesco, Eneva, Minerva e Engine devem movimentar o pregão da sexta-feira.
No campo dos indicadores, a pesquisa industrial mensal de setembro, medida pelo IBGE, deve registrar avanço de 0,7% na mediana das projeções dos especialistas ouvidos pelo Broadcast. Por fim, a Anatel deve realizar o leilão do 5G ainda hoje.
Voo de andorinha
O Federal Reserve informou na tarde de ontem que deve retirar gradualmente os estímulos à economia norte-americana e reduzir a compra de ativos. Dessa forma, o tapering começa ainda em novembro deste ano, mas não sem uma garantia do presidente do Fed, Jerome Powell, de que o BC americano apoiará a recuperação econômica dos EUA.
Apesar de as bolsas pelo mundo não reagirem de maneira mais intensa ao anúncio do Fed, analistas internacionais acreditam que o anúncio da retirada de estímulos foi apenas o primeiro passo. Agora, o mercado deve permanecer atento aos reflexos dessa nova política monetária na inflação e no emprego.
Outra pergunta que segue, por enquanto, abaixo do radar é quando o BC americano começará a elevar as taxas de juros. Atualmente, os juros norte-americanos estão entre 0 e 0,25%.
Atenção hoje
O investidor internacional deve ficar de olho nos pedidos de auxílio-desemprego pela manhã. O relatório de empregos privados ADP de ontem (03) veio bem acima do esperado, o que gera grandes expectativas para a divulgação do payroll amanhã.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices asiáticos fecharam em alta após o anúncio do Federal Reserve sobre o tapering e a postura acomodatícia ontem. De maneira semelhante, as bolsas europeias aguardam a decisão de política monetária do Bank of England (BoE), mas sobem após dados locais de inflação ao produtor da Zona do Euro.
Já os futuros de Nova York operam sem direção definida, à espera de maiores detalhes sobre a retirada de estímulos da economia norte-americana.
Agenda do dia
- FGV: IPC-S Capitais (8h)
- IBGE: Pesquisa Industrial Mensal de setembro (9h)
- Reino Unido: Bank of England divulga decisão de política monetária (9h)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
- Estados Unidos: Balança comercial de setembro (9h30)
- Anatel: Leilão do 5G (10h)
- CNI: Pesquisa de indicadores industriais em setembro (10h)
- Banco Central: Fluxo Cambial semanal (14h30)
- Banco Central: IC-Br de outubro (14h30)
Balanços
- Suíça: Credit Suisse (antes da abertura)
- Alemanha: Commerzbank (antes da abertura)
- Espanha: Telefónica (antes da abertura)
- Estados Unidos: Moderna (antes da abertura)
- Brasil: Bradesco (após o fechamento)
- Brasil: Eneva (após o fechamento)
- Brasil: Minerva Foods (após o fechamento)
- Brasil: Engine (após o fechamento)
- França: Casino (após o fechamento)
- Itália: Enel (após o fechamento)
- França: Société Générale (sem horário)
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