Corte na Selic, coronavírus e exterior positivo ditam o ritmo dos negócios nesta quinta-feira
Decisão do Copom, divulgada na noite de ontem, deve ser o principal motor do Ibovespa hoje, que ainda tem balanços corporativos para repercutir. Lá fora, números da balança comercial chinesa injetam bom humor

O mercado local hoje deve refletir o corte da Selic anunciado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e que surpreendeu boa parte dos especialistas. A decisão deve se refletir na queda dos juros futuros e na bolsa brasileira, que ainda tem a turbulência do cenário político para repercutir.
O EWZ, principal ETF brasileiro negociado na bolsa de Nova York, recua no pré-mercado.
Lá fora, as tensões entre Estados Unidos e China ficam em segundo plano, com o mercado repercutindo os bons números da balança comercial chinesa de abril. Nos Estados Unidos, o dia reserva a divulgação do número de pedidos do auxílio-desemprego, que deve continuar trazendo os reflexos do coronavírus na maior economia do mundo.
Surpresa no mercado
Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado e anunciou um corte de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, renovando o piso histórico e levando a taxa básica de juros de 3,75% para 3,0%.
O BC já deixou sinalizado que a próxima reunião deve trazer um último ajuste - não maior que o atual -, para complementar o grau de estímulo necessário para lidar com a crise causada pela pandemia, o que pode levar a Selic a até 2,25% ao ano.
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O BC ficará de olho em novas informações sobre os efeitos da pandemia e as incertezas no âmbito fiscal para a decisão na próxima reunião.
O mercado esperava um corte de 0,5 ponto percentual na taxa, assim, hoje os investidores devem recalibrar o que já estava precificado e da sinalização do que ainda está por vir. Assim, é bom ficar de olho na queda dos juros futuros nesta quinta-feira e o comportamento do dólar, que se aproxima cada vez mais da casa dos R$ 6.
O Copom também cortou a sua projeção para o IPCA em 2020, passando de 3,0% para 2,4%.
Recorde atrás de recorde
Antes do anúncio do Copom, o dólar foi a grande estrela do dia. A moeda americana fechou a sessão com uma alta de 1,97%, indo a R$ 5,7024 - um novo recorde nominal.
A divisa já acumula uma alta de mais de 42% no ano.
Além da expectativa pela decisão do Copom, também pesou entre os investidores uma maior cautela com o cenário político - com o mercado repercutindo o depoimento do ex-ministro Sergio Moro - e o avanço acelerado do coronavírus.
Tantos fatores negativos também pesaram na bolsa brasileira, que terminou o dia com baixa de 0,51%, aos 79.063,68 pontos.
Campo minado em Brasília
As preocupações com o cenário político seguem em alta e as incertezas são muitas.
O mercado ainda observa com atenção as respostas do governo às acusações feitas por Moro em depoimento e qualquer novo pronunciamento do presidente tem o poder de mexer com as negociações.
Ontem, a AGU pediu para que o ministro Celso de Mello reconsidere o pedido de apresentação do vídeo da reunião ministerial que Sergio Moro apontou como prova da tentativa da intervenção política na PF feita pelo presidente Jair Bolsonaro.
Outro foco de tensão é a aprovação pelo Senado do socorro aos municípios e Estados, que foi aprovada com a desidratação feita pela Câmara. Dessa forma, servidores públicos da área da segurança pública, professores e assistência social não terão os seus salários congelados. A economia final dicou em R$ 43 bilhões, muito menor do que os R$ 130 bilhões pretendidos inicialmente pelo governo.
No campo posivito, a Câmara aprovou em segundo turno a PEC do Orçamento de Guerra.
Boletim médico
O Brasil vai entrando em um momento ainda mais complicado da pandemia da covid-19. Ontem, o país registrou mais um recorde no número de mortos pela doença: 615. Foi o segundo dia consecutivo que o número de óbitos ficou na casa dos 600.
O número de infectados pela doença chegou a 125.218 casos, em um momento em que muitos municípios e estados já consideram a flexibilização do isolamento social uma realidade.
São Paulo segue sendo o epicentro da doença no país, com mais de 3 mil mortos.
“É importante entender que não existe defesa do isolamento ou do não isolamento. Vai ter desde medidas simples, como lavagem das mãos, um distanciamento pequeno, até o lockdown (bloqueio total). E o que é importante é que cada local vai ter sua necessidade. Hoje temos estados e cidades mapeando isso” - Nelson Teich, ministro da Saúde
Conflito China x EUA
Lá fora, a quarta-feira também foi de cautela, com as bolsas americanas fechando em queda - o que ajudou a pressionar o Ibovespa.
A tensão entre Estados Unidos e China, que vem escalando desde a semana passada, atingiu um novo pico e aumenta a cautela dos investidores em escala global.
Na semana passada, Donald Trump acusou a China de ter falhado durante o início da pandemia e ameaçou impor novas tarifas aos produtos chineses.
No novo capítulo do que promete ser uma nova novela entre os países, o presidente Donald Trump disse que a China "pode ou não" manter o acordo comercial bilateral firmado entre as duas maiores economias do mundo em janeiro, após um ano de negociações. Segundo o presidente americano, só será possível saber se o acordo vem sendo cumprido dentro de uma ou duas semanas.
A tensão contaminou os negócios na Ásia, com as bolsas da região fechando majoritariamente em baixa, ignorando até mesmo os números da balança comercial chinesas - que superaram as expectativas. As exportações subiram 3,5%, enquanto as importações caíram 14,2% em abril.
O PMI chinês, que mede o índice de atividade do país também subiu, indo de 43 em março para 44,4 em abril.
Foco nos números
Mas, se na Àsia os investidores ignoraram os bons números, no mercado futuro em Nova York são eles que dão impulso para a alta.
Por volta das 7h45, todos os índices (Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq) apresentavam altas firmes, subindo mais de 1,15%.
Também de olho nos dados chineses e na gradual reabertura dos países do bloco, as bolsas europeias também amanhecem no azul. O velho continente ainda reflete a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de manter sua política econômica inalterada.
Balanços
Dois balanços de peso devem mexer com o Ibovespa hoje: Banco do Brasil e Ambev.
Depois do fechamento, o dia ainda reserva os números da Natura e Paranapanema.
Confira alguns dos últimos números divulgados nesta matéria.
- A Totvs registrou no primeiro trimestre de 2020 lucro líquido de R$ 61,5 milhões, montante cinco vezes maior do que o mesmo período de 2019.
- O Grupo Notre Dame Intermédica registrou lucro líquido de R$ 160,404 milhões no primeiro trimestre de 2020, uma alta de 55,9% em relação ao mesmo período de 2019.
- A Ambev registrou no primeiro trimestre de 2020 um lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 1,091 bilhão. A empresa teve as vendas afetadas por um verão mais fraco.
- Lucro do Banco do Brasil registrou uma queda de 20,1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O banco reforçou em R$ 2 bilhões as provisões para se proteger da inadimplência com a crise do coronavírus.
Agenda
No Brasil, o dia é de agenda esvaziada, com foco total nos balanços.
Lá fora, quinta-feira é dia de conhecer os números de pedidos semanais do auxílio-desemprego nos Estados Unidos.
Fique de olho
- Dois conselheiros da Embraer, que trabalhavam na fusão com a Boeing, renunciaram aos cargos.
- Natura aprovou um aumento de capital após a emissão de 1,317 mihlões de novas ações, indo a R$ 4,920 bilhões.
- AES Tietê irá pagar dividendos intermediários de R$ 0,2235 por unit
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