Prio (PRIO3) e Petrobras (PETR4) em alta com conflito no Oriente Médio; vale investir? Veja por que a resposta não é tão simples
O que determina que empresas petroleiras vão ganhar mais com esse conflito não é só o preço da commodity; entenda

As ações de petroleiras dominaram as altas do mercado hoje (2), em reação à escalada do conflito no Oriente Médio.
Prio (PRIO3), por exemplo, subiu 5,12%, a R$ 57,28, e liderou os ganhos do principal índice da bolsa brasileira.
Já as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) fechou em alta de 4,63%, a R$ 44,71, enquanto as preferenciais (PETR4) subiram 4,58%, a R$ 41,13, respectivamente a segunda e a terceira maiores altas do Ibovespa.
A quarta maior alta foi a de PetroReconcavo (RECV3), que teve um ganho de 3,33%, a R$ 12,73. Já a Brava Energia (BRAV3) teve um ganho mais tímido, de 2,84%, a R$ 19,17.
Com os conflitos, o principal receio para o mercado é a queda da oferta de petróleo no mundo. Embora mais de 50% das estruturas de lançamento de mísseis no Irã tenham sido danificadas, não houve, pelo menos até agora, dano significativo a refinarias ou à infraestrutura de exportação do óleo.
O problema, mesmo, é o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% de toda a produção de petróleo do mundo. Para mitigar parte desse problema, a Opep+ anunciou um aumento na produção, mas que foi considerado tímido pelo mercado.
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Mesmo assim, o BTG Pactual acredita que esse conflito é muito mais amplo que os anteriores envolvendo regiões produtoras, como a disputa entre Israel e Irã de 2025 e a invasão da Venezuela pelos EUA, no início deste ano, justamente por envolver diversos países e um dos principais trajetos de escoamento de petróleo do mundo.
As petroleiras brasileiras podem ter receitas maiores com a alta do petróleo?
O que determina se as empresas petroleiras vão ganhar mais com esse conflito não é só o preço da commodity.
Um fator importante é a taxa de hedge dessas empresas. Esse é um mecanismo financeiro usado para "travar" preços de venda de algum ativo — no caso, o petróleo — e se proteger de quedas ou altas significativas.
Se uma companhia tiver grande parte de suas vendas com o preço travado com contratos futuros ou opções, ela não perde tanto — mas também pode deixar de ganhar.
Por isso, a Prio é a ação preferida do momento para o BTG Pactual. O nível dela de hedge é menor do que os de outros players e, assim, ela consegue se beneficiar mais da alta.
A empresa prefere se proteger comprando "put" (opção de venda). "Você paga mais para se proteger da queda, o que é mais desvantajoso no começo. Mas, se o preço continuar subindo, a empresa consegue aproveitar a alta", explica o analista da Empiricus e colunista do Seu Dinheiro Ruy Hungria.
Além disso, toda sua receita vem da sua produção de petróleo, o que a torna mais exposta ao preço da commodity.
Já no caso da Brava, seus mecanismos de proteção a impedem de capturar completamente essas ganhos, diz o BTG. Ela também tem parte de sua receita exposta a gás natural. A PetroReconcavo também tem mais de 50% de sua produção em gás natural.
Já a Petrobras tem uma peculiaridade. Ela também vende barris de petróleo, mas principalmente para suas próprias refinarias. E essas reajustam o preço dos combustíveis com certo atraso em relação aos preços internacionais da commodity, explica Hungria.
Além disso, a estatal também importa petróleo leve do Oriente Médio, para complementar o seu refino feito no Brasil. A companhia afirmou, em nota, que possui rotas alternativas à região do conflito, "o que dá segurança e custos competitivos para as operações da companhia, preservando as margens".
"Os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas. A Petrobras reforça que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento", disse.
A questão central: até quando vai esse conflito
O que irá determinar se o preço do petróleo continuará em alta é a duração dos embates entre os países. O presidente norte-americano, Donald Trump, já disse que essa guerra deve continuar por quatro semanas, ou até menos.
"Uma escalada de curta duração provavelmente adiciona um prêmio geopolítico ao [petróleo tipo] Brent, mas sem alterar de forma fundamental o balanço entre oferta e demanda de 2026", diz o BTG Pactual em relatório.
"De modo geral, assumir exposição adicional ao setor (de petróleo) por causa de uma guerra que poderia durar não mais do que uma semana seria uma medida arriscada, na nossa visão", diz o Bradesco BBI.
No entanto, se essa guerra se prolongar e o Estreito de Ormuz continuar significativamente restrito, o prêmio geopolítico pago pelo petróleo pode permanecer elevado por um período prolongado. E isso começaria a afetar a inflação global, algo que Trump não quer, afirma o Bradesco BBI em relatório.
"A resposta para essa questão ainda está em aberto, mas os comentários de Trump de que a guerra provavelmente durará até quatro semanas podem ajudar o mercado a ancorar expectativas e esfriar o movimento dos preços", diz o relatório.
Entenda o conflito entre Irã e Estados Unidos até agora
No último sábado (28), os Estados Unidos em conjunto com Israel atacaram o Irã, com a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei.
O presidente Donald Trump chegou a afirmar que o Irã estaria disposto a negociar. No entanto, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, negou a informação, indicando que o conflito pode se prolongar.
Trump também declarou que a companha de bombardeiros contra o Irã continuará, possivelmente por semanas.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã assumiu, nesta segunda-feira (2), a autoria de um ataque com mísseis ao gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ao quartel-general da Força Aérea israelense.
Segundo a Guarda Revolucionária, os mísseis também atingiram edifícios governamentais em Tel Aviv e instalações militares e de segurança em Haifa e Jerusalém Oriental. Israel não confirmou os ataques.
O principal ponto de atenção é o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã — sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo ‘corredor’, que conecta grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
A equipe do BTG projeta o Brent entre US$ 75 e US$ 80 o barril, mas com a possibilidade de superar o teto da expectativa em caso de nova escalada, beneficiando empresas brasileiras do setor de Óleo e Gás.
Com Money Times
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