Tarifaço de Trump afeta lucro da Embraer (EMBJ3) no 4º trimestre de 2025, mesmo com receita recorde; ações caem mais de 5%
A fabricante de aeronaves registrou resultados abaixo do esperado pelo mercado e ações reagem em queda: o que aconteceu com a Embraer?

A gigante da aviação Embraer (EMBJ3) divulgou os resultados do 4º trimestre de 2025 nesta sexta (6) e chamou atenção por uma contradição: de um lado, há uma receita forte, com recorde no ano. De outro, uma queda tanto do lucro líquido quanto do Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
As tarifas de Donald Trump, mudanças no mix de clientes e maiores custos de produção afetaram as margens de rentabilidade da fabricante de aeronaves.
A empresa reportou lucro líquido ajustado de R$ 832 milhões no período. A cifra representa um recuo em comparação com o resultado de R$ 1,04 bilhão registrado no mesmo período no ano anterior, uma queda de 20%.
Além de ter sido mais fraco que o número apresentado no mesmo trimestre de 2024, o valor ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado.
Segundo o consenso reunido pela Bloomberg, a expectativa era de um lucro líquido de US$ 162 milhões — na cotação atual, cerca de R$ 857 milhões.
O Ebitda, que mede o desempenho operacional da companhia, também teve uma cifra menor no 4º trimestre. O indicador registrou R$ 1,61 bilhão, queda de 17% em comparação com o valor de R$ 1,94 bilhão do ano anterior.
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Receita recorde no ano: quais os destaques?
O destaque da Embraer no trimestre foi a linha de receitas líquidas, que chegaram a R$ 14,3 bilhões, avanço de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No acumulado de 2025, no entanto, o valor chegou a R$ 41,9 bilhões, um crescimento anual de 18%. Em nota, a empresa reforçou que esse é “o maior nível de todos os tempos, acima do limite superior das estimativas anuais”.
Praticamente todas as unidades de negócios da Embraer tiveram aumento das receitas no trimestre, com exceção da aviação comercial, com queda de 10% em comparação com o 4T24 — segundo a empresa, causado pela mudança no mix de clientes e maiores custos de produção — e a aviação agrícola, que diminuiu receitas em 8%.
Por outro lado, o segmento de defesa e segurança teve um aumento de 36% na receita, com o maior reconhecimento dos números do KC-390 — avião no radar da Força Aérea dos Estados Unidos.
Já a aviação executiva e serviços e suporte tiveram um aumento de 24% e 21%, respectivamente, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Ação EMBJ3 sofre queda após o balanço
Mesmo com o recorde nas receitas e na carteira de pedidos firmes, no valor de R$ 167 bilhões, as ações da Embraer (EMBJ3) sofrem queda após a divulgação do balanço.
Nesta sexta (6), às 11h50, os papéis registravam um recuo de 5,11%.
A empresa explica que um dos fatores que impactaram os resultados da companhia foi o “tarifaço” de Donald Trump. O balanço mostra que US$ 54 milhões — R$ 286 milhões na cotação atual — foram direcionados para tarifas de importação dos Estados Unidos no ano passado.
No entanto, na conferência de resultados realizada nesta manhã, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que as tarifas americanas foram zeradas para motores e peças da companhia em fevereiro deste ano.
A empresa também atribui a queda dos números a eventos não recorrentes, como o acordo com a Boeing em 2024, no valor de US$ 150 milhões — R$ 796 milhões na cotação atual — e os custos de infraestrutura e instalações em 2025, cerca de R$ 173ilhões.
O que esperar da Embraer em 2026
A fabricante brasileira de aviões divulgou as estimativas para 2026, em que espera entregar de 80 a 85 aeronaves comerciais, acima das 78 do ano passado.
Já as entregas de jatos executivos foram estimadas entre 160 e 170, um crescimento em relação aos 155 de 2025.
O aumento nas entregas também deve impulsionar um salto nas receitas, que foram projetadas entre R$ 43,5 bilhões e R$ 45,1 bilhões
A companhia estima margem Ebit ajustada entre 8,7% e 9,3%, considerando tarifas de importação dos Estados Unidos de 10% e fluxo de caixa livre ajustado de R$ 1 bilhão ou mais para o ano.
*Com informações do O Globo.
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