Banco Central surpreende e reduz Selic para 3% ao ano, nova mínima histórica
O corte de 0,75 ponto percentual renova a mínima histórica dos juros no país e leva a taxa real – descontada a inflação projetada – para níveis muito próximos de zero

Entre a prudência e a ousadia, o Banco Central desta vez ficou com a segunda opção. O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu e decidiu por um corte de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), de 3,75% para 3% ao ano.
Além de cortar os juros acima do esperado pelo mercado, os diretores do BC já sinalizaram uma nova redução para a próxima reunião, que pode levar a Selic a até 2,25% ao ano.
“O Comitê considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da Covid-19”, escreveu o Copom, no comunicado que acompanha a decisão.
Para definir quais serão os próximos passos, o BC informou que serão essenciais novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal.
“O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reforça que há potenciais limitações para o grau de ajuste adicional.”
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O corte renova a mínima histórica dos juros no país e leva a taxa real – descontada a inflação projetada – para níveis muito próximos de zero. A estimativa para o IPCA nos próximos 12 meses está em 2,84%, de acordo com a última edição do boletim Focus do BC.
Mas se levarmos em conta o índice de inflação oficial acumulado até março deste ano (3,30%), já estamos no território dos juros reais negativos.
Mudança de hábito
Na reunião anterior, realizada em março, o Copom deu sinais de que poderia encerrar o ciclo de cortes com a Selic em 3,75% ao ano. Mas a postura da autoridade monetária mudou com a piora do quadro econômico nas últimas semanas.
Antes da decisão de hoje do BC, a expectativa do mercado era que a Selic encerrasse este ano em 2,75% ao ano. Mas as apostas devem ser recalibradas depois do corte mais ousado e da sinalização do comunicado.
Tudo de uma vez?
Embora a decisão do Copom tenha sido unânime, dois diretores levantaram a possibilidade de o BC promover todo o corte de juros de uma só vez, o que significaria um corte ainda maior do que o 0,75 ponto definido na reunião de hoje.
Essa medida seria tomada em conjunto com a sinalização de manutenção da Selic pelos próximos meses, de modo a reduzir os riscos de não cumprimento da meta para a inflação de 2021.
Mas na avaliação dos demais membros do Copom, o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e pode ser pequeno diante conjuntura de elevada incerteza doméstica.
“Assim, o Copom optou por uma provisão de estímulo mais moderada, com o benefício de acumular mais informação até sua próxima reunião.”
*Conteúdo em atualização
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