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Fluxo estrangeiro impulsiona a bolsa brasileira, mas resultados fracos e endividamento pesado derrubam algumas ações no mês; veja os destaques

Quase 40% em um único mês: esse foi o tombo da Raízen (RAIZ4) em fevereiro. A queda das ações destoou do ambiente de euforia que tomou conta da bolsa brasileira nas últimas semanas.
Enquanto o Ibovespa renovava máximas históricas e acumulava forte alta no ano, a companhia de energia seguia no sentido oposto, pressionada por resultados fracos, endividamento elevado e incertezas estratégicas.
A fotografia do mês revela um mercado de extremos. De um lado, fluxo estrangeiro robusto, narrativa favorável a emergentes e o principal índice de ações da bolsa superando, pela primeira vez, os 192 mil pontos durante a sessão da quarta-feira (25). Do outro, empresas que decepcionaram nos balanços e viram o humor do investidor virar com rapidez.
Apesar do fôlego menor na reta final, fevereiro ainda foi positivo para o Ibovespa. O índice acumulou alta de 4,09% no mês — depois de disparar mais de 12% em janeiro —, mesmo com recuo de 0,92% na última semana e encerramento aos 188.786,98 pontos na sexta-feira.
Boa parte desse movimento teve um motor principal: o capital estrangeiro. Até 25 de fevereiro, o saldo de entrada na B3 somava R$ 15,267 bilhões, refletindo a maior atratividade relativa dos mercados emergentes diante do movimento de “sell America”, que reduziu a exposição a ativos dos Estados Unidos e favoreceu praças como a brasileira.
No câmbio, o dólar à vista fechou a semana a R$ 5,1340, com leve queda de 0,10% no dia e recuo de 0,81% no acumulado semanal. No mês, a divisa norte-americana perdeu 2,16% frente ao real.
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Enquanto a bolsa brasileira subia, embalada por fluxo e expectativa de juros mais baixos à frente, a Raízen (RAIZ4) vivia uma narrativa própria (e bem menos favorável).
A companhia encerrou o último trimestre com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, após um ciclo agressivo de aquisições. Os resultados vieram pressionados e reforçaram a percepção de que o balanço ficou mais pesado do que o mercado estava disposto a tolerar.
Desde a divulgação dos números, aumentaram as dúvidas sobre os próximos passos da empresa para aliviar a estrutura de capital.
Segundo a Reuters, uma proposta para desmembramento da companhia enfrenta forte resistência de credores, o que adiciona uma nova camada de incerteza ao caso.
O resultado foi um ajuste severo de preço. Em um mês em que o índice subiu mais de 4%, RAIZ4 mergulhou 38,83%, liderando com folga a ponta negativa do Ibovespa.
| Código | Nome | Variação mensal |
|---|---|---|
| RAIZ4 | Raízen ON | -38,83% |
| COGN3 | Cogna ON | -23,08% |
| PCAR3 | GPA ON | -19,79% |
| HAPV3 | Hapvida ON | -19,31% |
| BEEF3 | Minerva ON | -15,67% |
| TOTS3 | Totvs ON | -15,10% |
| CSNA3 | CSN ON | -14,40% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | -9,54% |
| SMFT3 | Smart Fit ON | -8,76% |
| SANB11 | Santander Brasil units | -7,76% |
No extremo oposto do ranking, o setor de construção foi o grande destaque de fevereiro. A MRV (MRVE3) liderou as altas do mês, com valorização de 26,89%.
O movimento refletiu a expectativa de que o Banco Central possa iniciar em breve um ciclo de afrouxamento monetário — cenário especialmente favorável para empresas sensíveis a juros, como as incorporadoras.
Além da tese macro, o balanço ajudou. A MRV reportou geração de caixa de R$ 145 milhões nas operações brasileiras no quarto trimestre, superando as estimativas do mercado após três trimestres consecutivos de consumo de caixa — uma das maiores preocupações dos investidores até então.
Outros nomes ligados ao setor imobiliário também apareceram entre as maiores altas, como Direcional (DIRR3), que subiu 16,99% no mês.
Ainda assim, o humor não ficou imune a surpresas negativas na inflação. No pregão de sexta-feira, MRVE3 recuou 1,82% após a divulgação do IPCA-15 de fevereiro, que subiu 0,84% — bem acima das expectativas. O dado pressionou a curva de juros futuros e trouxe volatilidade adicional ao setor.
| Código | Nome | Variação mensal |
|---|---|---|
| MRVE3 | MRV ON | 26,89% |
| SUZB3 | Suzano ON | 17,58% |
| DIRR3 | Direcional ON | 16,99% |
| VIVT3 | Telefônica Brasil ON | 15,73% |
| AXIA6 | Axia Energia PNB | 15,65% |
| TIMS3 | Tim ON | 13,78% |
| AXIA3 | Axia Energia ON | 12,69% |
| USIM5 | Usiminas PNA | 12,22% |
| AXIA7 | Axia Energia PNC | 11,82% |
| CPLE3 | Copel ON | 11,23% |
*Com informações do Money Times.
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