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CRESCIMENTO FRACO

Dividendos da Telefônica (VIVT3) vão minguar? UBS alerta que sim. Entenda por que o banco agora recomenda venda das ações

Relatório aponta desaceleração na geração de caixa da dona da Vivo e avalia que dividendos e valuation já não compensam o menor crescimento esperado

Gráfico cinza com uma seta vermelha apontando para baixo e o logo da Vivo em roxo ao centro
Imagem: DAll E / ChatGPT / Canva

A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da marca Vivo, pode ter passado do ponto na bolsa. Essa é a avaliação do UBS, que decidiu fazer um duplo rebaixamento na recomendação da companhia, de compra para venda, com preço-alvo de R$ 36, abaixo da cotação do último fechamento, próxima de R$ 41.

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A preocupação central do UBS está no fluxo de caixa livre (FCF), indicador-chave para empresas de telecom, já que ele sustenta dividendos e recompras de ações. Segundo o banco, a expansão desse fluxo deve ficar bem abaixo da observada entre concorrentes da América Latina.

A projeção é de crescimento de cerca de 5% ao ano entre 2025 e 2027, contra uma média próxima de 12% entre pares. Na visão do banco, o que antes era visto como uma história de crescimento robusto de geração de caixa — entre 12% e 14% ao ano — agora parece mais próximo de um avanço entre 4% e 8%.

“Mesmo sob um cenário operacional e financeiro incomumente favorável, a expansão do fluxo de caixa livre da Telefônica Brasil ficaria abaixo de dois dígitos”, escrevem os analistas do banco. Na visão dos analistas, isso deve atingir em cheio o pagamento de dividendos da companhia, que sempre foi um dos principais atrativos da tese.

Por volta das 10h50, as ações estavam entre as maiores quedas do Ibovespa, com perdas de 3,25%, negociadas a R$ 40,85.

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O que está pesando contra a Telefônica?

Grande parte dessa desaceleração vem do principal motor de receitas da empresa: os serviços móveis. Eles representam cerca de 64% do faturamento total da companhia, mas o crescimento desse segmento tem perdido força desde 2022.

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Segundo o UBS, a expansão das receitas móveis voltou gradualmente para um ritmo mais próximo da inflação, após um período excepcional impulsionado pela consolidação do mercado com a aquisição da Oi Móvel, pela pandemia e por um ciclo de reajustes de preços.

Agora, também pesa contra a Telefônica a expansão de operadoras menores, como Brisanet e Nucel, que começam a aumentar a pressão competitiva e limitar novas altas de preços.

“Apesar de até agora ter tido impacto limitado sobre a concorrência, as pequenas operadoras móveis quase triplicaram sua participação de mercado nos últimos cinco anos, com os ganhos ocorrendo principalmente às custas da Tim, enquanto Telefônica Brasil e América Móvil tiveram ganhos apenas marginais”, escreveram os analistas em relatório.

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Ao mesmo tempo, a Vivo continua líder no setor e mantém cerca de 38% de participação no mercado móvel brasileiro, segundo dados citados no relatório.

Até existem fatores positivos, mas não bastam

A empresa também segue bem-posicionada em infraestrutura e satisfação de clientes, com ampla cobertura de 5G e a maior rede de fibra do país. Ainda assim, o UBS avalia que esses fatores positivos não são suficientes para manter o ritmo de crescimento observado no passado.

Do lado dos custos, as premissas do UBS já são relativamente generosas. As margens Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) devem se beneficiar do fim de despesas operacionais ligadas a concessões, de iniciativas de eficiência e de ganhos de produtividade associados ao uso de inteligência artificial.

Além disso, os custos de leasing (aluguel de equipamentos) tendem a se estabilizar como proporção da receita, enquanto o capex (investimentos) deve cair após o ciclo mais intenso de gastos com expansão de fibra óptica e implantação do 5G.

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Em teoria, essa combinação — margens próximas do pico, leasing estável e capex em queda rápida — deveria ser suficiente para gerar crescimento de FCF de dois dígitos. Mas na prática isso não acontece.

Segundo o UBS, mesmo excluindo efeitos pontuais ligados à migração das concessões, o FCF cresce apenas em ritmo de um dígito médio entre 2025 e 2028, bem abaixo do observado entre pares na América Latina.

“A implicação é clara: a Telefônica Brasil precisa de execução praticamente perfeita apenas para alcançar crescimento de FCF de um dígito médio, deixando pouca margem para erro e tornando um crescimento de dois dígitos um cenário pouco realista”, destaca o time de análise.

Os dividendos devem sofrer

Para muitos investidores, a Telefônica Brasil sempre foi vista como uma ação de renda, graças ao pagamento recorrente de dividendos. A empresa continua distribuindo proventos relevantes, mas até esse atrativo perdeu parte da força.

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O UBS estima um dividend yield próximo de 7%, abaixo dos níveis de dois dígitos que sustentavam a tese de investimento no passado.

Quando se soma o crescimento do fluxo de caixa com os dividendos, o chamado carry yield chega a cerca de 12%. Embora pareça um número interessante, ainda fica abaixo da média observada entre operadoras de telecom da América Latina, que varia entre 16% e 24%, segundo o banco.

A conclusão do UBS é que muita coisa precisa dar certo para que a Telefônica Brasil entregue crescimento consistente de geração de caixa nos próximos anos.

Entre as condições necessárias estão o crescimento do segmento de fibra compensando parte da desaceleração do móvel, margens permanecendo acima da média histórica, custos de leasing desacelerando e o capex continuando em queda.

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Mesmo nesse cenário relativamente favorável, o banco vê crescimento apenas de um dígito médio no fluxo de caixa livre nos próximos anos. Para os analistas, isso deixa a ação em uma posição desconfortável: crescimento moderado, dividendos menores e valuation que já não parece tão atraente quanto no passado.

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