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Escalada no Oriente Médio fez os preços do petróleo subirem e levou junto as petroleiras no B3; ouro terminou o dia com alta de mais de 1%, enquanto a prata caiu

Os mercados começam o primeiro dia útil de março sob temor generalizado à medida que o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel avançou ao terceiro dia, após os ataques trocados no final de semana. Mas o Ibovespa superou o temor da guerra e conseguiu encerrar o pregão, dominado pelas petroleiras, em alta.
Depois de cair 1% na abertura, o principal índice da bolsa brasileira fechou o dia com alta de 0,28%, aos 189.307,02 pontos. O dólar à vista, por sua vez, avançou 0,62%, cotado a R$ 5,1659.
A sessão desta segunda-feira (2) foi dominada pelas petroleiras, no embalo do avanço do petróleo no mercado internacional.
A Prio (PRIO3) liderou os ganhos, com avanço de 5,12%, negociada a R$ 57,28. Em segundo lugar, vieram os papéis ordinários da Petrobras (PETR3), com valorização de 4,63%, a R$ 44,71. Logo em seguida surgiram os preferenciais da estatal (PETR4), com salto de 4,58%, a R$ 41,13.
O petróleo foi o principal ativo na linha de frente do conflito. Os contratos futuros do Brent, referência internacional de negociação, chegaram a saltar mais de 12%, batendo os US$ 82 o barril, durante a madrugada no Brasil. Os futuros do Brent acabaram fechando com alta de 6,68%, aos US$ 77,74 o barril.
Na visão do Citi, a commodity deve ficar na faixa dos US$ 80 a US$ 90 ao longo da semana. Há pelo menos dois fatores que afetam a matéria-prima: o ataque a refinarias, como o realizado contra uma unidade da Saudi Aramco, da Arábia Saudita, e os riscos de abastecimento.
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Teerã fechou o Estreito de Ormuz, por onde é escoada cerca de 20% da produção de petróleo mundial, em retaliação aos bombardeios que mataram o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
As bolsas globais operaram sob forte aversão a risco no início do dia, mas Wall Street também ensaiou uma recuperação. O Dow Jones reduziu as perdas, que beiraram 1%, para -0,15%, enquanto o Nasdaq subiu 0,36%, e o S&P 500 operou perto da estabilidade (+0,04%).
Na Europa, as bolsas fecharam no vermelho em sua maioria. O Stoxx 600 — que reúne as maiores companhias do continente — recuou 1,7%. Na Alemanha, o DAX caiu 2,42%, enquanto o CAC 40, da França, registrou baixa de 2,17%. O FTSE de Londres teve queda de 1,20%.
Na Ásia, a maioria dos índices fechou no vermelho, com destaque para o Hang Seng, de Hong Kong, que caiu 2,14%, aos 26.059,85 pontos.
O VIX, conhecido como índice do medo e que mede aversão global a risco, saltou 18,79%, aos 25,5 pontos, no maior nível desde janeiro deste ano.
O ouro, por sua vez, fechou o dia em alta de 1,21%, a US$ 5.311,60 a onça-troy. Já a prata teve queda de 4,76%, a US$ 88,85 a onça-troy.
Como o conflito começou em um dia de mercados fechados, hoje foi o dia de maior volatilidade para as bolsas e ativos.
"Historicamente, os últimos conflitos no Oriente Médio tiveram uma duração de seis a oito semanas. Depois desse prazo, os mercados retomam, com petróleo caindo e bolsas subindo. Mas depende de fundamentos econômicos e da profundidade dos ataques", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e o Hezbollah, no Líbano, não é apenas mais um episódio de tensão geopolítica: é o gatilho para uma potencial interrupção no fornecimento global de petróleo.
Além de frear o otimismo dos mercados, pode levar a uma espiral inflacionária. Isso porque o Irã é o quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Mesmo com o avanço expressivo nesta manhã, o preço da commodity pode ir muito além caso o conflito siga emperrando o tráfego no Estreito.
Em nota aos clientes, o banco britânico Barclays diz que é altamente provável que o preço do petróleo suba a US$ 100 o barril ou mais caso ocorram grandes interrupções por conta do fechamento de Ormuz ou impactos a campos petrolíferos sauditas.
Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, as implicações podem ir além do mercado de petróleo e chegar à inflação global.
Se a situação escalar, a inflação tende a ganhar força na Europa, nos EUA e em diversas outras economias, o que pode adiar ou até inviabilizar cortes de juros que estavam no radar. Estimativas da Capital Economics apontam que o conflito pode adicionar de 0,6 a 0,7 ponto percentual (p.p.) à inflação mundial.
Embora os efeitos imediatos devam ser sentidos na Europa e nos EUA, o Brasil não deve passar ileso.
A dependência brasileira do transporte rodoviário implica que a alta do petróleo encarece os combustíveis, especialmente o diesel, e se transforme rapidamente em preços mais elevados de frete, encarecendo o preço dos alimentos nos supermercados.
O resultado desse efeito em cascata poderá ser sentido na política monetária. Justo quando o mercado aguardava o início do corte da Selic, a pressão inflacionária vinda do petróleo pode forçar o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo, encurtando o ciclo de afrouxamento que deveria começar neste mês.
Para saber mais sobre a taxa de juros aqui e no exterior, o Seu Dinheiro preparou uma especial sobre o assunto e você pode acessar aqui.
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