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Segundo analistas, os preços da commodity só vão se acomodar se ficar claro para o mercado quanto tempo o conflito no Oriente Médio vai durar

Os investidores abriram os olhos nesta segunda-feira (9) e deram de cara com o petróleo encostando em US$ 120 logo no começo das negociações, no maior nível desde 2022. Se, na sexta-feira (6), a grande pergunta era se o barril poderia chegar aos US$ 100, agora a dúvida é até onde as cotações da commodity podem ir em meio à escalada do conflito entre EUA e Irã.
Embora haja muita dúvida — inclusive sobre a extensão da guerra — uma coisa é consenso entre os especialistas: os preços do petróleo devem continuar em alta no curto prazo.
“Sem clareza sobre a duração do conflito no Oriente Médio — nem sobre o grau de interrupção no Estreito de Ormuz — preferimos cautela em relação a apostar em uma reversão da recente queda dos mercados”, afirmam os analistas do UBS BB.
Na visão deles, apesar do prêmio de risco substancial já incorporado aos preços de energia, a volatilidade permanece relativamente baixa, deixando espaço para que as condições piorem antes de melhorar.
O time de análise do BTG Pactual considera que os preços do petróleo devem manter a trajetória de forte alta em, pelo menos, três condições:
Para o time do BTG, apesar de o preço já apresentar um movimento “bastante esticado”, ainda não há sinais claros de uma reversão do fluxo comprador.
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Já para o analista Jorge Gabrich, do Scotiabank, os preços do petróleo podem começar a se acomodar nas próximas semanas, “caso o mercado se convença de que o conflito não se ampliará para uma guerra regional envolvendo infraestrutura do Golfo ou o Estreito de Ormuz”.
Nesta segunda-feira (9), o petróleo WTI — referência para o mercado norte-americano — para abril fechou em alta de 4,3% (US$ 3,87), a US$ 94,77 barril. Já o Brent — a referência do mercado internacional e da Petrobras (PETR4) — para maio subiu 6,8% (US$ 6,27), a US$ 98,96 o barril.
Nas máximas da sessão, os barris do WTI e do Brent chegaram aos US$ 119, maior nível desde junho de 2022, depois que países árabes do Golfo reduziram a produção devido ao fechamento do Estreito de Ormuz por ameaças iranianas.
A situação na região se agravou depois que, no domingo (8), o Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei — morto nos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro —, como líder supremo, sinalizando que os linha-dura continuam firmemente no comando em Teerã.
A escolha foi feita sem a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia dito que gostaria de participar da decisão. Mais tarde, o republicano disse que a nomeação de Mojtaba seria “inaceitável”.
Do lado da produção de petróleo, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos anunciaram que reduziram a oferta devido à falta de espaço para armazenamento, já que os barris não estão sendo escoados pelo Estreito de Ormuz desde o último dia 28.
A Saudi Aramco, maior produtora do petróleo do mundo, por sua vez, ofereceu fornecimento imediato de petróleo por meio de uma série de licitações.
A companhia tem redirecionado cargas do óleo bruto para instalações no Mar Vermelho, na costa oeste da Arábia Saudaita, para evitar a região do Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do comércio mundial do óleo bruto.
Após a invasão do Kuwait pelo Iraque em 2 de agosto de 1990, o Brent disparou para mais de US$ 40 e atingiu média de US$ 36 em outubro de 1990.
E mesmo antes do início da Operação Tempestade no Deserto, os preços começaram a cair quando ficou claro que o conflito não se transformaria em uma guerra regional ampla.
O Brent caiu para menos de US$ 20 em fevereiro de 1991, um mês após o início da operação, embora a produção dos dois países ainda estivesse próxima de zero.
Já antes da Guerra no Iraque, também conhecida como a Segunda Guerra do Golfo, o Brent subiu cerca de 14% entre novembro de 2002 e fevereiro de 2003.
Depois do início do conflito, em março, os preços caíram cerca de 24%, com média de US$ 25 em abril, enquanto a produção iraquiana permanecia muito baixa.
No conflito atual, na visão do analista Jorge Gabrich, do Scotiabank, o mercado do petróleo já antecipava a possibilidade de ataques no Irã, com a alta de cerca de 18% entre meados de dezembro e final de fevereiro.
Segundo o analista da Empiricus, Matheus Spiess, apesar da escalada das tensões, o cenário atual não apresenta um risco de choque do petróleo nos moldes da década de 1970.
“Desde então, a economia global tornou-se relativamente menos dependente da commodity e o fluxo energético mundial tornou-se relativamente menos dependente do Estreito de Ormuz”, afirmou.
Para Spiess, embora o preço do barril tenha avançado de forma expressiva nas últimas semanas, a magnitude do movimento ainda está distante da reação observada naquele período.
“Ainda assim, o cenário atual não deve ser minimizado”, disse.
O analista ainda afirma que, mesmo sem repetir o choque dos anos 1970, as tensões geopolíticas no Oriente Médio podem gerar impactos sobre inflação, expectativas e, consequentemente, o comportamento dos ativos globais.
Na mesma linha, a XP considera que o conflito “provavelmente” impulsionará ainda mais o sentimento de aversão a risco nos mercados globais.
Os preços mais elevados da energia também devem acelerar a inflação nas principais economias do mundo e, assim, reduzir a margem para cortes nas taxas de juros. A disparada dos preços do petróleo também poderá desacelerar a atividade econômica global.
No caso do Brasil, especificamente, o petróleo representa uma parcela “significativa” do Produto Interno Bruto (PIB) e das receitas do governo.
*Com informações do Money Times
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