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Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

maior alta do ibovespa

Prestes a ter concorrência, B3 ensaia recuperação na bolsa após redução de taxas

Depois de sofrer uma queda de 12% desde acordo com ATS Brasil, papéis da B3 lideram altas do Ibovespa; empresa nega relação entre medida de hoje e a concorrência

Kaype Abreu
Kaype Abreu
2 de janeiro de 2020
15:13 - atualizado às 15:23
Sede da B3, no centro de São Paulo, Ibovespa
Sede da B3, no centro de São Paulo - Imagem: shutterstock

Dona do monopólio da negociação de ações brasileiras, a B3 anunciou nesta quinta-feira (2) que a taxa mensal de manutenção de conta, que hoje chega a cerca de R$110 ao ano, deve ser zerada. A tarifa cobrada na negociação de ações também vai cair cerca de 10% para as pessoas físicas em geral.

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A medida, cuja implantação ainda depende do aval das corretoras, é anunciada menos de duas semanas após a empresa fechar um acordo com a Americas Trading System (ATS Brasil) sobre o preço e condições para a prestação, pela B3, de serviços de transferência de ativos.

O acordo com a ATS Brasil fez as ações da B3 caírem 12% até o pregão do dia 30. Nesta quinta-feira, os papeis da empresa brasileira recuperavam parte das perdas, numa alta de 5% em relação ao último dia útil de 2019, a R$ 44,77. Acompanhe nossa cobertura de mercados.

Mas, em 2019, os papéis da B3 valorizaram 61%, impulsionados pela entrada de investidores na bolsa. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações, registrou uma alta de 31,58%.

O presidente da empresa, Gilson Finkelsztain, negou a relação entre a mudança na tarifação e o acordo com a ATS. "A medida anunciada hoje é um movimento muito maior e de muito mais impacto", disse em teleconferência.

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O executivo afirmou que a B3 já tem concorrência "em vários mercados do mundo inteiro". "As tarifas são erroneamente comparadas. Se os mercados lá fora fossem muito mais baratos, certamente os investidores profissionais negociariam fora do Brasil".

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Para analistas do BTG Pactual, a medida é vista como positiva porque, na prática, vai ficar mais caro para alguém usar outra bolsa. "Em tese, o impacto de R$ 250 milhões nas receitas em 12 meses é pequeno dado o desempenho que o papel teve em dezembro", escrevem os especialistas.

Com a medida anunciada hoje, a B3 mira os custos para aumentar a base de clientes. Ou seja, a médio e longo prazo, a companhia espera que a perda de receita seja compensada pelo volume de ações negociadas. Mas a empresa não arrisca uma estimativa de novos investidores.

Entre as principais mudanças anunciadas pela B3 - que, segundo a própria empresa, atingem cerca de 65% da base de investidores pessoa física que hoje têm saldo em contas de renda variável - estão:

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  • Tarifas menores para investidores com maiores volumes;
  • Criação de programa de incentivo para grandes day traders;
  • Isenção da tarifa mensal de manutenção de conta de custódia para clientes que tiverem até R$ 20 mil de saldo em uma mesma corretora.

O acordo com a ATS

Em 23 de dezembro, a B3 anunciou um acordo para prestar serviços a uma bolsa concorrente que quiser operar no segmento de negociação de ações brasileiras.

As condições para o uso da infraestrutura da B3 nos serviços de pós-negociação, como a liquidação e a custódia, eram discutidas em uma arbitragem.

O procedimento foi aberto pela ATS Brasil. Com o acordo, a B3 firmou contrato que estabelece as condições para a prestação de serviços de transferência de valores mobiliários (CSD) para o mercado de renda variável.

A empresa estabeleceu uma taxa de transferência de ativos (TTA) 0,26 basis points a ser aplicada sobre cada transação que processar, mas com a aplicação de descontos de acordo com o crescimento dos volumes totais do mercado.

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A cobrança vale não só para a ATS como para qualquer empresa que desejar estabelecer uma plataforma de negociação de ações concorrente no mercado brasileiro.

No início da década, as bolsas norte-americanas Bats e Direct Edge anunciaram a intenção de atuar no mercado brasileiro, concorrendo com a então BM&FBovespa, mas o projeto não foi para frente.

Em 2016, a bolsa fez uma fusão com a Cetip e ampliou a concentração na chamada infraestrutura de mercado.

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