Vale, Raia Drogasil, Santander e Bradesco divulgam resultados; veja o que esperar
Resultados do primeiro trimestre devem trazer início do impacto da crise do coronavírus para as empresas de capital aberto

Em plena crise política e de saúde, o mercado financeiro volta a se debruçar sobre os balanços das empresas de capital aberto nesta semana. Nesta semana, os bancos Bradesco e Santander Brasil, além da mineradora Vale e da rede de drogarias Raia Drogasil (RD) divulgam os números do primeiro trimestre de 2020.
Os resultados financeiros são os primeiros a dimensionar o impacto da crise desencadeada pelo novo coronavírus. Desde março, o Brasil tem uma série de medidas restritivas de circulação, que paralisam parte da atividade econômica e devem resultar no queda brutal do PIB.
Entre as companhias de capital aberto, a crise deve acarretar em uma queda de receita e adaptação dos modelos de negócios. A recuperação seguirá ritmos diferentes entre os setores, assim como a dimensão do impacto da pandemia - que, em alguns casos, pode até ser positivo.
A mineradora Vale, por exemplo, não escapa da crise, mas diversos analistas apontam a ação da companhia como uma opção defensiva para uma carteira de ações. O BTG Pactual, por exemplo, diz que a empresa tem baixa alavancagem e geração de fluxo de caixa livre robusta.
"É incrível que até agora os riscos aos lucros parecem ser bem nulos para a companhia", escreveram os analistas do banco, citando um descolamento entre o desempenho da ação e os fundamentos do mercado do minério de ferro.
A avaliação não significa que a empresa manteve a normalidade nesses primeiros meses do ano. A Vale informou ter adotado medidas de prevenção ao coronavírus e criou um comitê técnico e outro executivo para gerir as ações demandadas pela pandemia.
Leia Também
Segundo a mineradora, todas as viagens de negócios e eventos não essenciais foram cancelados ou postergados. A empresa também anunciou em março o desembolso de US$ 5 bilhões de crédito rotativo, para ter maiores reservas em caixa.
De acordo com as projeções de analistas compiladas pela Bloomberg, o primeiro trimestre para a Vale deve ser de queda na linha final do balanço - a empresa já divulgou que teve produção abaixo do esperado e teve de revisar metas para este ano.
A Vale registrou um prejuízo de US$ 1,642 bilhão no primeiro trimestre do ano passado por causa do rompimento da barragem em Brumadinho, mas a agência compila os dados de maneira ajustada, desconsiderando o impacto da tragédia. O resultado é que a projeção de lucro recorrente de R$ 4,4 bilhões representa uma queda de 18,6% na linha final do balanço.
Projeções primeiro trimestre da Vale
- Lucro líquido: R$ 4,489 bilhões (↓18.68%)
- Receita líquida: R$ 37,354 bilhões (↑20.69%)
- Ebitda: R$ 16,350 bilhões (ante - R$ 2,8 bilhões)
Máscaras e álcool gel
Movimento inverso ao da Vale deve ser visto no balanço da Raia Drogasil. Analistas esperam aumento de 41,7% do lucro, a R$ 131 milhões – puxado por um avanço da receita. Uma interpretação possível para os números é justamente a crise.
A empresa oferece um serviço que está entre aqueles considerados essenciais e por isso as operações não foram interrompidas no país. As farmácias também vendem produtos cujo demanda aumentou desde o início da pandemia.
O presidente da Raia Drogasil disse que, com a pandemia, máscaras e álcool gel sumiram das prateleiras das farmácias da rede. "Preparamos um plano de guerra: aumentamos nossos estoques de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) entre o fim de janeiro e fevereiro", contou em entrevista ao Estadão.
O executivo disse que as maiores buscas no momento é de medicamentos usados para gripe forte, problemas asmáticos e vitaminas C, mas afirmou que a companhia não abriria dados sobre volume de vendas. "Houve uma corrida por certos medicamentos e uma explosão de demanda no online. Estamos trabalhando para melhorar esse canal".
Projeções primeiro trimestre da RD
- Lucro líquido: R$ 131 milhões (↑41.74%)
- Receita líquida: R$ 4,674 bilhões (↑18.33% )
- Ebitda: R$ 327,5 milhões (↑21.26%)
Crédito na praça
Santander e Bradesco também divulgam os resultados do trimestre: lucros volumosos como sempre, mas uma baixa no retorno sobre patrimônio - o indicador que mede a rentabilidade de um banco. Foi um período em que pessoas e empresas recorreram às instituições financeiras em busca de crédito.
Diante do aperto nas condições de liquidez, o governo anunciou uma série de medidas, com impacto estimado em R$ 1,2 trilhão, segundo o Banco Central - uma parte com caráter técnico de flexibilização de normas regulatórias, em tese, permitiriam o aumento da circulação de dinheiro na economia.
Segundo a Febraban, ao menos entre 16 de março e 13 de abril, os bancos receberam dois milhões de pedidos de renegociação de dívidas e R$ 130 bilhões em vencimentos haviam sido prorrogados.
Outras medidas do setor incluem linha de crédito para financiar a folha de pagamentos de pequenas e médias empresas. A concessão de crédito novo, entre originação e renovação, totalizava cerca de R$ 400 bilhões, de acordo com a entidade.
Segundo o presidente do Santander, Sérgio Rial, o prazo é uma das "grandes soluções" que os bancos podem oferecer para o período de crise. “A outra é que vão existir oportunidades dos bancos de montarem seus fundos de private equity [que compram participações em empresas]”, disse em transmissão pela internet.
Na mesma ocasião, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse que o crédito bancário foi o que restou às empresas porque "o mercado de capitais fechou".
“No Bradesco eu recebo R$ 1,5 bilhões a R$ 2 bilhões por dia de tíquete do banco corporativo. Houve dia em que a gente recebeu R$ 20 bilhões", disse o executivo. "O que nós fizemos foi distribuir essa liquidez para atender a todos. Foram três dias, mas já se normalizou”.
É provável que os resultados das instituições financeiras sejam afetados por provisões que elas devem fazer para o aumento da inadimplência. A expectativa é que os bancos também revisem ou mesmo retirem as projeções para os resultados divulgadas no começo deste ano.
Os três primeiros meses também foram um período de mais redução da Selic. A taxa, que em dezembro era de 4,5%, hoje está em 3,75% - com perspectiva de novo corte. O movimento impactou- e ainda deve mexer - com os juros sobre as diversas operações dos bancos, que tendem a acompanhar a redução. Para ficar atento.
Projeções primeiro trimestre do Santander
- Lucro líquido: R$ 3,529 bilhões (↓2,24%)
- Receita líquida: R$ 16,772 bilhões (↑9,69% )
- Retorno sobre patrimônio: 19,27% (ante 20,25%)
Projeções primeiro trimestre do Bradesco
- Lucro líquido: R$ 6,069 bilhões (↓↑3,21%)
- Receita líquida: R$ 26,178 bilhões (↑20,57% )
- Retorno sobre patrimônio: 16,02% (ante 20,5%)
Destaques no calendário de balanços:
- Segunda-feira (27): Neoenergia;
- Terça-feira (28): Santander, Raia Drogasil, Vale, Minerva, Cielo e Smiles;
- Quarta-feira (29): Weg e Muliplan;
- Quinta-feira (30): Bradesco
Petrobras (PETR4) opera em queda, mas nem tudo está perdido: chance de dividendo bilionário segue sobre a mesa
A estatal divulgou na noite de terça-feira (29) os dados de produção e vendas do período de janeiro e março, que foram bem avaliados pelos bancos, mas não sobrevive às perdas do petróleo no mercado internacional; saiba o que está por vir com relação ao balanço
Santander (SANB11) divulga lucro de R$ 3,9 bi no primeiro trimestre; o que o CEO e o mercado têm a dizer sobre esse resultado?
Lucro líquido veio em linha com o esperado por Citi e Goldman Sachs e um pouco acima da expectativa do JP Morgan; ações abriram em queda, mas depois viraram
Alguém está errado: Ibovespa chega embalado ao último pregão de abril, mas hoje briga com agenda cheia em véspera de feriado
Investidores repercutem Petrobras, Santander, Weg, IBGE, Caged, PIB preliminar dos EUA e inflação de gastos com consumo dos norte-americanos
Como fica a rotina no Dia do Trabalhador? Veja o que abre e fecha nos dias 1º e 2 de maio
Bancos, bolsa, Correios, INSS e transporte público terão funcionamento alterado no feriado, mas muitos não devem emendar; veja o que muda
Santander (SANB11) bate expectativas do mercado e tem lucro de R$ 3,861 bilhões no primeiro trimestre de 2025
Resultado do Santander Brasil (SANB11) representa um salto de 27,8% em relação ao primeiro trimestre de 2024; veja os números
Petrobras (PETR4): produção de petróleo fica estável em trimestre marcado pela queda de preços
A produção de petróleo da estatal foi de 2,214 milhões de barris por dia (bpd) entre janeiro e março, 0,1% menor do que no mesmo período do ano anterior, mas 5,5% maior na comparação trimestral
Santander (SANB11), Weg (WEGE3), Kepler Weber (KEPL3) e mais 6 empresas divulgam resultados do 1T25 nesta semana – veja o que esperar, segundo o BTG Pactual
De olho na temporada de balanços do 1º trimestre, o BTG Pactual preparou um guia com suas expectativas para mais de 125 empresas listadas na bolsa; confira
Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) anunciam R$ 322 milhões em dividendos
Distribuição contempla ações ordinárias e ADRs; confira os detalhes
Weg (WEGE3), Azul (AZUL4) e Embraer (EMBR3): quem “bombou” e quem “moscou” no primeiro trimestre do ano? BTG responde
Com base em dados das prévias operacionais, analistas indicam o que esperam dos setores de transporte e bens de capital
Lojas Renner (LREN3): XP eleva recomendação para compra e elenca quatro motivos para isso; confira
XP também aumenta preço-alvo de R$ 14 para R$ 17, destacando melhora macroeconômica e expansão de margens da varejista de moda
Planos pré-feriado: Ibovespa se prepara para semana mais curta, mas cheia de indicadores e balanços
Dados sobre o mercado de trabalho no Brasil e nos EUA, balanços e 100 dias de Trump são os destaques da semana
Agenda econômica: Balanços, PIB, inflação e emprego estão no radar em semana cheia no Brasil e no exterior
Semana traz IGP-M, payroll, PIB norte-americano e Zona do Euro, além dos últimos balanços antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos de maio
Nova temporada de balanços vem aí; saiba o que esperar do resultado dos bancos
Quem abre as divulgações é o Santander Brasil (SANB11), nesta quarta-feira (30); analistas esperam desaceleração nos resultados ante o quarto trimestre de 2024, com impactos de um trimestre sazonalmente mais fraco e de uma nova regulamentação contábil do Banco Central
Agenda intensa: semana tem balanços de gigantes, indicadores quentes e feriado
Agenda da semana tem Gerdau, Santander e outras gigantes abrindo temporada de balanços e dados do IGP-M no Brasil e do PIB nos EUA
Prio (PRIO3): Conheça a ação com rendimento mais atrativo no setor de petróleo, segundo o Bradesco BBI
Destaque da Prio foi mantido pelo banco apesar da revisão para baixo do preço-alvo das ações da petroleira.
Smart Fit (SMFT3) entra na dieta dos investidores institucionais e é a ação preferida do varejo, diz a XP
Lojas Renner e C&A também tiveram destaque entre as escolhas, com vestuário de baixa e média renda registrando algum otimismo em relação ao primeiro trimestre
Normas e tamanho do FGC entram na mira do Banco Central após compra do Banco Master levantar debate sobre fundo ser muleta para CDBs de alto risco
Atualmente, a maior contribuição ao fundo é feita pelos grandes bancos, enquanto as instituições menores pagam menos e têm chances maiores de precisar acionar o resgate
Vale (VALE3) sem dividendos extraordinários e de olho na China: o que pode acontecer com a mineradora agora; ações caem 2%
Executivos da companhia, incluindo o CEO Gustavo Pimenta, explicam o resultado financeiro do primeiro trimestre e alertam sobre os riscos da guerra comercial entre China e EUA nos negócios da empresa
Cade admite Petlove como terceira interessada, e fusão entre Petz e Cobasi pode atrasar
Petlove alega risco de monopólio regional e distorção competitiva no setor pet com criação de gigante de R$ 7 bilhões
Consórcio formado por grandes empresas investe R$ 55 milhões em projeto de restauração ecológica
A Biomas, empresa que tem como acionistas Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale, planeja restaurar 1,2 mil hectares de Mata Atlântica no sul da Bahia e gerar créditos de carbono