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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

TÁ GARANTIDO

Até onde vai a garantia do FGC: mesmo com R$ 52 bilhões a menos, o fundo ainda pode proteger os investidores?

Com Master, will bank e Pleno na conta, o FGC enfrenta uma prova dura, mas tudo indica que a rede de proteção continua firme

Monique Lima
Monique Lima
19 de fevereiro de 2026
16:21 - atualizado às 15:13
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) está no centro do debate do sistema bancário brasileiro em 2026 — e não sem motivo. As liquidações do Banco Master, will bank, Letsbank e Banco Pleno têm colocado o tema da segurança bancária e dos investimentos no topo das preocupações dos investidores.

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O encerramento das operações de um banco costuma gerar dúvidas sobre o que acontece com o dinheiro e se vêm mais liquidações por aí. No caso do Banco Master, a queda de instituições em volta do conglomerado parece um efeito dominó.

Os primeiros a cair foram o Master e o Letsbank, seguidos de perto pelo will bank e, nesta semana, pelo Banco Pleno. A dúvida que fica é: vem mais por aí? E, se vier, o FGC dá conta de ressarcir todos os clientes e investidores que ficarem na mão?

Primeiro, é preciso entender que não se trata de uma crise do sistema bancário brasileiro. As três primeiras instituições liquidadas pertenciam ao conglomerado financeiro do Banco Master, enquanto o Banco Pleno pertencia a um ex-sócio do Master.

Trata-se, portanto, de um caso que envolve instituições financeiras relacionadas umas com as outras e alvos de investigação de fraude e crimes contra o sistema financeiro por parte da Polícia Federal e do Banco Central.

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Em qualquer outro caso de quebra de tantas instituições financeiras, a participação do FGC já seria relevante. Afinal, é o fundo garantidor que ressarce clientes com depósitos em conta- corrente e poupança, além de investidores de outras aplicações de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs.

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Porém, no caso Master, o protagonismo do FGC é ainda maior.

A instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro tinha como prática captar dinheiro oferecendo taxas muito acima da média do mercado, via emissão de CDBs. Um total de 800 mil investidores se viram na fila dos ressarcimentos via FGC após a liquidação do banco, somando R$ 41 bilhões em pagamentos.

Para o sistema bancário do país, o peso do Master era muito pequeno: 0,6% de participação. Mas muita gente tinha CDB do banco.

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E essa quantidade de clientes aumentou com as liquidações do will bank e do Banco Pleno. Somando todas as instituições, desembolso do FGC será de R$ 52 bilhões.

O que é o FGC?

O FGC é uma instituição privada, sem fins lucrativos e com gestão independente — o que significa que ele não pertence ao governo. Criado em 1995, o fundo é mantido por contribuições mensais das instituições financeiras associadas.

Seu objetivo é ser um mecanismo de proteção para quem investe em títulos bancários (CDBs, LCIs, LCAs, conta-corrente, poupança e outros). O fundo é uma garantia externa de que o investidor receberá seu dinheiro de volta caso o banco onde aplicou sofra uma intervenção ou liquidação pelo Banco Central.

No entanto, essa rede de proteção vai além da garantia ao investidor. Na prática, o FGC também tem a missão de manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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A sua garantia evita que o problema de um banco específico se espalhe para o restante da economia, seguindo as melhores práticas internacionais para prevenir crises bancárias sistêmicas.

Todos querem renda fixa

O mercado de renda fixa no Brasil passou por uma transformação radical nos últimos anos. De acordo com os dados da XP, o estoque de títulos bancários saltou de R$ 1,34 trilhão em 2018 para R$ 4,37 trilhões em setembro de 2025.

O grande destaque desse crescimento é o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que sozinho passou de um estoque de R$ 810 bilhões para R$ 2,5 trilhões no mesmo período.

O CDB é um investimento considerado simples, muito parecido com a caderneta de poupança, porém com uma rentabilidade geralmente maior e diária — a poupança só tem rendimento mensal, limitado a 6,17% ao ano e necessariamente inferior à taxa básica de juros.

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A facilidade de acessar diferentes bancos por meio de plataformas digitais e a maior oferta de produtos com prazos e taxas variadas permitiram que bancos de médio e pequeno porte (como Master e afins) passassem a captar recursos diretamente junto às pessoas físicas, via emissão de CDBs.

E para esses bancos menores, a garantia do FGC é um selo de confiança. Com base na premissa de que o FGC garante os depósitos, as instituições de médio porte puderam oferecer taxas altas para competir com o CDB dos grandes bancos.

Assim, o Master chegou a um passivo acima de R$ 40 bilhões em CDBs, atingindo 800 mil investidores.

Até onde vai a garantia do FGC

A proteção do FGC é significativa, mas tem limites.

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A garantia cobre até R$ 250 mil — somando principal e juros — por CPF ou CNPJ, considerando todas as instituições de um mesmo conglomerado financeiro.

E, no caso Master, essa regra foi prejudicial para alguns investidores.

Como o Master e o will bank faziam parte do mesmo conglomerado, quem porventura tivesse CDBs das duas instituições se viu sujeito a um limite único de R$ 250 mil para as duas e pode ter perdido dinheiro.

Além disso, existe um teto global de garantia de R$ 1 milhão por CPF, considerando todas as instituições financeiras em que o investidor tenha depósitos garantidos, válido por um período de quatro anos. Esse limite começa a contar a partir da primeira liquidação em que o investidor tem valores a receber.

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Assim, um investidor que tenha recebido garantias no caso Master/will, tem um novo limite de R$ 250 mil caso também tivesse CDBs do Pleno, uma vez que este banco não fazia parte do conglomerado Master.

Porém, nos três casos, este investidor estaria sujeito a um mesmo limite global de R$ 1 milhão, isto é, os ressarcimentos no caso Master/will já haviam consumido parte do seu teto de R$ 1 milhão quando houve a liquidação do Pleno.

Outra regra importante é a do “principal mais juros”. A garantia é de R$ 250 mil ao todo. Um investidor que tenha aplicado muito perto deste limite possivelmente não receberá de volta quase nada da rentabilidade do título. O ideal, ao investir em títulos de bancos médios, é deixar uma margem de segurança.

O FGC cobre:

  • Conta-corrente e poupança;
  • CDB e RDB;
  • LCI, LCA e LCD;
  • Letras hipotecárias;
  • Letras de Câmbio;
  • Conta salário; e
  • Operações compromissadas.

O investidor tem um prazo de até cinco anos para solicitar o pagamento via aplicativo do FGC.

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De onde vem o dinheiro?

O dinheiro do FGC não vem de impostos e nem do banco liquidado — vem dos bancos que estão funcionando.

O fundo é mantido pelas instituições financeiras associadas (atualmente, 244 delas). Essas instituições pagam uma contribuição mensal obrigatória, de 0,01% sobre o total dos depósitos e títulos cobertos.

É uma espécie de "mensalidade" para garantir que o sistema seja confiável.

O FGC investe o dinheiro desse caixa em ativos de baixo risco, como os títulos do Tesouro Nacional, gerando uma receita financeira que ajuda o patrimônio a crescer. Em setembro de 2025, o patrimônio do FGC era de R$ 160 bilhões.

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Dado o desembolso de um terço desse valor, o Banco Central e os maiores bancos do país já discutem como abastecer o fundo de novo e quais regras podem melhorar para não se verem em uma situação de risco no futuro. O Banco do Brasil, por exemplo, já falou publicamente sobre um aporte de R$ 5 bilhões no fundo.

Desde a sua criação há 30 anos, o FGC já atuou no pagamento de garantias para clientes de 40 instituições que enfrentaram problemas.

O histórico mostra que o sistema se tornou mais robusto com o tempo: o maior acionamento da história foi em 1997, com o Banco Bamerindus, que demandou um desembolso de R$ 3,79 bilhões na época. Corrigido pela inflação, atualmente esse valor seria de R$ 19,95 bilhões — ainda bastante abaixo do desembolso do Master.

O dinheiro do FGC pode acabar?

Esta é a pergunta "do milhão" para muitos investidores.

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Em setembro, os R$ 160 bilhões de caixa do FGC não cobriam 100% de todos os depósitos existentes no Brasil, mas o valor era considerado robusto o suficiente para atender crises severas, conforme testes de estresse realizados pelo próprio fundo.

E o fundo tem se provado confiável na situação atual, com três liquidações de bancos. A preocupação agora é reabastecer o valor que está saindo, para o fundo se manter robusto o suficiente no médio e longo prazo.

Para garantir mais segurança, o estatuto do FGC prevê que, se o dinheiro em caixa não for suficiente, ele pode buscar recursos extras de várias formas:

  • cobrando contribuições extraordinárias dos bancos;
  • fazendo empréstimos com instituições públicas ou privadas; e
  • emitindo títulos de crédito.

Para o investidor pessoa física que respeita os limites das regras, o FGC continua sendo uma garantia relevante.

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