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O mercado brasileiro já conta com ETFs de todas as principais classes de ativos, da renda fixa mais conservadora aos investimentos internacionais

Em rápido crescimento de 2020 para cá, os ETFs (Exchange Traded Funds) vêm caindo no gosto dos investidores, inclusive da pessoa física.
Após mais que dobrar no ano passado, o patrimônio líquido desses fundos de índice atingiu mais de R$ 100 bilhões neste ano, passando a corresponder a cerca de 1% do volume investido em toda a indústria de fundos brasileira.
Como vimos nesta outra reportagem, os ETFs são fundos que procuram seguir o desempenho de um indicador de mercado, têm cotas negociadas em bolsa e uma série de vantagens tributárias, além de baixo custo, alta liquidez e transparência.
Mas sua principal vantagem provavelmente é a facilidade de diversificar o portfólio com poucos recursos, uma vez que, com investimentos iniciais baixos, o investidor adquire exposição à toda carteira de um índice.
Em razão disso, os ETFs costumam ser muito usados pelo investidor pessoa física para se expor a mercados menos acessíveis, seja por uma questão burocrática, de custo, de volume de aporte inicial ou mesmo por dificuldade de compreensão das regras do mercado.
É o caso dos mercados de commodities (ouro e outros metais preciosos, petróleo, soja e milho), criptomoedas (especialmente as menos conhecidas e líquidas, para além de bitcoin e ethereum), investimentos estrangeiros (tanto ações quanto títulos de renda fixa) ou mesmo alguns segmentos dos mercados de ações e renda fixa locais.
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Ainda nesse tipo de uso, os ETFs podem ser utilizados para os chamados investimentos “temáticos”, como os que investem em ativos de determinados países (por exemplo, China ou Argentina), em segmentos econômicos específicos (como saúde, inteligência artificial ou energia nuclear) ou ainda no crescimento da economia global como um todo.
“Os temáticos são a ‘pimentinha’ da carteira. Podem expressar uma tese ou interesse pessoal do investidor, por exemplo. Devem representar um percentual menor da carteira, mas ao investir por meio de ETF, o investidor não precisa lidar com o risco específico de um negócio”, diz Danilo Moreno, analista da Investo, gestora cujo carro-chefe são os ETFs temáticos.
No entanto, a utilização de ETFs na carteira não precisa se restringir a nichos ou à diversificação em teses mais “complicadas” de investir.
Se quiser, um investidor mais “preguiçoso” (que não deseja ficar escolhendo ativos ou tempo todo) e “mão de vaca” (que quiser realmente economizar em taxas e imposto de renda) já pode montar uma carteira composta majoritária ou exclusivamente de ETFs, dada a diversidade desses fundos disponível na bolsa brasileira hoje.
“Existe ETF para todo perfil de investidor. Hoje, você já consegue ter seu caixa e até crédito privado em ETFs. Além de um temático, para proteger a carteira, como os fundos de ouro”, diz Tiago Lima, sócio e head de distribuição da BTG Pactual Asset Management.
O Brasil tem hoje pouco mais de 180 ETFs locais, sem considerar os inúmeros BDRs de ETFs estrangeiros negociados na B3 atualmente.
No mercado doméstico, esses fundos podem ser de renda variável — o que inclui ações, fundos imobiliários, commodities, moedas e outros ativos de bolsa, além de criptoativos — ou renda fixa.
Entre os ativos de renda variável, existem hoje 112 ETFs de ativos de bolsa tradicionais, 25 de criptoativos e dois de fundos imobiliários, totalizando um patrimônio líquido (PL) de cerca de R$ 57,5 bilhões; já entre os de renda fixa, são 49 ETFs de títulos públicos e/ou privados, totalizando R$ 51,8 bilhões em PL.
A seguir, vamos dar uma olhada nos principais tipos de ETFs de renda variável e renda fixa disponíveis no mercado hoje e como eles podem compor a sua carteira de investimentos.
Os ETFs de ações são os mais tradicionais da bolsa brasileira, tendo sido os primeiros a surgir, nos anos 2000. Os principais são aqueles que seguem os índices mais tradicionais da B3. Entre eles, se destacam:
Sobre os ETFs de Dividendos, vale notar que alguns deles reinvestem os dividendos recebidos pelas empresas, enquanto outros os distribuem aos cotistas periodicamente, gerando uma renda.
No entanto, diferentemente do que ocorre no investimento direto em ações, em que os dividendos pagos são frequentemente isentos de IR para a pessoa física, os dividendos distribuídos por ETFs são sempre tributados em 15%.
Uma vantagem dessa distribuição por ETFs, porém, é a facilidade para o investidor se planejar, uma vez que o pagamento respeita uma periodicidade pré-estabelecida.
“Se você tem 30 ações na carteira, você recebe dividendo quase todo dia. Num ETF, você tem previsibilidade, porque planeja esse recebimento”, diz Renato Eid, sócio e superintendente de estratégias indexadas e investimento responsável da Itaú Asset.
ETFs de dividendos que reinvestem os proventos:
ETFs de dividendos que distribuem os proventos:
Também existem ETFs que seguem os índices setoriais da B3, como o de Governança Corporativa (GOVE11), Materiais Básicos (MATB11), Financeiro (FIND11), Sustentabilidade (ISUS11) e Utilidades Públicas (UTLL11, que ainda distribui dividendos).
Finalmente, existem ETFs que se expõem a teses mais específicas, como empresas estatais (SPUB11), empresas de commodities (CMDB11), empresas com maior participação de mulheres em cargos de liderança (ELAS11) ou ações de baixa volatilidade (LVOL11).
Os ETFs são também uma maneira fácil de investir no exterior, sem precisar sair da bolsa brasileira, abrir conta em uma corretora gringa ou mandar dinheiro para fora. Os destaques na B3 são aqueles que seguem índices gerais do mercado internacional:
Mas nem só de Estados Unidos vive o investimento internacional. A B3 também traz opções de investimento no mercado chinês (XINA11, TECX11, SILK11 e PKIN11), na Argentina (ARGE11) e em empresas variadas no mundo inteiro, como:
O WRLD11 é um dos principais ETFs da Investo. Segundo Danilo Moreno, analista da gestora, ele compra 98% do mercado acionário mundial. “É um ETF agnóstico, uma aposta no crescimento da economia global”, afirma.
Finalmente, existem, também na categoria de ações internacionais, os ETFs setoriais e temáticos, como o CHIP11 (semicondutores), UTEC11 e USTK11 (empresas dos EUA de tecnologia da informação), NUCL11 (empresas de energia nuclear que atuam nos EUA), TECK11 (empresas de tecnologia) e o JOGO11 (games e e-sports).
Além de se expor a empresas de commodities por meio do ETF de ações CMDB11, ou a investimentos em moeda forte por meio de ETFs de ativos internacionais, o investidor também pode se valer de ETFs específicos de moedas e commodities na bolsa brasileira.
O principal ativo certamente é o ouro, dado que o metal precioso é considerado o ativo de proteção da carteira por excelência contra crises sistêmicas, tensões geopolíticas e inflação, dada a sua função de reserva de valor.
A bolsa brasileira tem hoje sete ETFs com exposição ao ouro. Quatro deles — GOLB11 (BTG Pactual, 0,40% a.a.), GLDI11 (Itaú, 0,40% a.a.), GOLX11 (XP, 0,20% a.a.) e OURO11 (Bradesco, 0,20% a.a.) — acompanham um índice da própria B3, o Índice Futuro de Ouro B3 (IFGold B3).
Trata-se de um indicador que reflete a rentabilidade de uma exposição comprada em contratos futuros de ouro, negociados na B3 sob o código GLD.
Embora o metal seja cotado em dólar nos mercados internacionais, o IFGold B3 não tem exposição cambial, isto é, o investidor recebe apenas a variação do preço do contrato futuro do metal, mas fica protegido do sobe e desce da moeda norte-americana.
Além disso, o retorno é acrescido da rentabilidade diária da taxa básica de juros brasileira, pois parte do índice é composta por ativos de renda fixa indexados ao CDI ou à Selic.
A B3 conta ainda com três fundos de índice que investem em ETFs estrangeiros com exposição ao ouro: o GOLD11 (XP, 0,30% a.a.), ligado aos preços do ouro negociado em Londres; o GLDX11 (Investo, 0,30% a.a.), com exposição ao preço à vista do ouro em barra; e o AURO11 (Buena Vista, 0,98% a.a.), exposto a opções de compra de ouro. São como versões brasileiras de ETFs gringos.
Dá ainda para fazer a proteção da carteira com dólar, seja pela compra da moeda americana diretamente, pelo investimento em fundos cambiais ou então via ETFs, os quais, comparados aos fundos cambiais, têm taxas de administração menores e tributação mais vantajosa.
Há na B3 três ETFs que se expõem a índices de dólar futuro: o DOLB11 (BTG Pactual, 0,40% a.a.), o DOLA11 (Banco do Brasil, 0,40% a.a.) e o DOLX11 (XP, 0,20% a.a.).
Embora existam inúmeras commodities negociadas tanto na bolsa brasileira quanto nas bolsas gringas, só mais três delas contam com ETFs brasileiros na B3: o milho, o boi gordo e a prata.
Geridos pelo Banco do Brasil e com taxa de administração de 0,45%, o ETF CORN11 acompanha um índice de contratos futuros de milho, e o ETF BBOI11 segue um índice de contratos futuros de boi gordo.
Já o ETF SLVR11, da XP, acompanha o desempenho da prata no mercado internacional. Sua taxa de administração é de 0,30% ao ano.
Por enquanto, existem apenas dois ETFs de fundos imobiliários na bolsa brasileira, o HERT11, da gestora de FIIs Hedge Brasil, e o XFIX11, da XP.
No entanto, existem dois outros ETFs que tecnicamente são de ações, mas investem em REITs, os “fundos imobiliários” norte-americanos.
Embora expostos a fundos imobiliários ou REITs, veículos de investimento que normalmente distribuem dividendos, o único desses quatro ETFs que paga proventos aos seus cotistas periodicamente é o CASA11. Todos os demais fazem o reinvestimento desses rendimentos.
Os ETFs são formas muito práticas de investir em criptoativos e, dependendo da estratégia e do volume do investidor, podem ser mais vantajosos que o investimento direto.
Por um lado, eles não contam com a isenção de imposto de renda para vendas de até R$ 35 mil por mês existente para o investimento direto em criptomoedas.
No entanto, para quem costuma movimentar volumes maiores, essa desvantagem não deve fazer diferença.
Operações comuns com ETFs (compra e venda em dias diferentes) são tributadas em 15%, mesma alíquota dos lucros com a venda de criptomoedas em valor superior a R$ 35 mil num mês. Só o day trade de ETFs é que fica sujeito a uma tributação maior, de 20%.
Além disso, é possível que a taxa de alguns ETFs de criptoativos seja inferior ao custo total de negociar as moedas digitais diretamente, considerando também que existe um certo trabalho e um custo para mantê-las protegidas em uma wallet.
Até por essas razões pode fazer sentido investir em ETFs de uma única criptomoeda, embora existam também aqueles de carteiras diversificadas. Veja alguns dos principais ETFs cripto disponíveis na B3 hoje:
Entre os ETFs de carteiras diversificadas de criptoativos, destacam-se:
Existem ainda os ETFs setoriais, como aqueles expostos ao mercado de finanças descentralizadas (DeFi), representados pelo DEFI11 (Hashdex, 1,30% a.a.) e o QDEFI11 (QR, 0,90% a.a.).
ETFs de criptoativos também podem pagar proventos. É o que ocorre, por exemplo, com o COIN11, de bitcoin.
Embora muito mais recentes que os ETFs de ações, os ETFs de renda fixa tomaram de assalto o mercado de fundos de índices brasileiros, comprovando que se trata da classe de ativos preferida dos brasileiros.
A ausência de come-cotas e IOF coloca estes ativos à frente dos fundos tradicionais de renda fixa. No entanto, não existem opções de ETFs isentos de imposto de renda, como ocorre com certos títulos e fundos de renda fixa, como LCIs, LCAs, debêntures incentivadas, CRIs, CRAs e FI-Infras.
Já as alíquotas de imposto de renda podem ou não ser vantajosas. ETFs com prazo médio de repactuação da carteira inferior a 180 dias têm a rentabilidade tributada em 25%, alíquota superior à tributação mais alta dos demais ativos de renda fixa, que é de 22,5%.
Isso gera um ponto de atenção em relação aos ETFs que aplicam exclusivamente em Tesouro Selic (LFT), os títulos públicos mais conservadores do Tesouro Direto.
São eles o NCDI11 (Nu, 0,15% a.a.), o LFTX11 (XP, 0,14% a.a.), o LFTI11 (Itaú, 0,15% a.a.), o LFTS11 (Investo, 0,19% a.a.), o BLFT11 (Bradesco, 0,10% a.a.) e o GLFT11 (Galapagos, 0,19% a.a.) e o LLFT11 (BTG Pactual, 0,15% a.a.).
Tecnicamente, eles poderiam ser usados para a reserva de emergência, e são inclusive mais baratos que o Tesouro Direto, cuja taxa de custódia é de 0,20% a.a.
No entanto, pela regra, o prazo médio de repactuação das carteiras de Tesouro Selic é de apenas 1 dia, o que coloca esses ETFs na faixa de tributação de 25%.
Assim, eles se tornam mais vantajosos para investidores institucionais (outros fundos) do que para a pessoa física em si.
Para mitigar esse problema da tributação, as gestoras começaram a criar ETFs que combinam Tesouro Selic com títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+), para manter o prazo médio de repactuação da carteira superior a dois anos. Quando isto ocorre, a tributação cai para 15%.
Esses fundos são interessantes para ter uma certa adesão à taxa básica de juros (Selic/CDI), com uma tributação muito mais interessante que o investimento de curto prazo nos ativos de renda fixa tradicional. No entanto, esses ETFs não são indicados para a reserva de emergência.
Alguns exemplos desse grupo são o AUPO11 (BTG Pactual, 0,19% a.a.), o LFTB11 (Investo, 0,19% a.a.), o LTBX11 (XP, 0,14% a.a.) e o POSB11 (Galapagos, 0% a.a. até novembro de 2026 e 0,15% a.a. depois dessa data).
Entre os ETFs de títulos públicos prefixados, os principais são aqueles que buscam seguir o desempenho do índice IRF-M, da Anbima, ou um dos seus subíndices.
Por exemplo, alguns fundos seguem o desempenho do subíndice do IRF-M que mantém o prazo médio de repactuação da carteira superior a dois anos, a fim de se enquadrarem na faixa de tributação de 15%.
É o caso do IRFM11 (Itaú, 0,20% a.a.), do PREX11 (XP, 0,15% a.a.) e do BPRE11 (Bradesco, 0,20% a.a.).
Os fundos IDKA11 e 5PRE11 (ambos do Itaú e com taxa de 0,25% a.a.) seguem subíndices com prazos médios ainda mais longos, de três e cinco anos, respectivamente. Já o FIXA11, do Banco do Brasil, segue um índice que combina prefixados com prazos entre dois anos e meio e três anos. Sua taxa é de 0,30% ao ano.
Finalmente, o LTNB11, do BTG Pactual, procura investir em prefixados com prazos superiores a um ano. Sua taxa é de 0,50% a.a.
Lembrando que, em todos os casos citados, ocorre o reinvestimento, sem necessidade de pagamento de IR, dos cupons de juros pagos pelos títulos com remuneração semestral.
Trata-se de outra vantagem em relação ao investimento via Tesouro Direto, caso o investidor não esteja precisando dos cupons para complementar a renda.
Os ETFs de títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (chamados de Tesouro IPCA+ ou NTN-B) são os mais numerosos da classe de renda fixa e podem adotar uma série de formatos diferentes.
Os mais comuns são aqueles que procuram seguir o desempenho do IMA-B, índice da Anbima que acompanha uma cesta de títulos Tesouro IPCA+, ou um dos seus subíndices. Por exemplo:
Existem ainda fundos que seguem outros índices de Tesouro IPCA+, como o AREA11 (BTG Pactual, 0,30% a.a.), que paga dividendos mensais aos seus cotistas; o SFIX11 (BTG Pactual, 0,23% a.a.), que combina títulos de curto e longo prazo; o PACB11 (BTG Pactual, 0,19% a.a.), que investe nos três títulos Tesouro IPCA+ mais longos do mercado; e o NTNS11 (Investo, 0,19% a.a.), que investe em títulos com prazo de até quatro anos.
Mais recentemente, a B3 recebeu também ETFs que investem em um único vencimento de Tesouro IPCA+.
O Itaú lançou o TD3511, o TD5011 e TD6011, que investem, respectivamente, em Tesouro IPCA+ 2035, 2050 e 2060.
Já a XP lançou o XB3011, o XB3511, o XB4511, o XB5011 e o XB6011, que investem, respectivamente, em Tesouro IPCA+ 2030, 2035, 2045, 2050 e 2060.
A ideia dessas famílias de fundos é oferecer uma forma mais vantajosa de investir nesses títulos públicos específicos do que a compra via Tesouro Direto.
“O investidor queria um título específico, com vencimento. A segurança de saber que o título vai vencer é importante”, justifica Renato Eid, da Itaú Asset.
Todos esses fundos cobram taxa de administração de 0,20% a.a., a mesma do Tesouro Direto. Mas contam com as vantagens tributárias dos ETFs.
Assim como os fundos de Tesouro IPCA+ citados anteriormente, os fundos das famílias TD e XB mantêm o prazo médio de repactuação da carteira superior a dois anos, de modo que o IR seja sempre de 15%. Já no Tesouro Direto, as alíquotas são mais altas caso o investidor venda o título antes de dois anos.
Outra vantagem dos ETFs de Tesouro IPCA+ em geral é o reinvestimento automático dos cupons de juros sem desconto de IR, o que não acontece quando reinvestimos os rendimentos recebidos no Tesouro Direto.
O mercado brasileiro também já conta com alguns ETFs de títulos de crédito privado, como debêntures (títulos de dívida de empresas) e Letras Financeiras (títulos de dívida de bancos).
O investimento em renda fixa privada via ETFs se mostra particularmente interessante, pois eles trazem uma diversificação interessante e difícil de conseguir com a compra direta dos papéis.
Além disso, ao vender cotas de um ETF de renda fixa, mesmo que de debêntures, o investidor já recebe o dinheiro no próximo dia útil, enquanto fundos tradicionais de crédito privado podem levar dias ou meses para pagar o resgate.
O principal representante do segmento de debêntures é o DEBB11, do BTG Pactual, primeiro fundo do tipo do país. Sua taxa de administração é de 0,60% a.a.
A Genial também conta com um ETF de debêntures, mais recente, focado em títulos indexados ao CDI, chamado GICP11. Sua taxa de administração é de 0,50% a.a.
O BTG oferece ainda um ETF de debêntures elegíveis a garantia na B3, onde podem ser aplicados os depósitos de margem dos investidores, chamado MARG11. Trata-se de um fundo mais voltado para gestores de fundos.
Já no segmento de Letras Financeiras, o pioneiro foi o LFIN11, também do BTG Pactual e com taxa de 0,30% a.a. Ele replica o desempenho de um índice composto por LFs indexadas ao CDI, emitidas por instituições financeiras de grande porte.
Outros representantes do segmento são o LFIX11 (Investo, 0,35% a.a.) e NLFA11 (Nu, 0,25% a.a.).
Finalmente, a renda fixa internacional também está representada na B3 por meio de sete ETFs.
Começando pelos títulos do Tesouro dos EUA, temos o T10R11 (Itaú, 0,22% a.a.), que busca refletir os contratos futuros do Tesouro Americano de 10 anos em reais; e o FIXX11 (Buena Vista, 0,38% a.a.), que combina Treasurys de curto prazo (T-Bills) com opções de venda do índice S&P 500.
Na renda fixa privada, temos o CLOB11 (BTG Pactual, 0,50% a.a.), que investe em dois ETFs internacionais de CLOs da Janus Henderson, o JAAA (apenas ativos triple A) e o JBBB (apenas ativos triple B). CLOs são carteiras de empréstimos corporativos securitizados.
Segundo Tiago Lima, da BTG Asset, é quase como se fosse um FIDC (fundo de direitos creditórios), e os ativos das carteiras da Janus nunca ficaram inadimplentes.
Já a Investo oferece dois ETFs de renda fixa internacional. O USDB11 replica o desempenho de um ETF norte-americano que investe em títulos de dívida das empresas do país com no mínimo um ano de maturidade. A taxa de administração é de 0,28% ao ano.
O BNDX11, por sua vez, procura replicar o desempenho do ETF BNDX, negociado na Nasdaq, que investe em títulos de renda fixa globais, a maior parte emitida por países desenvolvidos. A taxa é de 0,32% a.a.
Por fim, a Nu Asset conta com dois ETFs de renda fixa internacional: o HGBR11, com taxa de 0,20% a.a., que investe em títulos corporativos e soberanos globais de baixo risco de crédito; e o HYBR11, com taxa de 0,30% a.a., que investe em títulos de crédito privado high yield (com maior risco e potencial de retorno). Ambos os fundos contam com proteção cambial.
Para o planejador financeiro (CFP) pela Planejar e especialista em ETFs, José Raymundo Faria Jr., é “perfeitamente possível” montar uma carteira só de ETFs hoje.
De fato, vimos que até a reserva de emergência poderia, em tese, ser alocada em ETFs, por meio dos fundos que investem exclusivamente em Tesouro Selic.
Porém, também vimos que a tributação desses ETFs é mais alta que a de outros ativos de renda fixa conservadora. Portanto, o ideal ainda é alocar a reserva de emergência em ativos como CDBs de grandes bancos, Tesouro Selic ou fundos de Tesouro Selic com taxa zero.
Para além da reserva de emergência, Faria Jr. recomenda que uma carteira conservadora tenha de 3% a 5% de ativos de risco, e uma moderada, de 15% a 20%.
Ou seja, para a maior parte dos investidores, no mínimo 80% da carteira deve ser alocada em ETFs de renda fixa, sem contar a reserva de emergência.
E já vimos que hoje temos opções mais expostas a títulos públicos pós-fixados (aqueles que combinam Tesouro Selic com Tesouro IPCA+), a títulos públicos indexados à inflação ou prefixados de diversos prazos, bem como ETFs de debêntures e de Letras Financeiras.
Dentro da parcela de risco da carteira, diz o CFP, metade deveria ser alocada em ativos brasileiros e a outra metade, em estrangeiros. Aí entram os ETFs de ações, fundos imobiliários e, em menor proporção, os de criptoativos, ouro e dólar.
"Segundo um estudo da FGV, o investidor local precisaria ter 20% da sua carteira em dólares para ela ser compatível com o seu custo de vida. A vida está mais dolarizada, e muita gente não percebe isso”, diz Faria Jr.
Mesmo para um investidor conservador, é possível buscar essa exposição ao mercado externo por meio dos ETFs de renda fixa internacional, notadamente os que investem em títulos públicos norte-americanos.
Entre os ETFs de ações brasileiras, o planejador financeiro destaca que os ETFs de baixa volatilidade tendem a ter uma performance melhor no Brasil. É o caso daqueles fundos atrelados a índices de dividendos, como o IDIV.
Para quem ainda está na fase de acumular patrimônio, escolher ETFs que reinvistam os proventos é mais interessante. O reinvestimento isento de IR torna os ETFs bem mais eficientes do que se o investidor comprasse os ativos individualmente e reinvestisse os proventos por conta própria.
Já para aqueles investidores que visam geração de renda, já há ETFs de ações, cripto, renda fixa e imobiliários que fazem distribuições periódicas.
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