Santander Brasil (SANB11) pode sair da bolsa brasileira? Citi vê OPA no horizonte, enquanto mercado aguarda balanço do 4T25
Com capital sobrando e foco em eficiência, grupo espanhol avalia simplificação da estrutura — e Brasil pode estar no radar, de acordo com o banco norte-americano

Quando um banco global começa a trocar o discurso de crescimento por palavras como eficiência e simplificação, o mercado passa a prestar atenção. No caso do Santander, o recado pode ir além de cortes de custos e ajustes operacionais — e abrir espaço para um movimento bem maior: uma possível oferta pública de aquisição (OPA) do Santander Brasil (SANB11).
A leitura é do Citi, que vê o grupo espanhol entrando em 2026 com capital confortável, retorno elevado e um apetite crescente para reorganizar sua própria estrutura.
Nesse cenário, uma pergunta volta a circular com mais força entre investidores: ainda faz sentido manter subsidiárias listadas, com participação minoritária relevante, em mercados onde o free float (número de ações em circulação) é tão limitado?
Eficiência no centro da estratégia
O próximo capítulo dessa história pode começar a ganhar forma já neste mês. No dia 25, o Santander realiza o Investor Day global, quando deve apresentar as metas financeiras para o ciclo 2026-2028.
A expectativa do Citi é que o anúncio seja menos focado em expansão a qualquer custo e mais de olho em arrumar a casa. Os analistas esperam que a estratégia do grupo deva girar em torno de eficiência operacional, otimização do uso de capital e maior retorno ao acionista.
“Acreditamos que há oportunidades adicionais para simplificar ainda mais o Grupo Santander (e extrair economias de custos adicionais)”, dizem os analistas.
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Hoje, a política de distribuição do banco espanhol prevê um payout de 50%, dividido igualmente entre dividendos em dinheiro e recompras de ações. Mas, com a posição de capital mais robusta, o Citi enxerga espaço para elevar esse patamar nos próximos anos.
Na conta do Citi, o payout total — somando dividendos e recompras — pode se aproximar de 72% ao longo do ciclo, o que equivale a um retorno anual de capital entre 7% e 8%. Um nível que, por si só, já recoloca o Santander no radar dos investidores globais.
Com capital forte, OPA do Santander Brasil (SANB11) entra no radar
Considerando todas as iniciativas em curso, o Citi estima cerca de 900 milhões de euros em economias de custos até 2028. Parte desse montante será consumida por reestruturações. O restante, porém, amplia o espaço para outras decisões estratégicas.
E é aí que entra a tese do Citi: com caixa reforçado, o Santander poderia avançar para uma simplificação mais profunda do grupo, incluindo movimentos societários e fechamentos de capital em algumas subsidiárias.
“Acreditamos que o Santander pode melhorar a eficiência também no nível das subsidiárias. Vemos espaço para avanços especialmente no México e no Brasil”, afirmam os analistas.
Entre essas possibilidades, uma chama mais atenção do mercado: a aquisição dos cerca de 10% do Santander Brasil que ainda estão nas mãos de acionistas minoritários.
A ideia não é exatamente nova, mas ganha tração em um momento em que o custo de manter uma subsidiária listada pode superar os benefícios. Para o Citi, uma eventual OPA no Brasil faria sentido por três motivos principais.
O primeiro é valuation. Na avaliação dos analistas, o preço atual das ações não reflete plenamente a execução já entregue nem o potencial de rentabilidade à frente.
O segundo é a escala relativa. Apesar de relevante no mercado brasileiro, o Santander Brasil responde por cerca de 16% do lucro total do grupo — um peso significativo, mas não determinante.
O terceiro é a folga de capital na holding, que permitiria absorver a operação sem gerar estresse financeiro.
Questionada sobre uma eventual OPA durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2025, a administração do Santander Brasil evitou traçar projeções. Ainda assim, reforçou que os múltiplos de negociação das ações não refletem a execução já realizada nem o guidance do banco.
Nas contas do Citi, uma OPA feita a preços de mercado teria impacto positivo de cerca de 2% no lucro por ação do grupo, com efeito limitado sobre o capital. Não é o cenário base, mas definitivamente entrou no radar.
Além do Brasil, os analistas também veem espaço para o Santander recomprar os 50% restantes da joint venture de seguros na Espanha, hoje em parceria com a Aegon. O impacto financeiro seria limitado, mas reforçaria a lógica de simplificação da estrutura global.
O que esperar do balanço do Santander Brasil no 4T25?
Enquanto uma eventual OPA do Santander Brasil ainda permanece no campo das expectativas, no curto prazo, os holofotes do mercado se voltam para o desempenho da operação brasileira no quarto trimestre de 2025.
O Santander Brasil divulgará o balanço do 4T25 nesta quarta-feira (4), antes da abertura das negociações. A previsão do mercado é de um lucro líquido ajustado de R$ 4,06 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg, o que representaria um crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período de 2024.
Para a rentabilidade, a média das estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro indica um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 17,5%.
O resultado deve refletir a mudança de postura adotada pelo banco após o susto com a piora da inadimplência observada há alguns trimestres. Desde então, o Santander Brasil passou a privilegiar uma estratégia mais conservadora, com ajustes no mix da carteira de crédito.
A prioridade agora é qualidade, mesmo ao custo de um crescimento mais contido — o que tende a pressionar margens no curto prazo, mas aumenta a previsibilidade no longo prazo.
Dentro dessa lógica, a expectativa é de uma expansão moderada da carteira no quarto trimestre, puxada principalmente por pessoa física — com destaque para cartões de crédito voltados à alta renda —, além de crédito imobiliário e pequenas e médias empresas (PMEs).
No segmento de PMEs, a XP avalia que o portfólio segue como um vetor relevante de crescimento, impulsionado por programas governamentais, tendência que deve se estender ao longo de 2026.
Do lado das margens, o cenário é mais neutro. A perspectiva é de estabilidade no resultado com clientes, enquanto o desempenho da tesouraria deve pressionar o resultado de mercado.
Analistas também projetam dinâmicas mais fracas nas carteiras de rural, consignado e crédito pessoal, em meio a uma migração gradual para produtos com maior nível de garantia.
Ainda assim, a qualidade dos ativos não deve apresentar deterioração relevante, embora a pressão em cartões de baixa renda e PMEs deva persistir.
O Safra espera que as provisões do Santander aumentem neste trimestre, com a formação de inadimplência (NPL formation) pressionada por PMEs, cartões para baixa renda e exposições ao agro.
Um ponto positivo no balanço do quarto trimestre deve vir da linha tributária. A alíquota efetiva de imposto deve permanecer baixa — em torno de 5%, segundo a XP — graças ao uso recorrente de juros sobre capital próprio (JCP), o que deve voltar a beneficiar o lucro líquido.
Apesar disso, a leitura predominante entre analistas é que a recuperação mais robusta da rentabilidade, rumo à meta de ROE acima de 20%, deve se concentrar a partir de 2027.
“Olhando à frente, 2026 deve trazer uma melhora gradual da rentabilidade, apoiada por recuperação da margem financeira e qualidade de crédito estável, enquanto ganhos mais expressivos são esperados a partir de 2027”, avalia a XP.
Na visão do JP Morgan, o principal upside no curto prazo está nos custos, que devem crescer abaixo da inflação em 2026.
Já o Citi projeta que o crescimento da carteira de crédito do Santander Brasil deve se recuperar gradualmente, se aproximando dos níveis dos concorrentes entre 2026 e 2028.
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