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Parte dos recursos vai para o caixa da companhia, enquanto acionistas aproveitam a janela para vender participação; veja os destaques da oferta

Seis meses depois de acessar o mercado de capitais pela última vez, a Pague Menos (PGMN3) decidiu preparar uma nova rodada de captação na bolsa brasileira — e, desta vez, o cheque pode ser bem mais robusto.
Na madrugada da última segunda-feira (2), a rede de farmácias anunciou uma oferta subsequente de ações (follow-on) na B3 com potencial para se aproximar de R$ 900 milhões, a depender da demanda.
Segundo a empresa, o objetivo é reforçar capital de giro e financiar a expansão, ao mesmo passo em que abre espaço para acionistas relevantes venderem suas ações, levantarem recursos e quitarem determinadas dívidas.
A operação começa com um lote base de 70 milhões de ações ordinárias PGMN3. Metade — 35 milhões de papéis — será emitida em oferta primária, ou seja, dinheiro novo que entra diretamente no caixa da companhia.
A outra metade compõe uma distribuição secundária, quando acionistas relevantes vendem parte de suas participações.
A família Queirós, fundadora da rede, pretende colocar ações à venda. Entre os vendedores estão Francisco Deusmar de Queirós, Maria Auricélia Alves de Queirós, Josué Ubiranilson Alves, Mário Henrique Alves de Queirós, e Patriciana Maria de Queirós Rodrigues.
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Considerando o fechamento de 26 de fevereiro, quando a ação PGMN3 era cotada a R$ 7,20, o lote inicial representaria uma captação de cerca de R$ 504 milhões.
Mas esse número pode crescer. A empresa prevê a possibilidade de ampliar a oferta em até 78,6% do lote base, o que adicionaria aproximadamente 35 milhões de ações na parcela primária e 20 milhões na secundária, em caso de excesso de demanda.
Se o lote adicional for totalmente exercido, a cifra total pode se aproximar de R$ 900 milhões.
A definição do preço por ação está marcada para 10 de março, e o início da negociação dos papéis, para o dia 12.
A fotografia chama atenção porque a Pague Menos já havia captado R$ 243,48 milhões em um follow-on realizado apenas seis meses atrás.
Na ocasião, a demanda ficou ligeiramente aquém do esperado. Agora, a Pague Menos retorna ao mercado com uma ambição maior.
Segundo o comunicado, 100% dos recursos da oferta primária serão destinados ao capital de giro, incluindo a abertura de novas unidades em regiões consideradas estratégicas para ampliar a capilaridade da rede.
Em um setor pulverizado e altamente competitivo, escala é peça-chave — e a expansão geográfica faz parte da estratégia para ganhar participação de mercado.
Vale destacar que a Pague Menos já revelou que, para 2026, uma das prioridades será a otimização de sua malha logística. No balanço do quarto trimestre, a rede de varejo farmacêutico informou que iria dedicar quase um terço do investimento para a abertura de novo centro de distribuição na Paraíba.
Já os recursos da oferta secundária não passam pelo caixa da empresa. Eles vão para o bolso dos acionistas vendedores, que poderão utilizar o dinheiro para quitar dívidas com a XP Inc e com empresas de seus respectivos conglomerados financeiros, segundo a companhia.
O follow-on será direcionado a investidores profissionais — pessoas físicas ou jurídicas com mais de R$ 10 milhões aplicados — além de investidores estrangeiros.
Ainda assim, os acionistas atuais terão direito de preferência para participar da operação.
O limite proporcional será calculado com base na posição detida pelo investidor na data de corte, garantindo o direito de subscrever, no mínimo, 0,053030 nova ação para cada papel PGMN3, podendo chegar a 0,106060 ação por papel caso 100% das ações adicionais sejam emitidas no follow-on.
Para quem optar por não exercer o direito de preferência, a consequência é a diluição da participação após a conclusão da oferta.
A coordenação da operação ficará a cargo do BTG Pactual, ao lado de Itaú BBA, XP, Bradesco BBI e Santander.
Para evitar turbulências adicionais no curto prazo, a Pague Menos, seus conselheiros, diretores e acionistas vendedores estarão sujeitos a um lock-up de 90 dias — uma trava que os impede de negociar as posições antes do prazo acordado.
Durante esse período, não poderão vender ações, prometer vendas, estruturar operações de hedge ou realizar transações — como swaps e derivativos — que transfiram, direta ou indiretamente, os efeitos econômicos dos papéis.
A lógica é dar previsibilidade ao mercado e reduzir o risco de pressão vendedora logo após a oferta.
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