Apetite chinês em baixa e brasileiras sob pressão: o combo que derruba CSN (CSNA3) e Vale (VALE3) na bolsa
Entre a cautela e a perspectiva de estímulo chinês, siderúrgicas e mineradoras sentem o peso da desaceleração da indústria da segunda maior economia do mundo

As siderúrgicas e mineradoras brasileiras enfrentam um dia de cão na bolsa nesta segunda-feira (1), liderando a ponta negativa do Ibovespa em meio a um sentimento de frustração que atravessa o oceano.
O peso da China na balança é o grande culpado: investidores reagem com cautela aos sinais persistentes de que a economia chinesa segue em ritmo de marcha lenta.
Por volta de 13h45, a CSN (CSNA3) capitaneava o movimento de venda, recuando 7,30%, enquanto o Ibovespa, por sua vez, cedia 1,04%, aos 171.980,64 pontos.
O setor, historicamente sensível ao apetite da China por commodities, também vê a Usiminas (USIM5) cair cair 1,00% e a Gerdau (GGBR4) operar perto da estabilidade. A Vale (VALE3), por sua vez, recua 2,38%.
Os dados da China que preocupam
Entre os dados da China que preocupam o investidor e pesam sobre os setores de siderurgia e mineração, está o índice de gerentes de compras (PMI) industrial, que caiu de 52,2 em abril para 51,8 em maio, segundo pesquisa da S&P Global em parceria com a RatingDog divulgada mais cedo.
Apesar do recuo, o dado aponta para crescimento ainda sólido da manufatura chinesa, o que alivia a pressão inflacionária, segundo a RatingDog.
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O número ficou levemente acima da projeção de analistas consultados pela FactSet, de 51,7.
O gargalo chinês
Para o Bank of America (BofA), a China apresenta um crescimento que "segue sustentado pela resiliência da oferta, enquanto a demanda permanece frágil e desigual".
O banco aponta que o cenário é de incerteza, o que coloca Pequim contra a parede.
"A desaceleração do setor manufatureiro e a recuperação ainda incerta dos serviços podem levar Pequim a recalibrar os estímulos caso os próximos indicadores econômicos continuem decepcionando. Novos estímulos podem levar a dificultar a concorrência para as empresas brasileiras, além de levar o minério para o campo negativo", diz o time do BofA em relatório.
Como atravessar a correnteza?
Para o investidor que busca navegar essa volatilidade e se proteger dos ruídos vindos da Ásia, o Bank of America sugere uma postura seletiva.
O banco prefere ações de empresas com maior disciplina de capital e melhor posicionamento operacional para suportar um cenário de demanda chinesa mais morna, priorizando ativos que consigam manter margens mesmo sem o vento a favor de um boom no minério de ferro.
De olho nisso, o BofA aposta em Vale, com preço-alvo de US$ 19 por ADR ou R$ 94 por ação, e na Gerdau, com preço-alvo de R$ 27 por ação ou US$ 5,50 por ADR.
Na outra ponta, CSN e CSN Mineração têm recomendação de venda, pressionadas por endividamento elevado e projetos que devem consumir caixa ao longo de 2026.
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