Minerva (BEEF3) esclarece boatos sobre possível OPA à CVM: veja o que o frigorífico disse sobre saída da bolsa de valores
A Minerva vive tempos de custos mais altos, com a redução do rebanho disponível para abate no Brasil

A Minerva (BEEF3) enviou um fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre informações de que seus controladores estariam avaliando uma saída da bolsa de valores. Essas conversas foram divulgadas inicialmente em uma reportagem do jornal O Globo.
Em fato relevante divulgado ontem (1), o frigorífico afirmou que "não houve e não há, neste momento, qualquer definição ou deliberação societária, seja pela companhia, seja pelos seus acionistas controladores, acerca de possível operação que poderia contemplar o fechamento de capital da companhia, e, por conseguinte, sobre sua estrutura, prazos ou quaisquer termos e condições relacionados à sua eventual realização".
Para tirar a companhia da B3, os controladores deveriam comprar as ações no mercado, em uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).
A empresa reiterou que o assunto não está circulando pelos órgãos de governança da empresa e que qualquer operação dessa natureza "será oportunamente divulgada ao mercado, na forma da legislação e da regulamentação aplicáveis".
A ação da companhia, que já caiu praticamente 38% desde o início de 2026 e 28,40% desde o começo do ano, está em queda na bolsa hoje de manhã. Por volta das 10h40, a queda era de 1,71%.
Hoje, a empresa tem 45,46% de seu capital em circulação na bolsa de valores. Cerca de 28,89% estão com a VDQ Holdings S.A., da família Vilela de Queiroz, e 24,34% com a SALIC International Investment Company.
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Tempos de vagas magras para a Minerva
A companhia já vem sofrendo na bolsa há um tempo, como consequência de um ciclo de baixa para o mercado de carne. Em maio, o Itaú BBA cortou a recomendação da companhia de outperform (equivalente à compra) para market perform (neutro).
O movimento veio acompanhado de um corte expressivo no preço-alvo para o fim de 2026: de R$ 9 para R$ 5,50 por ação.
O rebaixamento da Minerva acontece em meio a uma combinação que mistura piora no ciclo pecuário, incertezas na China, pressão cambial e uma estrutura que amplifica qualquer ruído operacional no preço das ações.
Depois de três anos de atividade acelerada de abate no Brasil, há cada vez menos disponibilidade de gado, dizem os analistas, o que encarece o custo dos frigoríficos.
E não são só as ações que sentem o impacto de um ambiente mais complicado para os frigoríficos. As taxas de juros dos títulos de renda fixa dos principais frigoríficos do Brasil também subiram, o que significa que os investidores estão exigindo um prêmio maior para investir.
Em pouco mais de dois meses, os spreads — diferença entre os juros pagos no crédito privado e nos títulos públicos, que equivale ao prêmio de risco — dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) do setor aumentaram cerca de 1,2 ponto percentual.
Na prática, isso significa que os CRAs de empresas como Minerva, MBRF e JBS passaram a negociar com taxas de juros mais altas em comparação aos seus pares.
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