Após tombo de mais de 70% desde o IPO, Mater Dei (MATD3) compra as próprias ações e aposta que o mercado está subestimando seu valor
Rede hospitalar poderá adquirir até 9,3 milhões de ações em circulação na B3 para reforçar a geração de valor aos acionistas

Depois de ver suas ações perderem mais de 70% do valor desde a estreia na bolsa, em 2021, a Rede Mater Dei (MATD3) decidiu agir. A companhia de saúde aprovou um programa de recompra que pode retirar até 9,3 milhões de ações do mercado — o equivalente a aproximadamente 16% do free float atual.
Em geral, programas de recompra são interpretados pelo mercado como um voto de confiança da própria administração nos fundamentos da empresa e no potencial de valorização das ações.
Na prática, quando uma companhia decide usar recursos para comprar seus próprios papéis, a mensagem costuma ser que, nos preços atuais, ela considera que investir em si mesma é uma alocação de capital mais atrativa do que outras alternativas disponíveis.
Esse é exatamente o raciocínio apresentado pela Mater Dei. Segundo a companhia, o programa tem como objetivo “maximizar a geração de valor para o acionista por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital”.
“Na visão da administração da companhia, o valor atual de suas ações não reflete o real valor dos seus ativos combinado com a perspectiva de rentabilidade e geração de resultados futuros”, diz a empresa.
Essa visão já havia sido defendida pelo CEO da companhia, José Henrique Salvador. Em entrevista ao Seu Dinheiro após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, o executivo afirmou não ter dúvidas de que existe espaço para uma reprecificação das ações ao longo dos próximos anos.
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"Os valores em tela da Rede Mater Dei não refletem os nossos fundamentos, e acredito que isso vai ficar cada vez mais claro à medida que apresentamos os resultados”, disse o CEO.
O novo programa de recompra da Mater Dei começou ontem (1) e poderá ser estendido por até 18 meses, com validade até 1º de dezembro de 2027
O que a recompra significa para os acionistas da Mater Dei
Além da mensagem transmitida ao mercado, programas de recompra costumam produzir efeitos diretos para quem permanece sócio da empresa: ela funciona como uma espécie de “dividendos indiretos”.
Isso porque, quando uma companhia retira ações de circulação e eventualmente cancela esses papéis, cada acionista passa a deter uma fatia proporcionalmente maior do negócio, mesmo sem comprar novas ações.
Na prática, o investidor consequentemente acaba tendo direito a uma fatia maior do lucro e dos proventos no futuro.
O que a Mater Dei pretende fazer com as ações
Nem todas as ações MATD3 recompradas, porém, necessariamente serão canceladas.
A Mater Dei informou que os papéis adquiridos poderão permanecer em tesouraria e, posteriormente, seguir diferentes destinos, dependendo da estratégia da companhia.
Entre as possibilidades estão o cancelamento definitivo das ações, a revenda ao mercado em momento futuro ou sua utilização em programas de remuneração baseados em ações para executivos e colaboradores.
Os papéis também poderão servir como moeda em eventuais aquisições de participações societárias ou operações de expansão.
Atualmente, a companhia já mantém pouco mais de 2,08 milhões de ações em tesouraria.
O efeito colateral sobre a liquidez
Apesar dos potenciais benefícios para os acionistas, a recompra também traz um efeito colateral: redução de liquidez.
À medida que a empresa retira ações de circulação, diminui a quantidade disponível para negociação no mercado.
Como consequência, o volume negociado tende a ficar menor, o que pode aumentar oscilações de preço e dificultar operações de compra e venda de investidores maiores.
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