Raízen (RAIZ4) vende operações na Argentina por R$ 7,2 bilhões e reforça caixa em meio à reestruturação
Negócio de US$ 1,42 bilhão faz parte da estratégia para reduzir dívida e simplificar o portfólio em um momento crucial para a companhia

A Raízen (RAIZ4) deu mais um passo na tentativa de reorganizar suas finanças e diminuir o endividamento. A companhia anunciou, na manhã desta quinta-feira (4), a venda de suas operações de downstream na Argentina por US$ 1,42 bilhão — cerca de R$ 7,21 bilhões na cotação atual.
A transação aconteceu por meio de sua subsidiária Raízen Energia com a Latam Downstream Holdings e a Silver Projects I, empresas controladas pela Mercuria, um grupo suíço de energia e commodities.
O pacote negociado envolve ativos e participações societárias relacionados às atividades de downstream no país vizinho, o que inclui distribuição, comercialização e logística de combustíveis.
Segundo o fato relevante, o preço de venda inclui o pagamento em dinheiro a ser feito na conclusão da operação — sujeito aos ajustes usuais — além de o comprador assumir as dívidas ligadas à operação argentina.
De acordo com a Raízen, os recursos serão direcionados à gestão da estrutura de capital, com foco na redução do endividamento.
Até fevereiro de 2026, a Raízen já havia levantado cerca de US$ 5 bilhões com desinvestimentos, incluindo a venda de usinas e outros ativos. A transação na Argentina, portanto, é mais um capítulo desse esforço.
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A conclusão da operação ainda depende de aprovações regulatórias e judiciais, com expectativa de fechamento ainda no atual ano-safra.
- LEIA TAMBÉM: O que vai acontecer com CRAs e debêntures da Raízen (RAIZ4)? Veja simulação da proposta de pagamento da companhia
Recuperação extrajudicial em curso
Atualmente, a Raízen está em negociações com os credores para fechar um plano de recuperação extrajudicial. A proposta de renegociação envolve um montante de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas — com impacto direto sobre investidores de bonds, debêntures e CRAs.
A companhia apresentou três caminhos para esses credores. No plano considerado base, a dívida é reestruturada com uma combinação de conversão em ações e novos títulos. Nesse modelo, 45% do valor devido seria convertido em ações da Raízen, a um preço de referência de R$ 0,25 por papel. O restante seria dividido entre novos instrumentos de dívida:
- 37,4% ligados ao negócio de combustíveis, com vencimentos entre 2032 e 2034 e remuneração de CDI + 2,75% (ou 8,5% ao ano em dólar), e
- 17,6% vinculados à área de energia, com vencimentos entre 2033 e 2035 e retorno de CDI + 1,25% (ou 7% ao ano em dólar).
Outra opção mira principalmente o investidor de varejo. Nesse caso, a proposta prevê pagamento à vista de 75% do valor do crédito, limitado a R$ 9.750 por investidor. Existe, porém, um teto global de R$ 150 milhões para essa modalidade, o que pode levar a rateio caso a demanda exceda o montante reservado.
Em todos os cenários, a proposta implica mudanças relevantes no perfil do investimento, seja pela conversão em ações, seja pelo alongamento expressivo dos prazos.
O plano ainda depende de aprovação dos credores em assembleia marcada para 8 de junho. Saiba mais aqui.
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