Braskem (BRKM5) busca fôlego com credores, e recuperação extrajudicial entra no radar, diz agência; ações caem na bolsa
Segundo a Bloomberg, petroquímica busca apoio de credores para uma possível reestruturação extrajudicial antes de compromissos previstos para julho

A Braskem (BRKM5) voltou ao centro das atenções do mercado nesta terça-feira (2), com as ações em queda após rumores de que a petroquímica estaria articulando uma reestruturação de dívidas antes de vencimentos relevantes previstos para julho.
Segundo informações da Bloomberg, a Braskem avalia recorrer à recuperação extrajudicial no Brasil, uma alternativa que permite renegociar passivos com credores fora de um processo formal de recuperação judicial.
A notícia acendeu um sinal de alerta entre investidores e levou as ações da companhia a operarem em forte queda ao longo do pregão.
Após uma queda superior a 6% pela tarde, os papéis conseguiram arrefecer as perdas, encerrando a sessão em baixa de 1,27%, cotados a R$ 10,10.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a Braskem não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.
Braskem negocia recuperação extrajudicial com credores, diz agência
De acordo com a Bloomberg, a Braskem busca primeiro assegurar o apoio de credores que detenham ao menos um terço de sua dívida.
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Alcançado esse patamar, a empresa poderia obter uma suspensão de 90 dias nos pagamentos, criando uma janela para negociar um plano mais amplo de reestruturação.
A estratégia em análise prevê que a Braskem entre com o pedido extrajudicial já munida de um entendimento preliminar com grupos de credores, bondholders e instituições financeiras.
Durante o período de proteção, a companhia trabalharia para conquistar a adesão de credores que representem a maioria dos débitos, condição necessária para a homologação de um plano definitivo.
No entanto, a agência afirma que outras alternativas continuam sendo avaliadas. Entre elas, estaria a possibilidade de solicitar proteção judicial por meio de uma medida cautelar, mecanismo que também poderia dar fôlego adicional às negociações com os credores.
O que dizem os analistas
Na visão de Beny Fard, sócio da B8 Partners, especialista em investimentos e negócios internacionais, o mercado reagiu negativamente ao potencial avanço do plano de reestruturação extrajudicial da Braskem.
Para o especialista, "o movimento, embora tecnicamente menos grave que uma recuperação judicial, sinaliza ao acionista que ele está no fim da fila" de recebimento.
"Em um processo de reestruturação, acionistas situam-se atrás de todos os credores na ordem de recebimento, e, se o plano envolver conversão de dívida em ações, a participação dos minoritários pode ser reduzida de forma expressiva", avalia Fard.
Nos últimos dias, o Citi manteve uma visão cautelosa sobre a petroquímica, com classificação de alto risco para a companhia, citando preocupações com a estrutura de capital e o elevado endividamento da empresa.
Os analistas seguem céticos em relação à estrutura de capital da Braskem. Entre as principais preocupações do banco está o pagamento das dívidas da companhia, incluindo um desembolso de US$ 1 bilhão previsto para o quarto trimestre de 2026 ligado à linha standby.
Além disso, os analistas afirmam que o risco de uma eventual recuperação judicial continua no radar e sustenta a postura mais cautelosa com a ação.
Na visão do banco, alguns fatores poderiam melhorar a percepção sobre a Braskem nos próximos trimestres.
Entre os possíveis gatilhos estão um acordo para reestruturar a dívida da companhia, com eventual adiamento de pagamentos, condições mais favoráveis para a compra de matéria-prima e aumento da taxa de utilização das plantas industriais.
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