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Segundo o portal Pipeline, empresa tem cerca de US$ 150 milhões em pagamento de juros de títulos no exterior no curto prazo

A Braskem (BRKM5) está em uma corrida contra o tempo para evitar que suas contas saiam do controle. O sinal de alerta acendeu por causa de US$ 150 milhões (R$ 758,96 milhões, na cotação atual do dólar) em juros de dívidas emitidas no exterior, que vencem entre julho e agosto.
Segundo o portal Pipeline, a petroquímica não fará esses pagamentos nos prazos originais, o que abre as portas para um calote oficial.
Para evitar que isso aconteça, a Braskem precisa conseguir fechar a recuperação extrajudicial, que é um acordo direto com os credores, homologado posteriormente na Justiça. É o mesmo movimento feito recentemente pela Raízen (RAIZ4).
A questão é que a Braskem precisa do apoio de pelo menos um terço dos seus credores ainda neste mês.
Segundo o Pipeline, a Braskem teria que arcar com o pagamento de juros dos bonds de 2028, 2030, 2031, 2041 e 2050 a partir de julho.
Caso esses pagamentos não sejam feitos, passa a vigorar o chamado "período de carência" (geralmente 30 dias), até que o calote se torna oficial — e vira uma bola de neve.
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Diante de um default oficial, outras emissões da companhia podem decretar vencimento antecipado. Ou seja, todos os credores poderiam exigir seu dinheiro de volta ao mesmo tempo, algo que a empresa não teria como honrar imediatamente.
Na prática, a corrida pela recuperação extrajudicial vai muito além dos R$ 760 milhões em risco com os pagamentos de julho. Se a petroquímica fechar um pré-acordo com os credores, a empresa consegue:
A situação financeira da companhia não piorou do dia para a noite — é fruto de uma combinação de fatores que se desenrolam há anos.
A mais recente é a crise em Alagoas. O desastre geológico causado por minas de sal-gema em Maceió gerou indenizações bilionárias, o que drenou o caixa e fez a empresa perder seu selo de "boa pagadora" (grau de investimento) perante as agências de risco.
Em meio a esses pagamentos, o setor petroquímico não vive o melhor momento do seu ciclo. Toda a indústria está passando por um período prolongado de baixos lucros devido ao custo alto de produção e baixo valor do bem comercializado. É uma crise que se estende desde a pandemia.
Outro problema da Braskem foi a demora para concluir a venda da parcela que era da Novonor (antiga Odebrecht), até então, principal acionista.
As negociações demoraram anos, entre diferentes interessados, mas só foi desenrolar no final de 2025. Atualmente, a empresa está em processo de mudança de comando, com a gestora IG4 assumindo o controle que era da Novonor junto à Petrobras (PETR4).
Um ponto crucial, no entanto, é que não há qualquer sinalização de que a Petrobras vá "salvar" a Braskem injetando dinheiro novo ou oferecendo garantias para pagar esses juros de curto prazo.
A Braskem terminou o primeiro trimestre com cerca de US$ 1,06 bilhão em caixa, mas tem US$ 1,46 bilhão em dívidas vencendo ainda este ano.
Sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, já está negociando separadamente o processo de entrada em recuperação judicial nos Estados Unidos (o chamado Chapter 11).
O objetivo agora é evitar a todo custo uma recuperação judicial completa no Brasil, que seria o último recurso caso as negociações extrajudiciais falhem.
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