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Banco quer ampliar a exposição internacional dos investidores, que hoje mantêm apenas uma fração do patrimônio no exterior, diz Monica Saccarelli ao Seu Dinheiro

Para o Banco Inter, o investidor brasileiro ainda está longe de explorar todo o potencial da diversificação internacional.
Enquanto especialistas da instituição defendem que uma carteira equilibrada deveria ter cerca de 20% do patrimônio investido no exterior, a realidade dos clientes do banco digital ainda está distante desse patamar.
Mesmo entre os sofisticados usuários do segmento Win, voltado para investidores com mais de R$ 1 milhão em patrimônio, a alocação média em ativos internacionais é de apenas 6%, na média.
É nessa diferença que o Inter enxerga uma das maiores avenidas de crescimento para sua plataforma global.
"Existe um potencial enorme. O indicado é 20%, então temos muita estrada para crescer e muita oportunidade para diversificar o patrimônio de quem já investe conosco", afirmou Monica Saccarelli, diretora de investimentos do Inter, em entrevista ao Seu Dinheiro.
A executiva destaca que o banco já superou uma barreira importante: o acesso. Hoje, a instituição reúne mais de 5 milhões de contas globais e cerca de 1 milhão de investidores ativos no exterior.
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Porém, o desafio, agora, não é só abrir contas, mas aprofundar a participação dos investimentos internacionais dentro das carteiras.
Segundo a diretora, a internacionalização do patrimônio deixou de ser uma pauta restrita aos clientes de alta renda e passou a ocupar espaço crescente nas discussões de alocação para investidores de diferentes perfis.
No entanto, muitos brasileiros ainda concentram a maior parte de seus recursos em um mercado relativamente pequeno quando comparado ao universo de oportunidades disponível globalmente.
Na visão de Felipe Marcílio, head de investimentos globais do Inter, a discussão sobre investimentos internacionais vai muito além da busca por proteção contra o risco doméstico ou exposição ao dólar.
Para ele, o principal benefício está no acesso a empresas, setores e tendências que simplesmente não existem no mercado brasileiro.

Segundo o executivo, é como um supermercado com centenas de produtos distribuídos por dezenas de corredores; ao investir exclusivamente no Brasil, o investidor estaria explorando apenas uma pequena parte desse universo.
"Você não está acessando as outras opções. Investir lá fora vai além de buscar retorno ou proteção contra o risco doméstico; é ter acesso a setores transformacionais, como a tecnologia de ponta, que simplesmente não estão listados na B3", afirma.
Embora a bolsa local reúna grandes players de setores como bancos, commodities, energia e varejo, áreas que têm liderado transformações globais — como inteligência artificial, semicondutores, computação em nuvem e biotecnologia — estão concentradas principalmente nos mercados internacionais.
Por isso, na visão do banco, a exposição ao exterior deve ser encarada cada vez mais como um componente estrutural da alocação, e não só como uma estratégia defensiva para momentos de turbulência econômica.
O executivo compara o movimento atual à transformação que ocorreu décadas atrás, quando o investidor brasileiro começou a migrar da caderneta de poupança para alternativas mais sofisticadas de investimento.
Para ele, a discussão deixou de ser se vale a pena investir no exterior e passou a girar em torno do tamanho dessa exposição dentro da carteira.
"A pergunta do cliente mudou. Não é mais 'devo investir lá fora?', mas sim 'quanto devo colocar?'", afirma.
Embora o acesso a ativos internacionais já tenha sido um privilégio restrito a investidores de patrimônio elevado no passado, o Inter aposta na democratização dos investimentos internacionais como um dos pilares da estratégia.
"Com um dólar você já consegue investir. Trouxemos essa democratização para quem não precisa de milhões", afirma Saccarelli.
A ideia do Inter não é só brigar com os pares pelo topo da pirâmide, mas sim começar por baixo e acompanhar o cliente ao longo de diferentes fases da vida financeira.
"A geração mais nova começa com a gente no Brasil, vai fazer faculdade lá fora, vira cliente global e começa a investir. Conseguimos acompanhar toda essa jornada", diz a executiva.
Essa estratégia passa por ampliar o acesso a produtos que, até poucos anos atrás, estavam concentrados em plataformas voltadas ao segmento private, que concentra clientes de altíssima renda.
Ao mesmo tempo, o Inter busca atender perfis mais básicos de investidores, incluindo clientes que desejam manter recursos em dólar para viagens internacionais ou diversificar parte da reserva financeira.
Ainda que a barreira financeira tenha diminuído, o Inter avalia que o obstáculo cultural continua relevante.
Segundo Saccarelli, um dos principais entraves dos investidores ainda está relacionado à percepção de complexidade.
Questões tributárias, regras de declaração e o funcionamento dos mercados internacionais continuam aparecendo entre as dúvidas mais frequentes dos clientes.
"O que mais recebemos de perguntas é sobre como é complicado, como paga o imposto. Existe muita barreira por falta de conhecimento, e nosso papel é mostrar que não é esse bicho de sete cabeças", afirma.
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