O ‘músculo subestimado’ da Smart Fit (SMFT3): o negócio que pode fazer ações saltarem quase 100%, segundo Itaú BBA
Analistas veem uma alavanca de crescimento pouco explorada pelos investidores e eleva preço-alvo para R$ 35. Veja o que está por trás da tese

Muitos investidores veem a Smart Fit (SMFT3) meramente como uma rede de academias, com unidades cheias e em ritmo acelerado de crescimento da operação na América Latina. Para o Itaú BBA, porém, a companhia vem fortalecendo um músculo que ainda não aparece com clareza no radar do mercado.
Enquanto parte dos investidores continua concentrada nos desafios do negócio tradicional, os analistas acreditam que uma relevante alavanca de rentabilidade da companhia segue treinando longe dos holofotes.
Por trás das catracas, dos halteres e das salas de musculação, um outro negócio vem ganhando massa dentro do grupo: o TotalPass, plataforma de benefícios corporativos que, na visão do banco, ainda não entrou na conta dos investidores.
Foi justamente essa leitura que levou o Itaú BBA a “aumentar a carga” na tese de investimento.
Os analistas elevaram o preço-alvo dos papéis para R$ 35 ao fim de 2026, o que implica um potencial de valorização de cerca de 91% sobre as cotações atuais.
O negócio que está ajudando a Smart Fit a ganhar massa
A principal mudança nas projeções do Itaú BBA para a Smart Fit está ligada à força da operação brasileira e ao papel cada vez mais relevante do TotalPass.
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A plataforma, que oferece acesso a academias como benefício corporativo, se tornou uma das principais alavancas de crescimento da companhia nos últimos anos.
Segundo os analistas, os efeitos sobre a rentabilidade da Smart Fit ainda não parecem ter entrado na conta. "Entendemos que os benefícios potenciais do TotalPass ainda não parecem totalmente precificados", afirma o banco.
O raciocínio dos analistas passa por um exercício de reclassificação dos resultados. Segundo o relatório, as academias maduras da Smart Fit no Brasil registraram margem bruta caixa de 48,5% em 2025.
No entanto, ao alocar adequadamente a receita líquida e o lucro bruto gerados pelo TotalPass Brasil — hoje distribuídos em outras linhas do balanço — essa margem subiria para aproximadamente 50%, acima dos níveis observados antes da pandemia, em 2018 e 2019.
Na visão do Itaú BBA, isso mostra que a companhia conseguiu ganhar eficiência operacional mesmo em um ambiente mais competitivo e convivendo com riscos de canibalização decorrentes da própria expansão.
Mais do que abrir novas unidades, a Smart Fit estaria conseguindo aumentar a qualidade dos seus resultados.
Nem todo treino sai perfeito: o desafio no México
Se o Brasil continua sendo o principal músculo da operação, o México ainda aparece como o ponto de atenção da tese.
O país segue pressionando os resultados da companhia, com queda de 5% na receita por academia em 2025 e redução de 7% no número de alunos por unidade madura.
As margens também perderam força. A margem bruta caixa recuou para 46,4%, enquanto os números do primeiro trimestre de 2026 indicam que a recuperação deve acontecer de forma gradual.
Para os analistas, o mercado mexicano continua sendo o principal fator de incerteza para a companhia no curto prazo.
Ainda assim, o desempenho dos demais países da América Latina ajuda a equilibrar a balança, segundo o Itaú BBA.
Na região, a margem bruta caixa permaneceu estável em 59%, reforçando a resiliência da operação fora do Brasil e compensando parte das dificuldades encontradas no mercado mexicano.
O mercado ainda está subestimando a Smart Fit?
Além das perspectivas operacionais, o Itaú BBA vê um ponto adicional reforçando a tese de investimento: o valuation da ação SMFT3.
Segundo o banco, a Smart Fit negocia atualmente a cerca de 9 vezes o lucro estimado para 2027, o menor múltiplo desde a abertura de capital da companhia na B3.
Para os analistas, o mercado parece já ter incorporado boa parte das preocupações relacionadas ao negócio tradicional de academias, mas ainda atribui pouco valor ao potencial de crescimento e rentabilidade do ecossistema criado ao redor da plataforma TotalPass.
"Vemos a Smart Fit como uma das oportunidades mais assimétricas da nossa cobertura", afirmam.
Na leitura do Itaú BBA, o cenário atual combina um negócio que continua crescendo, margens resilientes e uma fonte adicional de geração de valor que ainda não está totalmente refletida nos preços das ações.
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