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DIFÍCIL DE RECLAMAR?

O novo normal do BTG Pactual: o que o CEO prevê por trás do guidance de rentabilidade — e quais as alavancas de crescimento para 2026

Resultado do quarto trimestre fecha uma sequência de trimestres recordes e reforça a mensagem do banco: a rentabilidade elevada veio para ficar

Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual - Imagem: Reprodução redes sociais

Entregar uma rentabilidade acima de 20% é um feito cobiçado no setor bancário. No BTG Pactual (BPAC11), já se tornou rotina. No quarto trimestre de 2025, o banco voltou a elevar a régua ao entregar uma rentabilidade de 27,6%. 

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A performance coroou uma sequência de resultados fortes e voltou a colocar o banco à frente dos principais concorrentes privados, incluindo o Itaú. 

“É um nível de rentabilidade que nos deixa bastante confortáveis”, afirmou o CEO, Roberto Sallouti, durante a teleconferência com analistas após a divulgação do balanço.  

Na divulgação do resultado, o banco inclusive decidiu traçar um guidance (projeção) para o “novo normal” da rentabilidade: “Seguimos bem-posicionados para sustentar ROAE acima de 25%”. 

“Sabemos que queremos sempre ser conservadores com nossos guidances para deixar espaço para a volatilidade do mercado, mudanças de cenário e até algumas frustrações com nossas estratégias”, disse o CEO. 

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Em outras palavras: o banco prefere prometer menos do que pode entregar — mesmo partindo de um patamar já elevado. 

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Veja os principais destaques do balanço do BTG Pactual (BPAC11) no 4T25: 

Indicador Resultado 4T25 Projeções Variação (a/a) Evolução (t/t) 
Lucro líquido R$ 4,59 bilhões R$ 4,67 bilhões +40,3%  + 1,1% 
ROAE 27,6% 27,6% +4,6 p.p. -0,5 p.p 
Receita total R$ 9,09 bilhões —  +35,3%   +3,2% 
Carteira de crédito total R$ 262,3 bilhões —  +18,3%  +6,2% 

Fonte: Balanço enviado à CVM, consenso Bloomberg e média de projeções compiladas pelo Seu Dinheiro. 

Por trás desse desempenho, não há um único motor puxando os resultados. O próprio BTG fez questão de reforçar que o avanço foi disseminado pelas diferentes frentes de negócio, sem depender de uma alavanca específica. 

“Não houve efeito particular de nenhuma linha específica. O crescimento foi bem distribuído, com expansão da base de clientes, aumento da receita de serviços, mais produtos e oportunidades de expansão geográfica”, afirmou o diretor financeiro (CFO), Renato Hermann Cohn, em entrevista coletiva com jornalistas. 

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A leitura do mercado: difícil reclamar de um ROE de 27,6% 

Entre analistas, o diagnóstico é praticamente unânime: o resultado foi forte.  

Para o BB Investimentos (BB-BI), o BTG entregou “mais um trimestre muito sólido”, sustentado por um modelo diversificado, escalável e capaz de atravessar tanto períodos adversos quanto momentos mais construtivos do mercado. 

“Mesmo em um ambiente volátil e com juros elevados, o BTG seguiu entregando forte crescimento orgânico, recorde de captação líquida e expansão do patrimônio tangível, criando um ponto de partida robusto para 2026”, avalia o BB-BI. 

A avaliação do BB-BI é que a diversificação seguirá como o principal trunfo competitivo do BTG — um desenho que permite ao banco continuar entregando resultados robustos mesmo em cenários adversos e, ao mesmo tempo, capturar um potencial expressivo quando o ambiente se torna mais favorável. 

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É essa combinação que sustenta a “fórmula” do BTG para ganhar dinheiro em praticamente todos os ciclos de mercado. 

O JP Morgan segue uma linha parecida. Embora classifique o resultado como “em linha”, o banco norte-americano foi direto: “é difícil reclamar de um trimestre com ROE de 27,6%”. Para os analistas, 2025 foi um ano excepcional para o BTG. 

Já o Itaú BBA vai além e vê no guidance de ROEs sustentáveis acima de 25% um sinal de novo patamar estrutural de rentabilidade — algo de 2 a 3 pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos. 

“Embora isso não necessariamente gere revisões positivas para 2026, reforça a tese de alta rentabilidade de longo prazo”, afirmaram os analistas. 

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Quanto mais alto, mais difícil ir além 

Com tantos elogios, a cautela aparece justamente no ponto mais óbvio: o ROE já está muito alto. E quanto mais elevado o patamar, mais difícil é seguir avançando. 

“Não vemos sinais de esgotamento, mas esse é um tema para acompanhar trimestre a trimestre, especialmente diante do novo mix de receitas e do ritmo de crescimento que o banco será capaz de sustentar”, dizem os analistas do BB-BI. 

A leitura conversa com o tom da própria administração. Cohn reforçou que o guidance foi desenhado com margem de segurança — uma forma de navegar um ano que tende a ser mais volátil, inclusive por conta das eleições de outubro. 

“Queremos passar um número que tenhamos conforto em entregar mesmo em cenários de instabilidade. Se o mercado for favorável, com o ciclo de queda de juros, o cenário pode ser melhor, trazendo novas safras de IPOs e fazendo com que clientes busquem ativos de maior risco, o que eleva a receita”, disse o CFO. 

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Manter um ROE próximo de 27%, disse o executivo, exige crescimento robusto de lucro — algo em torno de 20% —, o que justifica uma postura mais cautelosa nas projeções. “É um esforço desafiador, por isso preferimos um guidance mais conservador.” 

Juros menores, mercado maior — e mais espaço para o BTG 

Na visão do BTG, o início do ciclo de cortes na Selic tende a ser um vento a favor importante para a operação em 2026.  

Juros mais baixos reduzem o risco de crédito, ampliam o apetite por ativos de maior risco e ajudam a destravar o mercado de capitais — uma equação especialmente favorável para um banco com forte presença em investment bankingwealthasset sales & trading

“Com juros mais baixos, nossas vantagens competitivas ficam ainda mais evidentes”, afirmou Cohn. 

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A expectativa é de uma migração gradual da renda fixa para ações, fundos imobiliários e multimercados ao longo de 2026. Ainda que títulos isentos sigam competindo por recursos, o banco já espera movimentos marginais nessa direção nos próximos meses. 

No mercado de capitais, o otimismo também aparece. “Além dos follow-ons recentes, há uma boa chance de vermos IPOs se o ambiente se mantiver”, disse o CFO. “Muitas empresas estão prontas, os múltiplos melhoraram e o patamar da bolsa subiu. Vemos investidores estrangeiros procurando ativos no Brasil.” 

Expansão internacional no radar 

A agenda de crescimento de resultados inclui ainda a expansão geográfica do BTG Pactual. Cohn destacou a conclusão da compra do M.Y. Safra Bank, nos Estados Unidos, que permitirá ao banco receber depósitos e conceder empréstimos no país — ampliando a oferta para clientes brasileiros, latino-americanos e residentes nos EUA. 

A expectativa é que a operação ganhe tração no fim de 2026 e se torne mais relevante em 2027. 

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No Uruguai, a aquisição de um banco local aguarda aprovação regulatória e deve contribuir nos próximos anos. No Peru, o BTG aguarda a licença bancária para iniciar operações ainda neste ano. 

“Continuamos desenvolvendo novos produtos e serviços, seja por aquisições maiores ou menores”, afirmou o CFO. 

O que fazer com as ações do BTG? 

Entre as sete recomendações para BPAC11 compiladas pelo TradeMap, cinco são de compra e duas neutras.  

O Itaú BBA segue otimista. Enquanto isso, o BB Investimentos elevou o preço-alvo para R$ 68,60 ao fim de 2026, o que implica em um potencial de valorização de 14% em relação ao último fechamento, e manteve recomendação de compra. 

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Já o JP Morgan reconhece que crescimento e execução justificam prêmio de valuation, mas vê um potencial de alta mais limitado para o BTG Pactual no curto prazo — o que sustenta sua posição neutra. 

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