Mesmo barata, ação do Banco do Brasil (BBAS3) não convence Barsi: ‘Não compraria enquanto a esquerda estiver no poder’
Megainvestidor avalia que o banco estatal deveria negociar acima do valor patrimonial e afirma estar direcionando recursos para outras ações do setor financeiro

Luiz Barsi, um dos investidores mais conhecidos da bolsa brasileira e frequentemente chamado de "Rei dos Dividendos", afirmou que não pretende ampliar sua posição no Banco do Brasil (BBAS3) enquanto o país estiver sob um governo de esquerda.
"Essa é uma opinião muito pessoal. Eu olho para os resultados. O Banco do Brasil deveria ser um banco negociado acima do seu patrimônio, mas não é o que acontece", disse o investidor em entrevista ao canal Primo Rico, no YouTube.
A avaliação de Barsi ocorre em um momento delicado para o banco. Depois de atingirem quase R$ 30 por ação em fevereiro de 2025, os papéis passaram a sofrer pressão em meio ao aumento da inadimplência no agronegócio, um dos segmentos mais relevantes para a instituição.
Embora tenha havido uma recuperação temporária no fim do ano passado, o movimento perdeu força rapidamente. As ações voltaram a ser negociadas abaixo de R$ 20, enquanto investidores seguem preocupados com a possibilidade de novos desafios para os resultados da companhia.
Além da piora operacional, o Banco do Brasil também reduziu suas projeções para 2026. Ainda assim, desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os papéis acumulam valorização próxima de 30%.
Dividendos perderam força
Durante anos, o Banco do Brasil figurou entre os favoritos dos investidores focados em renda passiva. Em uma fase mais favorável, a instituição registrava lucros superiores a R$ 9 bilhões por trimestre e distribuía cerca de 45% do resultado aos acionistas.
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Hoje, o cenário é diferente. O payout foi reduzido para 30%, refletindo um ambiente mais desafiador para o banco.
Entre os fatores que pesam sobre as contas está o aumento do custo de capital. A projeção para essa linha saltou de uma faixa entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões para algo entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões.
Na avaliação de Flavio Conte, analista da Levante, considerando um lucro líquido de R$ 18 bilhões em 2026 e uma distribuição equivalente a 30% desse valor, o banco pagaria cerca de R$ 5,4 bilhões em dividendos. Isso corresponderia a aproximadamente R$ 0,94 por ação ao longo do ano, resultando em um dividend yield de 4,5%.
O percentual está longe dos retornos superiores a 10% observados nos períodos mais favoráveis da instituição.
Há alternativas mais atrativas, diz Barsi
Apesar de não querer aumentar sua exposição ao Banco do Brasil, Barsi reconhece que o papel continua negociado com desconto.
Segundo ele, o valor patrimonial por ação gira em torno de R$ 32, enquanto a cotação de mercado está próxima de R$ 21.
"Quem compra Banco do Brasil praticamente não corre risco. O problema é que não é apenas ele que está nessa situação. Existem várias empresas descontadas na bolsa", afirmou.
Atualmente, a relação entre preço e valor patrimonial (P/VPA) do banco está em torno de 0,8 vez.
Para o investidor, há instituições financeiras negociadas com descontos ainda maiores.
"Você encontra bancos sendo negociados a 0,10 vez, 0,15 vez ou 0,20 vez o patrimônio", afirmou.
Um dos exemplos citados por Barsi foi o Bmg (BMGB4). O investidor destacou a qualidade da administração da instituição e mencionou a presença de João Consiglio na vice-presidência do banco.
"Agora o banco vai ser muito bem administrado", disse.
Outra aposta recente de sua carteira é o Banrisul (BRSR6). Barsi contou que não possuía ações do banco até a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024.
Com a forte queda das cotações após a tragédia, ele enxergou uma oportunidade para iniciar posição.
"A ação estava em R$ 19. Depois da enchente em Porto Alegre, caiu para R$ 8 ou R$ 9. Pensei: paga dividendos trimestrais, vou comprar um pouco. Comecei a montar posição nessa faixa de preço", relatou.
Hoje, segundo o investidor, sua participação no Banrisul já alcança 2,2% do capital da instituição.
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