Enquanto BB Seguridade (BBSE3) sofre com o agro, outra ação ganha força entre os analistas
Itaú BBA revisa projeções para as seguradoras e vê trajetórias bem diferentes para duas gigantes de seguros ligadas a bancões públicos

À primeira vista, tanto BB Seguridade (BBSE3) quanto Caixa Seguridade (CXSE3) continuam oferecendo exatamente aquilo que costuma atrair os investidores: lucros previsíveis, forte geração de caixa e dividendos robustos. Mas, para o Itaú BBA, há uma diferença crescente entre as duas companhias.
De um lado, uma operação pressionada pela desaceleração do agronegócio e pela queda na emissão de prêmios. Do outro, uma seguradora beneficiada pelo vigor do crédito imobiliário e pelo avanço da previdência.
Essa diferença de trajetória ajuda a explicar por que o banco segue mais cauteloso com BBSE3 do que com CXSE3 na bolsa.
"A Caixa continua sendo a franquia mais resiliente, apoiada por um motor de crédito imobiliário em nível recorde e forte desempenho em previdência, enquanto a BB Seguridade continua enfrentando fraqueza generalizada em prêmios", resume o Itaú BBA.
O banco manteve recomendação underperform, equivalente à venda, para a BB Seguridade, e uma visão neutra para Caixa Seguridade.
O combo de desafios da BB Seguridade (BBSE3)
Se existe um fator central na revisão mais cautelosa do Itaú BBA para a BB Seguridade, é a Brasilseg.
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Os dados mais recentes da Susep mostraram que abril foi o mês mais fraco do ano para a operação em termos de emissão de prêmios, com queda de 22% na comparação anual.
O enfraquecimento foi disseminado, mas dois segmentos chamaram especialmente a atenção dos analistas: o seguro prestamista, que recuou 51%, e a carteira rural, que registrou retração de 20%.
Dentro do segmento rural, o destaque negativo ficou para o seguro agrícola, cuja emissão de prêmios despencou 64%.
Na avaliação do Itaú BBA, os números refletem um ambiente ainda complicado para parte do agronegócio brasileiro.
"Esperamos que a pressão sobre os prêmios da Brasilseg continue ao longo do ano, à medida que os agricultores enfrentam crédito mais restrito e margens de safra mais fracas", afirmam os analistas.
Diante desse cenário, o banco projeta uma queda próxima de 14% no lucro da Brasilseg em 2026.
Além da deterioração operacional, outro fator continua limitando o apetite dos investidores pelas ações: a renovação do contrato de distribuição com o Banco do Brasil.
Embora o tema não seja novo, a indefinição segue funcionando como um elemento de incerteza para a tese de investimento.
Mesmo com um dividend yield estimado em torno de 10%, o Itaú BBA entende que a remuneração ao acionista não é suficiente para convencer a tese.
"Esses níveis não são suficientemente atrativos para compensar esse período mais prolongado de fraqueza nos lucros", avaliam os analistas.
Por isso, o banco manteve recomendação underperform para BBSE3 e estabeleceu preço-alvo de R$ 32 para o fim de 2026, o que implica uma desvalorização potencial de quase 20% em relação ao fechamento passado.
O suporte da Caixa Seguridade (CXSE3) no imobiliário
Se por um lado o agronegócio se tornou uma fonte de preocupação para a BB Seguridade, o crédito imobiliário continua exercendo o papel oposto para a Caixa Seguridade.
Na visão do Itaú BBA, a companhia permanece como a operação mais resiliente dentro da cobertura do banco.
Enquanto a Brasilseg registrou retração relevante na emissão de prêmios, a Caixa Seguridade apresentou crescimento de 3% na mesma base de comparação, impulsionada principalmente pela expansão de 14% no segmento habitacional.
Outro destaque foi o desempenho da previdência. As reservas avançaram 16% em relação ao ano anterior, o ritmo mais forte entre as seguradoras bancárias acompanhadas pelo Itaú BBA.
Por outro lado, o seguro prestamista caiu 27% ano a ano, pressionado por taxas elevadas e pela suspensão de emissões consignadas do INSS, embora os analistas avaliem que a empresa possa eventualmente recuperar parte da perda por meio do seguro prestamista para crédito consignado privado.
Apesar disso, a combinação de crescimento mais estável, forte presença em crédito imobiliário e avanço da previdência sustenta a expectativa de expansão de aproximadamente 8% no lucro em 2026.
Ainda assim, isso não foi suficiente para levar o banco a uma recomendação de compra. Isso porque, na avaliação dos analistas, boa parte desse cenário favorável já está refletida na cotação das ações.
Por isso, a recomendação permanece market perform (neutra), com preço-alvo de R$ 18 para o fim de 2026, uma queda potencial de cerca de 8%.
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