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Após ser penalizada por dívida alta, juros elevados e uma estrutura complexa, a holding de Rubens Ometto pode estar entrando em uma nova fase, segundo o banco

A ambição de Rubens Ometto ajudou a construir um império na Cosan (CSAN3). Agora, a missão é pagar a conta.
Nos últimos anos, o conglomerado expandiu sua presença em setores estratégicos da economia e reuniu um portfólio que vai de energia e gás natural a logística, lubrificantes e agronegócio.
Mas a mesma estratégia que impulsionou o crescimento também elevou o endividamento da holding em um momento particularmente difícil para empresas alavancadas: o de juros elevados.
O resultado foi um paradoxo que passou a incomodar investidores. Embora controlasse ativos vistos como valiosos, a Cosan passou a negociar com um persistente "desconto de holding", reflexo das preocupações com sua dívida e com a complexidade da estrutura do grupo.
Agora, o Bank of America (BofA) acredita que a companhia finalmente começou a atacar a raiz desse problema. Por isso, retomou a cobertura de CSAN3 com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 5,50, o que implica potencial de valorização próximo de 70%.
A aposta não está em novos projetos ou grandes aquisições. Está naquilo que os investidores mais aguardam da Cosan há anos: uma agenda de geração de caixa, venda de ativos e redução consistente da dívida.
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"O foco agora está na desalavancagem", resumem os analistas.
Parte importante dessa mudança passa pela Raízen. Durante anos, a companhia foi vista como um dos principais ativos do grupo. Nos últimos tempos, porém, se tornou uma das maiores fontes de incerteza para a tese de investimento da Cosan.
Com a reestruturação extrajudicial em andamento e a expectativa de que a participação da Cosan seja diluída para cerca de 3% até 2027, o BofA decidiu retirar completamente a Raízen de suas projeções e de sua avaliação da holding.
"Não incluímos mais a Raízen em nossa avaliação ou projeções", afirmam os analistas.
Na prática, a decisão elimina um dos componentes mais difíceis de modelar dentro da estrutura da Cosan e ajuda a simplificar a leitura da companhia.
Por outro lado, a Compass, recém-estreada na bolsa brasileira, passa a ser a principal estrela do portfólio da Cosan.
Segundo o BofA, a empresa de gás e energia representa atualmente cerca de 47% do valor da Cosan na avaliação por soma das partes.
O IPO da Compass reforçou ainda mais essa relevância. Além de levantar aproximadamente R$ 2,5 bilhões para a holding, a abertura de capital ajudou a evidenciar o valor de um ativo que o mercado já enxergava como uma das joias do grupo, na visão do banco.
A expectativa do banco é que a Compass responda por aproximadamente 45% dos dividendos recebidos pela Cosan ao longo da próxima década.
Ao lado da Rumo, que representa cerca de 20% da tese de investimento, a Compass deverá ser uma das principais fontes de geração de caixa para sustentar o processo de redução de dívida, segundo os analistas.
Para o BTG, o principal desafio da Cosan continua sendo sua estrutura de capital.
No primeiro trimestre de 2026, a holding registrou uma queima de caixa de R$ 1,9 bilhão, pressionada principalmente pelas despesas financeiras e perdas com derivativos.
Com um custo médio de dívida próximo de 15,5%, o mercado passou a enxergar a desalavancagem não só como uma opção estratégica, mas como uma necessidade.
É justamente aqui que o BofA vê a principal oportunidade. Segundo os analistas, a administração tem como objetivo reduzir a dívida líquida da holding — estimada em cerca de R$ 9,5 bilhões ao final de 2026 — para zero ao longo dos próximos anos.
Para isso, a companhia trabalha em duas frentes. A primeira é a monetização de ativos.
Segundo os analistas, negócios como a Radar, divisão de gestão de terras agrícolas, e a Moove, operação de lubrificantes, aparecem entre os candidatos naturais para vendas parciais ou totais.
A segunda é o crescimento da distribuição de dividendos das controladas. A projeção do banco é que os proventos recebidos pela holding avancem dos atuais R$ 1,2 bilhão para cerca de R$ 2,8 bilhões até 2028.
O BofA reconhece que a tese de investimento na Cosan depende de execução. Para os analistas, o principal risco está no cronograma de venda de ativos e na velocidade da desalavancagem.
Caso a monetização demore mais do que o esperado ou o ambiente macroeconômico permaneça pressionado por juros elevados, o custo financeiro pode continuar consumindo parte importante do valor gerado pelas subsidiárias.
Ainda assim, a avaliação do banco é que o mercado continua atribuindo um desconto excessivo à companhia.
Combinando a avaliação por soma das partes (SOTP) com o modelo de fluxo de caixa descontado, os analistas chegaram a um valor justo de aproximadamente R$ 6,80 por ação.
Segundo o banco, o preço-alvo de R$ 5,50 incorpora uma dose adicional de cautela diante dos desafios de curto prazo.
Na visão do BofA, porém, a direção da história mudou. Depois de anos acumulando camadas de complexidade, a Cosan parece mais focada em simplificar sua estrutura, reduzir dívida e transformar ativos de qualidade em geração efetiva de valor para o acionista.
Se a execução acompanhar o discurso, o "desconto Cosan" — que há anos acompanha a companhia na bolsa — pode finalmente começar a encolher, segundo o BofA.
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