Compass (PASS3) virou a nova aposta da Faria Lima? Ação conquista selo de compra de três bancões — e potencial de alta passa dos 50%
BTG, Itaú BBA e Citi iniciam cobertura das ações com recomendação de compra e revelam o que está por trás do otimismo

Pouco mais de um mês após estrear na bolsa, a Compass (PASS3) já conseguiu atrair uma onda de recomendações positivas dos principais bancos da Faria Lima.
BTG Pactual, Itaú BBA e Citi iniciaram a cobertura das ações PASS3 com recomendação de compra, apostando que o mercado ainda não incorporou integralmente o potencial de crescimento da "joia da coroa” da Cosan e líder de distribuição de gás natural no Brasil.
Os preços-alvo variam entre R$ 35 e R$ 38 por ação, o que representa uma valorização superior a 50% em relação aos níveis atuais de negociação.
As recomendações ficaram distribuídas da seguinte forma:
- BTG Pactual: Compra, com preço-alvo de R$ 38 (+52%);
- Itaú BBA: Outperform, com preço-alvo de R$ 35 (+40%);
- Citi: Compra, com preço-alvo de R$ 38 (+52%).
O consenso entre os analistas vai além da visão tradicional sobre uma empresa ligada ao setor de gás natural.
Na avaliação dos bancos, a Compass reúne características que raramente aparecem juntas na bolsa brasileira: uma base de ativos regulados capaz de gerar fluxo de caixa previsível e resiliente, combinada a avenidas de crescimento que ainda parecem pouco refletidas no preço das ações.
Leia Também
Há, porém, um contexto importante por trás desse consenso positivo. O trio de bancões participou do bloco de instituições responsáveis por coordenar a oferta que levou a Compass à bolsa em maio, em uma operação que movimentou cerca de R$ 3,2 bilhões.
Por trás do entusiasmo dos analistas com a Compass (PASS3)
O ponto de partida da tese de investimento é a Comgás, principal ativo da Compass e maior distribuidora de gás canalizado do país.
Para o BTG Pactual, trata-se de um daqueles negócios que dificilmente chamam atenção pelas manchetes, mas costumam entregar resultados consistentes ao longo do tempo.
"Concessões de distribuição de gás natural são chatas. Mas chato é bom! Muito frequentemente, o chato gera juros compostos (boring compounds)", escreveram os analistas.
Por trás da análise está uma característica valorizada pelo mercado: a previsibilidade.
Como atua em um segmento regulado, a Comgás conta com receitas relativamente protegidas das oscilações econômicas mais bruscas. Além disso, a remuneração dos ativos incorpora mecanismos de atualização que ajudam a preservar o retorno ao longo do tempo.
O Itaú BBA destaca justamente essa capacidade de geração de caixa previsível como um dos pilares da tese.
Segundo o banco, desde a aquisição da Comgás pela Cosan, em 2012, o Ebitda (indicador que mede o potencial de geração de caixa operacional de um negócio) da distribuidora cresceu a uma taxa média anual de aproximadamente 9%, impulsionado por uma estratégia focada nos segmentos residencial e comercial, considerados mais rentáveis.
Para o Citi, esse negócio regulado funciona como a base sobre a qual a Compass pode construir novas frentes de crescimento.
"Acreditamos que essa base regulada não apenas sustenta um perfil atrativo de dividendos, mas também oferece flexibilidade financeira para financiar iniciativas de crescimento em outras partes do portfólio, tornando a Compass uma combinação singularmente equilibrada entre defensividade e opcionalidade de longo prazo", afirmou o banco.
A "arma secreta” que pode acelerar o crescimento da Compass
Se a Comgás representa estabilidade, a Edge concentra boa parte das expectativas de expansão da Compass.
A subsidiária atua em áreas como comercialização de gás natural e operação de infraestrutura, incluindo o terminal de regaseificação de Santos, posicionando-se para capturar oportunidades criadas pela abertura gradual do mercado brasileiro de gás.
É justamente nesse negócio que os bancos enxergam uma possível assimetria entre preço e valor.
"Acreditamos que a Compass oferece um dos perfis de risco-retorno mais atraentes em nossa cobertura ao combinar fluxos de caixa resilientes e regulados de sua área de distribuição, ao mesmo tempo em que apresenta oportunidades estruturais de crescimento no mercado de gás natural em evolução no Brasil por meio da Edge", avalia o Citi.
Na leitura do Citi, o mercado continua atribuindo pouco valor às perspectivas da Edge.
"Estimamos que o mercado está atribuindo apenas cerca de 20% do nosso valor justo para a Edge, deixando um potencial de alta substancial se a execução ocorrer conforme o esperado", afirmam os analistas.
O Itaú BBA segue na mesma direção. Para o banco, o valuation atual da Compass parece refletir predominantemente o negócio tradicional de distribuição, sem incorporar integralmente o potencial de crescimento associado às operações da Edge.
Um dos exemplos citados é o mercado off-grid, formado por consumidores que não estão conectados às redes tradicionais de distribuição.
Nesse segmento, as margens podem alcançar aproximadamente R$ 0,80 por metro cúbico comercializado, contra cerca de R$ 0,20 observados no mercado convencional.
Na visão dos analistas, esse diferencial ajuda a explicar por que a Edge pode se tornar uma fonte relevante de expansão de lucros nos próximos anos.
Potencial de dividendos entra na conta
Além da perspectiva de crescimento, os analistas também destacam a capacidade da Compass de se tornar uma "vaca leiteira” de dividendos ao longo dos próximos anos.
A estrutura financeira da companhia, vista como relativamente confortável pelos anaistas, aparece como um dos fatores que sustentam essa expectativa.
Segundo o Citi, a Compass encerra o período com uma alavancagem próxima de 2,2 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda, patamar considerado administrável para uma empresa de infraestrutura.
Partindo dessa premissa, o banco projeta um dividend yield médio de aproximadamente 9% entre 2027 e 2028, considerando uma distribuição de 75% do lucro aos acionistas.
O BTG também trabalha com uma trajetória crescente de remuneração ao investidor, estimando um retorno de 5,3% em 2026, avançando para perto de 10% no ano seguinte.
Os riscos continuam no radar
Apesar da visão amplamente positiva, o mercado não ignora os desafios que cercam a tese.
O principal ponto de atenção citado pelos analistas envolve a disputa regulatória em torno do gasoduto Subida da Serra.
O caso opõe o governo de São Paulo e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) em uma discussão sobre a classificação regulatória do ativo, tema que acabou chegando ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Embora o Itaú BBA avalie que o impacto potencial seja relativamente limitado — equivalente a cerca de 3% da base de ativos da Comgás —, o desfecho do processo segue no radar do mercado.
SETE CHAVES?
O segredo da Vale (VALE3) não está mais tão bem guardado assim — e já aparece no preço da ação
14 de setembro de 2026 - 18:31JOIA ESCONDIDA?
Itaú BBA aposta em banco ‘fora do radar’ que entrega ROE acima de 30% e pode saltar 45% na bolsa
14 de setembro de 2026 - 17:58CRÉDITO PARA QUEM?
Com calote em alta e agro sob pressão, bancos fecham torneira para famílias e apostam em outro segmento
14 de setembro de 2026 - 16:32CONCORRÊNCIA
A5X, nova bolsa brasileira de derivativos, capta R$ 360 milhões com gigantes do mercado — e já tem data para estrear as negociações
14 de setembro de 2026 - 13:41FORÇA, FOCO E FÉ?
Cleusa Maria: a empresária que nunca tinha provado um bolo na vida e criou um império de R$ 800 milhões
14 de setembro de 2026 - 7:07CASO MASTER
Fraudes entre Master e BRB chegam a R$ 17 bilhões e Banco de Brasília diz ser vítima de atos criminosos
13 de setembro de 2026 - 15:44TER OU NÃO TER
Petróleo acima de US$ 100 muda a tese para Petrobras (PETR4)? O que ainda favorece — e o que ameaça — a ação
11 de setembro de 2026 - 18:53MENOS ALARDE
IA vai destruir a humanidade? Neurocientista brasileiro rebate previsão alarmante de ex-pesquisadores da OpenAI
11 de setembro de 2026 - 15:31NAS ÁGUAS DO MINÉRIO DE FERRO
Vale (VALE3) segue blindada, mas outra mineradora brasileira está à deriva no mar mais caro dos últimos anos
11 de setembro de 2026 - 14:15SAÚDE FINANCEIRA NA VEIA
Como a Amil saiu da crise e agora se dá ao luxo de recusar proposta multibilionária de compra de fundos estrangeiros
11 de setembro de 2026 - 11:40POTENCIAL
Smart Fit (SMFT3) vai além da abertura de academias: crescimento não atingiu o teto e Santander calcula potencial de 98% para a ação
10 de setembro de 2026 - 15:57DO BRASIL PARA O MUNDO?
Nubank estreia nos EUA, lança aposta para dinheiro sem fronteiras e testa se sua fórmula pode ganhar o mundo
10 de setembro de 2026 - 13:41CARA OU COROA?
BB Seguridade (BBSE3) pode subir pouco, mas cair muito: o risco que fez o Citi recomendar a venda das ações
10 de setembro de 2026 - 11:33NÃO SÃO OS PANDAS QUE VOCÊ IMAGINA
Vale (VALE3) pode abraçar os panda bonds? Veja o que o CFO disse sobre a emissão de títulos na China
10 de setembro de 2026 - 10:52EMPRESAS DE TELEFONIA
É o fim dos planos de celulares de R$ 20? Por que as operadoras estão deixando ofertas ultrabaratas para trás
9 de setembro de 2026 - 17:57SEMANA CHEIA
Maior queda de hoje: Tenda (TEND3) cai mais de 6% após mudança de comando e estreia no Ibovespa
9 de setembro de 2026 - 15:48ALOCAÇÃO DE CAPITAL
O que o Banco do Brasil (BBAS3) está vendo na Argentina para continuar colocando dinheiro no país?
9 de setembro de 2026 - 14:27ALTA DOS PREÇOS
Fim da crise no agro está próximo? JP Morgan elege ação favorita no setor, que pode subir até 36,5%
9 de setembro de 2026 - 11:17MUDANÇAS NA BOLSA
INBR32 dá adeus à B3: Inter prepara mudança nos BDRs e deixa uma decisão importante para os investidores
9 de setembro de 2026 - 9:39CRESCIMENTO BOM PRA CACHORRO