Nova fase da JHSF (JHSF3) pode trazer valorização de até 40% na bolsa, diz BBI; veja o que pode impulsionar a ação
Para o banco, a empresa está saindo do modelo baseado em desenvolvimento imobiliário para uma plataforma de renda recorrente, com maior previsibilidade, melhor conversão de caixa e menor percepção de risco

A holding de luxo JHSF (JHSF3) expandiu sua atuação para a Sardenha, Punta del Este e Milão. Agora, é a vez da ação conquistar novos patamares, segundo o Bradesco BBI.
O banco reiterou a recomendação de compra para a JHSF (JHSF3), holding voltada a negócios de luxo, e elevou o preço-alvo das ações ao final de 2026, de R$ 10 para R$ 15. Em relatório, destacou que a companhia entrou em uma nova fase de sua trajetória, com maior foco em ativos geradores de renda.
Com o papel cotado a R$ 10,66 por volta das 14h desta quinta-feira (18), o novo valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 40%.
Alavancagem menor
Depois que a companhia vendeu, em dezembro de 2025, cerca de R$ 5,2 bilhões em estoques residenciais para o JHSF Capital Desenvolvimento (JCDI11), fundo imobiliário estruturado e gerido pela própria JHSF Capital, gestora da holding, a sua situação financeira mudou.
Na visão do banco, a operação reduziu significativamente a alavancagem da companhia e isolou os riscos ligados ao negócio de incorporação imobiliária pelos próximos quatro a seis anos.
“A principal inflexão da tese está na consolidação da transição de um modelo baseado em desenvolvimento imobiliário para uma plataforma de renda recorrente, com maior previsibilidade, melhor conversão de caixa e menor percepção de risco “, destacou a casa.
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Desde o início do ano, a companhia comprou um palácio em Milão para um novo hotel Fasano, o Enjoy Punta del Este, ícone entre os maiores cassinos da América Latina, e uma operação de aviação executiva nos EUA. Reforça, assim, sua ambição internacional e seu foco em ativos de luxo.
Menos incorporação, mais renda
No primeiro trimestre, cerca de 66% de toda a receita da empresa, de quase R$ 590 milhões, veio de seus negócios de renda recorrente. 30% do resultado veio do segmento de hospitalidade e gastronomia, 27% do segmento de shoppings, 20% de residências e clubes, 20% de aeroportos e 3% de sua gestora.
A companhia ainda tem diversas entregas planejadas entre 2026 e 2027, como o hotel em Sardenha, novas unidades da JHSF Residences e 10 hotéis Fasano, o que pode fazer o Ebitda ajustado de renda recorrente chegar a R$ 2 bilhões, disse a empresa.
Hoje com valor de mercado de R$ 7,26 bilhões, a empresa acredita que, depois desses lançamentos, pode chegar a um valor entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões.
De acordo com o relatório, do preço-alvo de R$ 15 por ação, cerca de R$ 12 são atribuídos justamente aos ativos de renda recorrente da holding, incluindo hotéis e restaurantes da marca Fasano, aeroporto, operações de locação e clubes.
A avaliação da casa é de que a geração de caixa da holding deverá ficar cada vez mais concentrada em negócios recorrentes, com expansão operacional entre 2026 e 2028.
Já os outros R$ 3 refletem o potencial de monetização do banco de terrenos da empresa, que possui capacidade estimada de vendas de aproximadamente R$ 30 bilhões no longo prazo.
Cara de shopping
O Bradesco BBI passou a avaliar a JHSF com uma tese semelhante à utilizada para empresas focadas em geração de renda, aproximando-a das companhias do setor de shoppings.
“Incorporamos a JHSF ao nosso modelo de valuation de ativos de renda, alinhando a companhia aos pares de shoppings, com negociação próxima de 8 vezes o múltiplo P/FFO estimado para 2027, ou 7,3 vezes excluindo dividendos, em linha com o setor”, disse o BBI.
Entre os vetores de crescimento citados, estão a ampliação da área locável dos shoppings, o avanço das locações residenciais, a expansão do Aeroporto Catarina e o aumento da plataforma Fasano no Brasil e no exterior.
Nesse contexto, o relatório projeta uma dinâmica equilibrada entre ciclo de investimentos (capex), com desembolsos anuais entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões no período, distribuição de proventos e manutenção de uma estrutura de capital saudável, partindo de uma posição líquida de caixa.
“Esse movimento [concentração em negócios recorrentes], iniciado nos últimos anos, pressionou a alavancagem e aumentou a complexidade operacional da JHSF, mas foi acompanhado por uma gestão de balanço, incluindo reciclagem de ativos e captação de dívida a custos mais baixos, culminando na transação estruturante com o JCDI11”, explicou o BBI.
O banco também afirma que o mercado ainda atribui riscos excessivos à operação envolvendo o fundo imobiliário próprio do grupo. Segundo a casa, embora existam, sim, incertezas relacionadas ao custo final das obras e à velocidade de venda dos imóveis, o desenho da transação limita eventuais impactos negativos, ao mesmo tempo em que preserva potencial de valorização adicional.
Dividendos e desconto patrimonial
Além disso, na avaliação do Bradesco BBI, as ações da JHSF continuam negociando com desconto relevante de 46% em relação ao valor patrimonial da holding.
O relatório aponta também que o papel oferece um retorno com dividendos recorrente em torno de 7%.
“O banco de terrenos robusto permanece como uma alavanca adicional de valor no longo prazo, reforçando nossa visão de que a companhia deve ser progressivamente reprecificada como uma plataforma integrada de ativos de renda de alta qualidade.”
Com Money Times
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