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Para analistas, setor negocia com desconto de cerca de 40% em relação à média histórica; veja as empresas mais preparadas para capturar essa virada, segundo a corretora

O setor de saúde passou boa parte dos últimos anos na enfermaria da bolsa. Agora, a XP Investimentos acredita que algumas companhias estão prontas para receber alta — e duas ações aparecem no topo da lista de recomendações da corretora.
Em um relatório de início de cobertura, a casa elegeu Rede D'Or (RDOR3) e BradSaúde (SAUD3) como suas principais apostas para surfar a recuperação do segmento.
A avaliação é que o mercado continua excessivamente preso aos problemas que atingiram hospitais, operadoras e seguradoras nos últimos anos, enquanto os fundamentos já começaram a melhorar.
Na visão dos analistas, essa desconexão criou uma oportunidade interessante. Mesmo após a recuperação recente de parte das ações, o setor ainda negocia com desconto próximo de 40% em relação à sua média histórica de valuation.
O diagnóstico da XP é que as empresas de saúde entram em 2026 mais eficientes, com balanços mais ajustados e perspectivas operacionais mais favoráveis.
"Vemos um setor mais saudável operacionalmente, com fundamentos melhores do que os precificados atualmente pelo mercado", dizem os analistas.
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O otimismo da XP não nasce da expectativa de um crescimento explosivo, mas da percepção de que o pior ciclo operacional ficou para trás.
Nos últimos anos, o setor enfrentou uma combinação difícil: inflação médica elevada, aumento da frequência de utilização dos planos de saúde após a pandemia, pressão sobre margens e um ambiente de juros altos que elevou o custo de capital.
Agora, os analistas argumentam que o setor atravessa uma transição de ciclo, caminhando para uma fase de competição mais intensa pela conquista de clientes, mas ainda sustentadas por níveis saudáveis de geração de caixa e lucratividade.
"Acreditamos que o setor está atualmente em transição da Fase I para a Fase II", afirmam os analistas.
Embora a nova etapa costume trazer alguma pressão competitiva, a XP destaca que esses ciclos tendem a durar alguns anos, o que deve garantir um ambiente ainda favorável para os resultados ao longo de 2026.
Dentro desse cenário, a preferência da XP recai sobre empresas que possuem maior capacidade de atravessar eventuais oscilações sem comprometer seus resultados.
É justamente aí que entram Rede D'Or e BradSaúde.
Segundo a corretora, as duas ações contam com uma vantagem importante: a flexibilidade proporcionada pelas provisões técnicas, mecanismo que permite acumular reservas em períodos mais favoráveis e utilizá-las quando as margens sofrem maior pressão.
A XP estima que a SulAmérica — controlada pela Rede D'Or — possua reservas excedentes equivalentes a cerca de 13 pontos percentuais (p.p). No caso da BradSaúde, esse excedente seria próximo de 8 p.p.
Segundo a XP, isso funciona como um colchão adicional de proteção para os resultados.
A Rede D'Or aparece como a principal escolha da XP entre os nomes de maior porte do setor.
A corretora estabeleceu preço-alvo de R$ 45 por ação, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 35% em relação aos níveis atuais.
A tese combina três fatores principais: a liderança da companhia no setor hospitalar, a maturação dos investimentos realizados nos últimos anos e os ganhos decorrentes da integração com a SulAmérica.
Após um longo ciclo de expansão, a avaliação dos analistas é que a empresa entra agora em uma fase de captura de eficiência e geração de valor sobre os ativos já construídos.
A BradSaúde também figura entre as principais apostas da XP. Na visão dos analistas, o mercado ainda está tentando entender o potencial da nova estrutura corporativa e, por isso, não precificou completamente seus atributos.
Um dos pontos mais destacados pelos analistas é a posição financeira da companhia, que nasce com aproximadamente R$ 8 bilhões em caixa, garantindo flexibilidade para crescimento e distribuição de capital.
A expectativa é que a combinação de escala, diversificação e solidez financeira permita à empresa atravessar diferentes momentos do ciclo com menor volatilidade.
Além das favoritas, a XP também vê espaço para valorização em companhias que passaram por períodos mais turbulentos e agora começam a apresentar sinais mais claros de recuperação, como a Dasa (DASA3) e a Mater Dei (MATD3).
Segundo a corretora, ambas deixaram para trás a fase mais crítica dos desafios operacionais e financeiros enfrentados nos últimos anos.
No caso da Dasa, os analistas projetam uma expansão de cerca de 4,9 p.p na margem Ebitda em 2026, impulsionada por iniciativas de eficiência operacional e pelos efeitos da joint venture com a Amil.
Já a Mater Dei passou por uma mudança relevante de estratégia. Depois de anos focada na expansão de leitos e aquisição de ativos, a companhia passou a concentrar esforços na ocupação e rentabilização da estrutura existente.
Para os analistas, esse movimento tende a favorecer os resultados nos próximos trimestres.
"As histórias de turnaround estão começando a entregar resultados", resume a XP.
A visão positiva da corretora não se restringe aos hospitais e seguradoras. No segmento farmacêutico, as recomendações de compra recaem sobre Hypera (HYPE3) e Blau (BLAU3).
Segundo os analistas, ambas negociam com aproximadamente 30% de desconto em relação às suas médias históricas de valuation.
No caso da Hypera, um dos potenciais gatilhos para a tese envolve o mercado de semaglutida, presente em medicamentos para diabetes e obesidade que ganharam popularidade nos últimos anos.
Com a quebra das patentes previsto para os próximos anos, a companhia pode encontrar uma nova avenida de crescimento relevante, segundo os analistas.
Apesar do tom otimista, a XP avalia que o setor continua sujeito a riscos importantes, como a trajetória dos juros.
As empresas de saúde administram aproximadamente R$ 50 bilhões em reservas técnicas, recursos que hoje geram receitas financeiras relevantes. Uma queda mais intensa da Selic poderia reduzir essa contribuição para os resultados.
Além disso, o desempenho do mercado de trabalho segue sendo um fator-chave para o setor.
Como cerca de 80% dos beneficiários estão vinculados a planos corporativos, uma desaceleração mais forte da atividade econômica poderia afetar o ritmo de crescimento das carteiras.
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