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Cosan (CSAN3): como a venda de ativos pode destravar um potencial de 144% para ação, segundo o BTG

De um lado, a companhia está focada na construção de ativos. Do outro, quer monetizar parte deles, com vendas, reduzindo gradualmente a complexidade do grupo, o que pode destravar valor, diz o banco

Imagem: SD com ChatGPT

A Cosan (CSAN3) está avançando em seu processo para reduzir o endividamento e simplificar sua estrutura. E a conclusão desse processo pode levar a ação a se valorizar até 144%, diz um novo relatório do BTG Pactual.

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O banco já argumentava que a complexa estrutura da holding de Rubens Ometto ainda carregava valor significativo. Desde então, o caminho para destravar esse valor ficou mais claro, dizem os analistas.

De um lado, a companhia está focada na construção de ativos. Do outro, quer monetizar parte deles, com vendas, reduzindo gradualmente a complexidade do grupo.

Hoje, mais cedo, a companhia anunciou a venda de uma parcela relevante dos ativos da Radar, sua divisão de gestão e investimento em propriedades agrícolas.

Logo em seguida, BTG Pactual, Itaú BBA e Citi iniciaram a cobertura das ações da Compass (PASS3) com recomendação de compra. A subsidiária da Cosan, líder em distribuição de gás natural no país, fez IPO em maio, o primeiro em quase cinco anos na bolsa de valores brasileira,

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Nesse contexto, a Cosan é a ação com a maior alta do Ibovespa hoje. Por volta das 13h190, a alta era de 7,95%.

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O BTG é dono de parte da Cosan: o banco é dono de 22,86% da Vertiz Holding S.A., que por sua vez tem 24,19% da Cosan.

Pedras no meio do caminho

Ainda que a empresa esteja empenhada nesses objetivos, os últimos meses trouxeram obstáculos. A abertura de capital da Compass ocorreu a uma avaliação abaixo das expectativas iniciais do BTG.

Além disso, o cenário de inflação mais persistente prejudicou o ciclo de cortes de juros no Brasil. Como a Cosan ainda opera como uma holding alavancada, isso significa um processo mais lento de desalavancagem.

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Após o follow-on e o IPO da Compass, a Cosan reduziu significativamente sua dívida líquida. A companhia encerrou o 1º trimestre de 2026 com dívida bruta de R$ 15,2 bilhões e caixa de R$ 7,7 bilhões, resultando em dívida líquida de R$ 7,5 bilhões.

O BTG fez cálculos para entender a dívida líquida atual da empresa. Adicionou as ações preferenciais emitidas pela Compass, no valor de R$ 4,1 bilhões, elevando a dívida líquida ajustada para R$ 11,6 bilhões no 1T26. Acrescentou também R$ 2,8 bilhões em dívidas da Rumo e subtraiu R$ 2,15 bilhões em recursos provenientes do IPO da Compass.

Considerando todos esses ajustes, o relatório chegou a uma dívida líquida ajustada final de R$ 12,3 bilhões para a holding.

Desconto de holding

O BTG afirma que a Cosan continua negociando com um desconto de holding de aproximadamente 29%, percentual que surpreendentemente aumentou mesmo após os avanços na simplificação da estrutura.

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Para os analistas, a tese de investimento deixou de ser sobre financiar uma nova fase de expansão e passou a ser sobre capturar o valor dos ativos já construídos ao longo dos anos.

Com o avanço da venda de ativos, o banco acredita que os investidores poderão se beneficiar da redução da dívida, redução no desconto da ação e, potencialmente, da transformação desse desconto em prêmios de controle.

Diante da recente performance fraca das ações, o BTG reiterou sua recomendação de compra para a Cosan, com preço-alvo de R$ 8 por ação, incorporando novas avaliações para Compass e Rumo.

O ‘ato final’ da Cosan

Para os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, a trajetória da Cosan está dividida em três atos.

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Fundada há mais de 80 anos como uma usina de cana-de-açúcar em Piracicaba, a empresa se transformou ao longo do tempo em uma das holdings mais ambiciosas do país, expandindo sua atuação para logística, terras agrícolas, lubrificantes, distribuição de gás e até mineração.

Segundo o BTG, a companhia passou décadas adicionando novos capítulos ao portfólio, mas raramente removendo ativos. Agora, essa lógica parece estar mudando.

O processo teve início com o recente aumento de capital e a entrada de novos acionistas no bloco de controle, entre eles o BTG.

A partir daqui, o caminho parece cada vez mais claro: monetizar os ativos remanescentes, simplificar a estrutura societária e, eventualmente, desmontar a holding.

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Marcelo Martins, presidente da companhia, afirmou, durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre, ser “bastante razoável” dizer que a Cosan iria deixar de existir num horizonte de três a cinco anos. Já o fundador rebateu: "a Cosan não vai acabar, absolutamente”, disse Ometto.

Embora alguns investidores possam enxergar esse movimento como um capítulo final pouco empolgante, o BTG vê justamente aí a oportunidade.

“Durante décadas, a Cosan foi uma história sobre construir. Daqui para frente, deve se tornar uma história sobre colher os frutos do que foi construído. E é exatamente nesse ponto que a tese de investimento volta a ficar interessante”, afirmam os analistas.

Balanço mais forte, mas desalavancagem ainda é necessária

Após a oferta subsequente de ações (follow-on) e o IPO da Compass, a dívida líquida ajustada da Cosan no nível da holding caiu de forma relevante. Ainda assim, a situação financeira continua pressionada.

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O BTG destaca que as despesas financeiras permanecem acima dos dividendos esperados das subsidiárias em 2026. Com isso, a Cosan deve consumir cerca de R$ 1 bilhão em caixa neste ano, considerando despesas corporativas e excluindo eventos extraordinários.

Na avaliação do banco, porém, a situação continua administrável. Os analistas apontam a Radar e a Rumo como os candidatos mais óbvios para monetização no curto prazo.

Já a Moove permanece como um ativo de alta qualidade e com elevado potencial de venda no médio prazo, enquanto a Compass passou a ser um ativo líquido após sua listagem em bolsa.

Com Money Times

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