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Analistas veem ganhos de eficiência e preços mais favoráveis, mas alertam para riscos que seguem no radar

A Boa Safra (SOJA3) parece estar entrando em uma temporada melhor do que a anterior. A expectativa é de maior volume de vendas, melhor aproveitamento das fábricas e preços potencialmente favorecidos por uma oferta mais restrita de sementes no mercado. Ainda assim, o Citi não está pronto para comprar essa história.
Embora enxergue uma melhora operacional nos próximos trimestres, o banco decidiu reduzir o preço-alvo das ações de R$ 7,50 para R$ 6,50 e manteve recomendação neutra para os papéis SOJA3.
Segundo os analistas, a mudança não reflete uma piora das perspectivas para o negócio, mas sim uma preocupação maior com o nível de endividamento da companhia, que terminou o primeiro trimestre de 2026 acima do esperado.
Além disso, os desafios enfrentados pelo agronegócio e as incertezas climáticas associadas ao fortalecimento do El Niño entram na conta, limitando o potencial de valorização das ações, na visão do banco.
O principal ajuste nas estimativas do Citi veio após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre.
A dívida líquida consolidada da Boa Safra encerrou março em R$ 848 milhões, um avanço considerável em relação aos R$ 519 milhões registrados no mesmo período do ano anterior e acima do que os analistas projetavam.
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Ao final do trimestre, a companhia possuía R$ 777 milhões entre caixa e aplicações financeiras.
Embora o banco não veja sinais de deterioração estrutural do negócio, o aumento da alavancagem foi suficiente para justificar a revisão do preço-alvo.
Para os analistas, o endividamento continua sendo uma das principais variáveis a serem monitoradas pelos investidores ao longo dos próximos trimestres.
Apesar da revisão no valuation, o Citi acredita que a tendência operacional da Boa Safra segue positiva.
Um dos fatores que sustentam essa visão é a oferta mais restrita de determinadas variedades de sementes no mercado. O excesso de chuvas durante a colheita da soja afetou a disponibilidade de alguns materiais, criando um ambiente potencialmente mais favorável para os preços.
Além disso, a companhia deve se beneficiar de uma utilização mais elevada de suas unidades produtivas.
Quanto maior o volume processado, maior tende a ser a diluição dos custos fixos e das despesas operacionais, favorecendo as margens e a geração de resultados.
Na avaliação do banco, esses fatores devem contribuir para uma melhora gradual da rentabilidade ao longo do ano.
Outro tema destacado pelos analistas é o possível fortalecimento do fenômeno El Niño. Como ocorre em outros ciclos, os impactos para a Boa Safra não são necessariamente negativos ou positivos. Para o Citi, o efeito em 2026 pode ser misto.
De um lado, eventos climáticos adversos podem aumentar a necessidade de replantio, impulsionando a demanda por sementes. Foi justamente esse movimento que beneficiou a companhia durante a safra 2023/24 em algumas regiões do Centro-Oeste.
Por outro lado, um ambiente climático mais difícil tende a pressionar a rentabilidade dos produtores rurais.
Nesse cenário, agricultores podem optar por sementes de menor tecnologia e menor valor agregado, especialmente em um contexto de custos elevados com combustíveis, fertilizantes e financiamento da produção.
Para o Citi, esse equilíbrio entre estímulos à demanda e pressão sobre o orçamento dos produtores será um dos principais fatores a acompanhar ao longo da próxima safra.
O banco também destaca avanços na estratégia de diversificação da Boa Safra. As receitas provenientes de outras culturas seguem ganhando participação dentro do negócio, reduzindo gradualmente a dependência da soja e diminuindo riscos relacionados à concentração da carteira e à inadimplência.
Essa diversificação é vista como um passo importante para tornar a operação mais resiliente diante das oscilações naturais de uma única cultura agrícola.
Mesmo enxergando uma melhora operacional à frente, o Citi entende que o atual momento exige equilíbrio entre oportunidades e riscos.
Na visão dos analistas, as ações da Boa Safra já negociam a múltiplos relativamente elevados quando comparadas a outras empresas do setor.
Ao mesmo tempo, o agronegócio continua enfrentando um ambiente desafiador, marcado por custos financeiros elevados, incertezas climáticas e margens pressionadas em parte da cadeia produtiva.
Por isso, embora o banco veja espaço para evolução dos resultados ao longo dos próximos trimestres, considera que o cenário ainda não oferece gatilhos suficientes para uma recomendação mais positiva para os papéis.
*Com informações do Money Times.
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