Nubank (ROXO34) tombou em 2026, ficou 38% mais barato e agora pode disparar; confira os gatilhos, segundo o Itaú BBA
Analistas identificam três gatilhos que podem destravar valor para o roxinho nos próximos trimestres

Poucas ações passaram por uma mudança de humor tão brusca em 2026 quanto o Nubank (ROXO34). Depois de anos sendo tratado como um dos casos mais bem-sucedidos entre os bancos digitais globais, a fintech do cartão roxinho viu suas ações perderem mais de 30% do valor desde o início do ano.
O movimento veio acompanhado de uma sequência de notícias que abalou a confiança dos investidores: preocupações com a qualidade da carteira de crédito, despesas acima do esperado, dúvidas sobre a expansão internacional e até mudanças importantes no alto escalão, com a saída do diretor financeiro (CFO) global.
Mas, na visão do Itaú BBA, a correção das ações do Nu parece ter ido muito mais longe do que os fundamentos justificam.
Para os analistas, o mercado passou a precificar um cenário excessivamente pessimista para o Nubank justamente em um momento em que a companhia continua crescendo, ganhando participação de mercado e ampliando sua capacidade de geração de lucros.
Por isso, o banco manteve recomendação de compra para as ações NU em Nova York, com preço-alvo de US$ 18 — o que representa um potencial de valorização de cerca de 52% em relação ao último fechamento.
Mercado exagerou no pessimismo com o Nubank?
A avaliação do BBA é que boa parte das más notícias no Nubank já foi incorporada aos preços das ações.
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Hoje, segundo os analistas, o Nubank negocia com desconto de aproximadamente 38% em relação à sua média histórica de valuation.
O descolamento chama atenção até quando comparado ao mercado norte-americano. Segundo os cálculos do banco, se as ações do Nubank tivessem apenas acompanhado o desempenho do Nasdaq ao longo do período, estariam negociadas próximas de US$ 17, cerca de 31% acima dos níveis atuais.
Na visão dos analistas, essa queda foi provocada por fatores específicos da companhia, e não por uma deterioração estrutural do setor financeiro ou do ambiente macroeconômico.
Entre os fatores que pressionaram o papel estão:
- Os riscos de execução da expansão nos Estados Unidos;
- A correção das ações ligadas à inteligência artificial em fevereiro;
- O aumento das despesas observado no quarto trimestre de 2025;
- Os resultados do primeiro trimestre, que reacenderam preocupações sobre a evolução do crédito; e
- A transição no comando financeiro da companhia, após a troca do CFO.
Segundo os analistas, a questão agora é entender se esses ruídos representam uma mudança permanente na tese de investimento ou apenas um período turbulento em uma história de crescimento que continua intacta.
Para o Itaú BBA, a resposta passa por três pilares principais: expansão dos lucros, fortalecimento das operações internacionais e uma estrutura de negócios que, segundo o banco, continua entre as mais eficientes do setor financeiro digital.
Lucros maiores podem ser o principal gatilho para o Nubank
Na avaliação do Itaú BBA, a forma mais rápida de o Nubank recuperar a confiança dos investidores é continuar entregando resultados.
Os analistas acreditam que o banco digital reúne as condições necessárias para voltar a expandir suas margens de forma consistente ao longo de 2026, especialmente à medida que os ajustes realizados na carteira de crédito comecem a produzir resultados mais visíveis.
A expectativa é que o crescimento das receitas e do lucro bruto mais do que compense a elevação das despesas administrativas observada nos últimos trimestres.
O Itaú BBA projeta que o lucro líquido do Nubank alcance US$ 4,2 bilhões em 2026, avanço de 46% na comparação anual e ligeiramente acima da estimativa anterior de US$ 4 bilhões.
A projeção também implica um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de aproximadamente 30%, patamar que continua colocando a fintech de David Vélez entre as instituições financeiras mais rentáveis da região.
"Essa sequência de crescimento dos lucros e de cumprimento dos indicadores de desempenho de crédito deve ajudar a reduzir o desconto de valuation observado atualmente nas ações", afirmam os analistas.
Um modelo de negócios mais resiliente do que parece
O Itaú BBA reconhece que o Nubank não está imune aos ciclos econômicos nem às oscilações da inadimplência. Ainda assim, a avaliação é que algumas das principais vantagens competitivas da companhia permanecem intactas.
Entre elas estão a elevada eficiência operacional, a capacidade de atrair talentos e a utilização intensiva de tecnologia para reduzir custos e acelerar a expansão dos negócios.
"Vantagens competitivas estruturais, como a eficiência operacional, permanecem intactas, assim como a capacidade de atrair talentos de alto nível e utilizar tecnologia de forma cada vez mais intensa", destaca o relatório.
Outro ponto que chamou atenção dos analistas foi o avanço da fintech entre consumidores de média renda.
Segundo o banco, o Nubank vem ganhando participação no mercado de cartões de crédito em um segmento onde historicamente enfrentava maior concorrência dos bancos tradicionais.
Ao mesmo tempo, a companhia continua refinando seus modelos de concessão de crédito, especialmente na carteira de empréstimos pessoais.
O aumento dos valores médios concedidos é visto pelos analistas como um sinal de maior sofisticação dos algoritmos de análise de risco.
Já entre as próximas avenidas de crescimento está o consignado privado, produto que deve ser lançado em breve após um período de desenvolvimento e aprendizado mais longo do que o observado em alguns concorrentes, segundo o Itaú BBA.
México anima, enquanto EUA ainda levantam dúvidas
Fora do Brasil, o cenário também ajuda a sustentar a visão positiva do Itaú BBA.
No México, os analistas enxergam uma operação que começa a ganhar escala de forma consistente. A obtenção da licença bancária é vista como um passo importante para acelerar o crescimento, enquanto os indicadores de eficiência e qualidade da carteira já apresentam números considerados atrativos.
Mas a história é diferente nos Estados Unidos: por lá, a expansão continua sendo observada com cautela pelos investidores.
Segundo os analistas, a operação norte-americana do Nubank ainda tem contribuído mais para o aumento das despesas do que para a geração de receitas relevantes, o que mantém dúvidas sobre a velocidade e o potencial de monetização da estratégia.
Por isso, a execução nos Estados Unidos continua sendo um dos principais pontos de atenção para quem acompanha a tese do Nubank.
*Com informações do Money Times.
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