Sinal fraco da TIM (TIMS3): nem os dividendos de 10% salvam ação de queda após alerta do UBS BB
Papéis lideram as perdas do Ibovespa nesta quarta-feira (22) após o banco suíço cortar o preço-alvo da operadora e indicar o que vem por aí

Em uma sessão marcada pelo forte avanço da bolsa brasileira, as ações da TIM (TIMS3) engatam marcha à ré nesta quarta-feira (22) e lideram as perdas do Ibovespa depois do balde de água fria do UBS BB.
O banco suíço reduziu o preço-alvo para os papéis da companhia de R$ 28,50 para R$ 25,00.
Embora o novo valor ainda represente um potencial de valorização (upside) de 10,27% frente ao fechamento anterior e a recomendação neutra tenha sido mantida, o ajuste no valuation azedou o humor do mercado antes da divulgação do balanço do segundo trimestre, agendada para 28 de julho.
Por volta de 13h10, as ações TIMS3 recuavam 1,63%, cotadas a R$ 22,31. No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,65%, aos 176.184,58 pontos.
A freada no motor móvel da TIM
O principal ponto de atenção do UBS BB gira em torno da perda de ritmo no verdadeiro carro-chefe da operadora: a receita de serviços móveis (MSR).
Os analistas Leonardo Olmos e Gustavo Farias projetam uma desaceleração no crescimento anual do MSR para 5,0% no segundo trimestre, após a alta de 5,6% vista no primeiro trimestre.
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Segundo a dupla, os aumentos de preços aplicados na base de clientes (back-book price ups) no início do ano tiveram efeito limitado.
Para completar, o segmento segue retraindo e deve manter uma queda de receita na casa de um dígito alto na comparação anual.
Além disso, o ritmo de venda de aparelhos deve moderar, depois da recuperação vista no início do ano, impactada pela inflação nos custos dos chips de memória.
Fibra ótica e B2B tentam segurar a linha
Se o braço móvel da TIM perdeu fôlego, a operação fixa promete um ruído menor.
O banco destaca o momento positivo da internet via fibra ótica (FTTH) e do segmento B2B (business to business), que agora conta com a contribuição de um trimestre cheio da V8.Tech.
A expectativa é que essa divisão salte 26,5% ante o mesmo período do ano anterior.
No lado operacional e de rentabilidade, o UBS BB espera uma margem Ebitda de 51,4%, alta de 60 pontos-base na comparação anual.
Segundo os analistas, o ganho de eficiência será impulsionado pelo alívio nas despesas com roaming, pelo benefício residual da renegociação de contrato com a American Tower e pelos ganhos de Opex decorrentes da consolidação da I-Systems.
Esses pontos ajudam a compensar a persistente pressão da inadimplência (bad debt) e os custos com provedores de conteúdo.
TIM: dívida maior e revisão para 2026
Ao atualizar o modelo de projeções para 2026, o UBS BB manteve a estimativa de receita praticamente inalterada e elevou a margem Ebitda em 25 pontos-base.
Contudo, a consolidação da I-Systems trará impactos colaterais no balanço. A projeção para a dívida líquida foi elevada em 14% e para o capex (investimentos), em 2% — no trimestre, o capex deve atingir 13,6% das receitas, caminhando para o teto do guidance anual de R$ 4,6 bilhões.
A previsão do banco também contempla uma queda de 2% do fluxo de caixa livre (FCF) e de 5% do lucro líquido, penalizado por despesas líquidas com juros mais altos.
Por que o dividendo de 10% não foi suficiente?
A TIM ostenta um dividend yield (retorno de dividendos) médio atraente, de 10%, pagando um prêmio relevante em relação aos seus pares. Contudo, isso não impediu a reação negativa do mercado.
Isso porque o UBS BB reforça uma visão cautelosa para todo o setor de telecomunicações no Brasil.
Segundo o banco, as preocupações com a concorrência acirrada limitam a capacidade das operadoras de reprecificarem seus serviços no curto prazo, travando gatilhos de valorização rápida na bolsa.
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