BB muda de ideia sobre Petrobras (PETR4) e recomenda compra: o que fez o banco abandonar a cautela?
Escalada das tensões no Oriente Médio muda a tese para a estatal, mas esse não é o único argumento dos analistas para comprar PETR4

O BB Investimentos resolveu virar a chave com a Petrobras. Depois de manter uma posição neutra sobre a estatal, o banco decidiu colocar PETR3 e PETR4 novamente no campo da compra — e o motivo vai muito além dos números da companhia.
Na avaliação dos analistas, o mercado de petróleo entrou em uma nova fase, e poucas empresas estão tão bem posicionadas para aproveitar esse cenário quanto a Petrobras.
"A ação deve se beneficiar da persistência do risco geopolítico, que parece ter criado um novo e mais elevado patamar de preços para a commodity", afirmam os analistas.
Por enquanto, o banco manteve o preço-alvo de R$ 45,00 tanto para as ações ordinárias (PETR3) quanto para as preferenciais (PETR4). A cifra implica em uma valorização potencial de 8% em relação ao último fechamento.
Segundo os analistas, a próxima atualização da meta de preço para a ação será realizada após a incorporação dos resultados do primeiro semestre de 2026, já contemplando a projeção para o final de 2027.
O que mudou na tese para Petrobras (PETR4)?
O principal gatilho para a revisão pelo BB-BI foi a deterioração do cenário geopolítico.
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Na visão do BB Investimentos, o conflito entre Estados Unidos e Irã, aliado à atuação da milícia Houthi no Iêmen, passou a ameaçar simultaneamente duas das principais rotas marítimas utilizadas pelo comércio global de petróleo.
De um lado, a quase paralisação da navegação no Estreito de Ormuz. Do outro, o risco de bloqueios no Mar Vermelho, que colocam sob pressão o estreito de Bab el-Mandeb — corredor por onde transita cerca de 12% do comércio mundial.
Com dois gargalos logísticos estratégicos sob ameaça ao mesmo tempo, aumenta o risco de interrupções na oferta da commodity, sustentando preços mais elevados.
Para completar o quadro, as reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos (SPR) caíram ao menor nível desde 1984, reduzindo a capacidade de resposta das grandes economias caso o conflito se prolongue.
"Considerando que tal ritmo de liberações de reserva pode não ser sustentável caso as hostilidades persistam, entendemos que o mercado deve ficar praticamente sem margem de manobra", alertam os analistas do BB-BI.
Na avaliação do banco, esse conjunto de fatores cria um novo piso estrutural para o preço do petróleo — cenário que favorece diretamente empresas como a Petrobras.
Por que comprar Petrobras? Os três pilares da tese
Na visão do BB Investimentos, a recomendação de compra de PETR4 vai além do petróleo mais caro. A visão otimista se apoia em três fatores que reforçam a capacidade da companhia de capturar esse cenário.
O primeiro é o baixo custo de produção. O pré-sal brasileiro produz petróleo a cerca de US$ 6 por barril, um dos menores custos da indústria mundial.
Segundo os analistas, isso faz com que a Petrobras permaneça altamente lucrativa mesmo em cenários de queda do Brent e amplifique seus ganhos quando a commodity sobe.
O segundo é o crescimento da produção. A companhia continua aumentando sua capacidade com a entrada de novas plataformas em Búzios e Mero, campos que já respondem por aproximadamente 80% da produção total.
O terceiro é a forte geração de caixa. O BB destaca um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) próximo de 14%, patamar significativamente superior ao de grandes petroleiras globais.
Além disso, o banco avalia que a estatal continua negociando a preços atrativos, com múltiplos de cerca de 4,2 vezes o lucro projetado e 3,1 vezes EV/Ebitda.
"Apesar dos riscos, existe margem para forte valorização das ações caso o cenário favorável para o petróleo se intensifique", afirmam os analistas.
Os riscos continuam no radar
O BB Investimentos ressalta, porém, que a tese de Petrobras não está livre de riscos.
Um deles é o retorno sobre o capital investido (ROIC). Caso a Petrobras acelere os investimentos (capex) sem uma geração de caixa proporcional, a rentabilidade da companhia pode ser pressionada no longo prazo.
Outro ponto de atenção é a política de preços dos combustíveis. Embora o modelo atual tenha reduzido a volatilidade doméstica, a Petrobras ainda precisa importar cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina consumidos no país.
Em um ambiente de petróleo mais caro, os analistas avaliam que o desafio passa a ser entender até que ponto eventuais pressões políticas poderão limitar o repasse desses custos ao mercado.
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