Quanto a compra da Kovr pode render para o PicPay? Analistas fizeram as contas após o aval do BC
Analistas projetam ganho adicional de lucro e veem a operação como um passo estratégico para fortalecer o negócio do PicPay; veja as projeções

A compra da Kovr pelo PicPay (PICS) ainda nem foi oficialmente concluída, mas o mercado já começou a fazer as contas sobre quanto essa aposta pode engordar os lucros da fintech.
Na avaliação de analistas, a aquisição da empresa de tecnologia de seguros digitais (insurtech, no jargão do mercado) tem potencial para adicionar cerca de R$ 200 milhões por ano ao resultado do PicPay.
A operação ainda tende a acelerar uma transformação importante no PicPay: deixar de ser apenas um distribuidor de seguros para controlar praticamente toda a cadeia do negócio.
O último obstáculo para esse plano caiu nesta quinta-feira (23). O Banco Central deu sinal verde para a operação, após as aprovações já concedidas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Com isso, a fintech reúne todas as autorizações regulatórias necessárias para concluir a aquisição.
As ações do PicPay operam em alta nesta sexta-feira (24), na esteira do anúncio. Os papéis chegaram a subir mais de 1,3% em Nova York nesta manhã, embora tenham arrefecido os ganhos para cerca de 0,59% por volta das 10h18, cotados a US$ 12,07.
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O que a compra da Kovr representa para o PicPay?
Segundo o PicPay, a aprovação representa um marco na estratégia de construir uma plataforma de seguros completa, de ponta a ponta, para sua base de clientes.
A lógica é simples: a Kovr entrega tecnologia, estrutura operacional e experiência em diversas linhas de seguros — além de uma carteira consolidada de clientes.
Enquanto isso, o PicPay entra na equação com uma das maiores plataformas de distribuição de seguros digitais do país, que já reúne mais de 10 milhões de apólices ativas.
"Após a conclusão, a aquisição da Kovr — uma parceira estratégica de longa data — acelerará a evolução da companhia de um modelo focado em distribuição para uma plataforma de seguros verticalmente integrada, ampliando a oferta de produtos, melhorando a economia unitária e proporcionando uma experiência mais fluida ao cliente", afirmou a instituição.
Na visão do Citi, a aprovação do Banco Central elimina o último grande entrave regulatório e reduz significativamente as incertezas sobre a operação.
Mais importante, porém, é o ganho estratégico. Para o banco, a incorporação da Kovr fortalece a vertical de seguros do PicPay ao adicionar tecnologia, desenvolvimento de produtos e uma base própria de clientes.
Essa transformação, segundo os analistas, acelera a migração para um modelo mais integrado e potencialmente mais rentável.
A expectativa agora é que a companhia concentre esforços na conclusão da aquisição, na integração das operações e na ampliação da oferta de seguros, aumentando também a capacidade de monetizar sua base de usuários.
Mas quanto essa mudança pode valer, de fato, para os acionistas? Os analistas já começaram a responder essa pergunta.
Afinal, quanto esse negócio pode render ao PicPay?
O Citi estima que a Kovr poderá contribuir com cerca de R$ 100 milhões para o lucro do PicPay já no segundo semestre, o equivalente a aproximadamente 10% da projeção de lucro líquido ajustado de 2026, estimado em R$ 963 milhões.
Para 2027, a participação tende a crescer ainda mais. Pelas contas do banco, a contribuição da Kovr poderá representar cerca de 13% da estimativa de lucro líquido ajustado, projetado em R$ 1,96 bilhão.
Já o BTG Pactual avalia que a aquisição da Kovr acelera uma mudança estrutural: o PicPay deixa de depender apenas da distribuição de seguros e passa a capturar uma fatia maior da rentabilidade do negócio ao controlar etapas relevantes da operação.
E o potencial pode ser ainda maior do que o mercado espera.
Em reunião com André Cazotto, diretor de relações com investidores, estratégia e M&A do PicPay, o BTG recebeu indicações de que a companhia espera um segundo trimestre (2T26) mais forte do que as projeções do mercado.
A estimativa da fintech é de um lucro líquido ajustado potencialmente acima dos R$ 245 milhões estimados pelo mercado — um crescimento de cerca de 45% em relação ao trimestre anterior.
Além disso, a administração demonstrou confiança de que conseguirá superar o consenso atual para 2026, que gira em torno de R$ 1 bilhão de lucro líquido.
Há, contudo, um detalhe que chamou a atenção dos analistas: essas projeções consideram apenas o desempenho das operações atuais do PicPay, sem incorporar qualquer contribuição da Kovr.
"A projeção divulgada pela companhia reflete apenas as operações da PicPay de forma isolada e não inclui qualquer contribuição da Kovr, o que significa que os potenciais lucros provenientes dos seguros representam um ganho adicional, e não um fator já incorporado nas expectativas", destacou o BTG.
Segundo Cazotto, a expectativa é que a Kovr gere cerca de R$ 200 milhões de lucro por ano, enquanto o preço de aquisição ficou pouco acima de R$ 600 milhões.
Para o BTG, isso representa um múltiplo de entrada considerado atrativo e um potencial relevante de geração de valor para os acionistas.
"A aquisição deverá fortalecer a plataforma de seguros da PicPay e proporcionar um potencial adicional de crescimento dos lucros após sua consolidação", diz o banco.
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