A fintech que vale quase dois Nubanks: por que o mercado colocou a Revolut em outro patamar
Nova venda secundária elevou o valuation da empresa para US$ 115 bilhões e evidencia diferenças estratégicas da fintech britânica em relação ao roxinho

Menor em tamanho, maior em valor. Na briga das fintechs, a Revolut acaba de entrar em outro patamar: o de um valuation de quase dois Nubanks.
A fintech britânica confirmou nesta quarta-feira (22) que atingiu uma nova avaliação de US$ 115 bilhões em uma operação de venda secundária de ações.
"Como é prática padrão, não comentaremos os detalhes enquanto o processo estiver em andamento. Forneceremos uma atualização quando ele for concluído", afirmou a empresa, em nota ao Seu Dinheiro.
O novo valuation representa um salto de cerca de 50% em relação à última operação semelhante, realizada no fim de 2025, quando a companhia havia sido avaliada em aproximadamente US$ 75 bilhões.
A cifra chama ainda mais atenção quando comparada a outro gigante das fintechs: hoje, a Revolut vale quase o dobro do Nubank, mesmo sendo menor em clientes, receita, lucro e carteira de crédito.
Por trás do novo valuation da Revolut
Segundo a Bloomberg, a operação permite que investidores e funcionários negociem parte de suas participações com novos compradores, sem emissão de novas ações ou entrada de recursos no caixa da companhia.
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Ainda de acordo com a agência, as ações negociadas na operação foram precificadas em torno de US$ 2.017 por papel.
A operação, no entanto, não representa uma nova rodada de captação.
Trata-se de uma venda secundária, em que investidores e funcionários negociam parte de suas ações com novos compradores, sem que a empresa emita novos papéis ou receba recursos adicionais.
Esse tipo de transação costuma servir como referência para atualizar o valor de mercado de companhias ainda fechadas e, ao mesmo tempo, oferece liquidez aos primeiros investidores e colaboradores.
Segundo relatos da imprensa internacional, a operação vinha sendo preparada havia meses e poderia movimentar pelo menos US$ 750 milhões em ações.
Afinal, quem é a Revolut?
Fundada em 2015, a Revolut se transformou em uma das maiores fintechs do mundo oferecendo serviços financeiros totalmente digitais, sem rede física de agências.
Hoje, a empresa reúne mais de 70 milhões de clientes em mais de 40 países e continua expandindo rapidamente seu portfólio de produtos, que inclui contas correntes, cartões, câmbio, investimentos e crédito.
A meta declarada da companhia é alcançar 100 milhões de clientes ativos em 100 países, consolidando-se como uma plataforma financeira global.
Dentro dessa estratégia, a fintech pretende obter licenças bancárias locais em praticamente todos os mercados onde atua, transformando gradualmente sua operação digital em uma rede de bancos plenamente regulados.
Recentemente, a Revolut conquistou a aguardada licença bancária no Reino Unido, seu principal mercado. Ela também busca avançar nos Estados Unidos, onde protocolou um pedido para obter uma licença bancária nacional.
Além disso, a empresa pretende entrar em 30 novos mercados até meados de 2027. Para sustentar essa expansão, anunciou um plano de investimentos de 10 bilhões de euros (cerca de R$ 58 bilhões) ao longo dos próximos cinco anos.
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Revolut vale mais que o Nubank. Mas por quê?
À primeira vista, a comparação com o Nubank parece contraditória. Em 2025, a fintech fundada por David Vélez encerrou o ano com 131 milhões de clientes, mais que o dobro dos 63,8 milhões da Revolut.
A diferença também aparece no crédito. Enquanto o Nubank possui uma carteira de aproximadamente US$ 32,7 bilhões, a rival britânica opera com cerca de US$ 2,9 bilhões.
Os números financeiros seguem a mesma lógica. No ano passado, o Nubank registrou US$ 15,8 bilhões em receita e US$ 2,9 bilhões de lucro líquido. A Revolut, por sua vez, reportou US$ 5,9 bilhões em receitas e US$ 1,7 bilhão em lucro.
Mas, para parte do mercado, o diferencial está menos no tamanho da operação e mais na forma como ela gera dinheiro.
Segundo cálculos do BTG Pactual, aproximadamente 76% da receita da Revolut vem de taxas e serviços financeiros, enquanto essa participação representa apenas 15% no Nubank.
Na prática, isso significa que a fintech britânica depende muito menos da concessão de crédito para crescer.
Emprestar dinheiro costuma ser uma atividade altamente lucrativa, mas exige mais capital, aumenta a exposição à inadimplência e torna os resultados mais sensíveis aos ciclos econômicos.
Já receitas vindas de serviços financeiros demandam menos consumo de capital regulatório e carregam menor risco no balanço.
É justamente essa característica que, na avaliação dos analistas, ajuda a explicar por que os investidores passaram a atribuir um prêmio maior à Revolut.
Embora as duas empresas tenham surgido com a proposta de desafiar os bancos tradicionais por meio de plataformas digitais, elas seguiram caminhos bastante diferentes.
Enquanto o Nubank aprofundou sua aposta no crédito como principal motor de crescimento, a Revolut concentrou esforços na construção de uma plataforma financeira mais diversificada, oferecendo contas, câmbio, cartões, investimentos, seguros e outros serviços.
*Com informações da Bloomberg.
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